04 janeiro 2011

A última sessão de circo


Respeitável público,

Domingo à noite levei meu filho para sua segunda experiência indo a um espetáculo circense. A cia itinerante  do Circo Stankowich (a principal fica em São Paulo, no Tatuapé) que ergueu sua lona para curta temporada aqui em Atibaia. 
O circo produz essa magia, num misto de fantasia e poesia, mas hoje em dia anda bem em baixa. Com a proibição da animais em circos (medida que questiono até certo ponto, uma vez que todas as companhias circenses acabam pagando pelas que maltratavam seus animais), os números circenses ficaram bem mais reduzidos e sem contar com a o movimento, o colorido, a adrenalina e a graça das performances dos animais.
Lembro-me de uma vez quando, ainda criança, fui a um espetáculo do circo Orlando Orfei, creio que no Ginásio do Ibirapuera. Era um circo grandioso, com felinos selvagens adestrados, cavalos, elefantes, os impagáveis chimpanzés, além dos números tradicionais de acrobacias chinesas, trapezistas e claro, os palhaços. 
Nesta ida de domingo, ao lado da estrutura de lona montada, havia também uma grande área com os trailers da cia. Vida de cigano e de circo. Mas o que mais me surpreendeu foi que vários artistas também trabalham em outros setores, vendendo souvenirs, bugigangas e na área de alimentação, enquanto não estão atuando antes, depois e no intervalo da apresentação. Sinal dos tempos onde vale tudo para otimizar custos e enxugar gastos. 
Na barraca de batatinha frita, trabalhava a acrobata. Com sua maquiagem colorida foi me contando da vida no circo. Ali quase todo mundo nasceu no picadeiro. Uma coisa de paixão pela arte que passa de geração pra geração. Mas até quando?  Será que o circo sobreviverá às restrições sobre a utilização de animais? 
O que no passado era uma troupe de palhaços, hoje só se vê um. E claro não resisti contar a história que conheço (clique aqui para ler) que nunca mais esqueci, a uma mulher e também a um rapaz da cia, durante o intervalo. 
A bandinha agora é substituída por som mecânico. E assim vai o circo resistindo à modernidade, onde outras formas de entretenimento ameaçam este tradicional tipo de espetáculo.
Ah, apenas para registrar, não concordo com o nome "circo", que é dado ao Cirque du Soleil. Aquilo pra mim não é um circo. É um espetáculo grandioso, bonito visualmente, sofisticado e impecável, mas circo pra mim não é. 
Enfim, o que vale mesmo, é o sorriso de uma criança ou seu deslumbre ante a magia do que rola no picadeiro. 
Até quando isso for possível. 


29 agosto 2010

Cântico Negro



Cântico negro

José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

22 agosto 2010

Quem é guardião de quem ?



Esta é uma história com um final feliz, ainda que não tenha chegado ao fim. Quem sabe seja só o início. 
Tudo começou dias atrás com a gente ouvindo um latido, próximo à nossa casa, vindo da parte interna do sítio. Durante uns dois ou três dias o latido dava sinais de que o animal permanecia por perto.
De vez em quando aparece um cão-andarilho por aqui, perdido no mato, vindo do nada. E, claro, sempre temos que tocar o bicho pra fora. Afinal nossa população de pets - mesmo tendo sido maior no passado - é de causar espanto a qualquer um.
E eis que, passados uns dois dias ouvindo o latido, ao sair de carro com meu filho, lá estava ele, numa outra entrada do sítio, preso do lado de dentro da propriedade: um cachorro de porte grande, com cara de assustado. 
Fiz meia volta com carro e retornei com uma tigela de ração e potes vazios acompanhados de uma garrafa pet de 2 litros com água.
O pobre cão estava magro, desesperado e tratava-se claramente de um ancião. 
Assim conhecemos o Boris - nome que passamos a chamá-lo, conforme reabastecíamos com ração e água diariamente. 
O cão decidiu ficar do lado externo do sítio onde há uma guarita. Podia sair por aí, perdido, mas preferiu aguardar que o destino pudesse lhe reservar alguma sorte.
Notamos que outras pessoas também deixavam ração, ao perceberem que se tratava de um caso de abandono. Ficou velho, já não servia pra mais nada, só despesa. Este é muitas vezes o "troco" com que muitos destes inegáveis amigos na lealdade são contemplados após anos de serviços prestados tendo o amor como fio condutor. 
Era nítido que só comida não seria suficiente. Era preciso algo mais: carinho.
Trazê-lo pra casa, nem pensar.
E a solução veio do acaso. Um casal, com um filho pequeno, passara a morar na casa que seria de caseiro do sítio - na verdade numa espécie de comodato. .
Arrisquei um acordo: nós faríamos a manutenção de alimentação em troca de que ele fosse cuidado por eles. 
Eles toparam e isto permitiu que Boris ganhasse uma nova família, rodeado de carinho. O coitadinho só falta falar, tal é a sua gratidão. 
E ai de algum estranho ou cão que se aproxime da entrada da casa, para que o velho invocado solte seu latido grosso, porém já não tão forte, já com passar do tempo.

05 agosto 2010

Carta Aberta de Antonio Carlos Assumpção a João Sayad


 
TV CULTURA

Eu sou Antonio Carlos Assumpção Silva. Aqueles que me conhecem sabem que meu apelido é Tonhão.


Trabalhei na TV Cultura de 1970 a 1990. Entrei como estagiário ainda terminando a Escola de Comunicações e Arte da USP e quando saí  havia sido Diretor dos Departamentos de Educação, Variedades, Programas Infantis e Teleatro da Fundação Padre Anchieta. Nesses anos todos passei por todos os cargos inerentes ao meu trabalho: assistente de produção, produtor, autor, roteirista, diretor, diretor de programas especiais, diretor geral e outros mais.


Faço esse preâmbulo para explicar que aprendi a amar a TV Cultura com todos os seus defeitos e idiossincrasias e posso falar dela como quem a conhece. Senão políticamente, mas como técnico e artista que sou e que pertenci com orgulho a seu quadro de funcionários.


Pois bem, fui surpreendido como milhares de outros que leram as últimas reportagens da R 7 e posteriormente da entrevista do Presidente João Sayad ao Estadão.


Sinto-me na obrigação de tentar entender a visão deste senhor apesar da dificuldade e da distância.


Acredito sim que a tv Cultura tenha se tornado deficitária e ineficiente (basta ver parte de sua programação), mas como é que este senhor não percebe que esta mesma TV vem sendo administrada e sucateada por pessoas ligadas ao governo do estado desde a administração Mario Covas nestes últimos 16 anos (se não me engano) e dominada por grupos, no mínimo inescrupulosos (visando projeção pessoal e lucros obscuros) enquando eram promovidas degolas e substituição de bons profissionais por pessoas, no mínimo incompetentes.


Abro aqui um hiato para salvaguardar a competência de profissionais que lá ainda estão e defendem o pouco de criatividade que ainda existe (Provocações,Viola minha Viola, Senhor Brasil e Cocoricó).


Mas  é muito pouco para uma TV Cultura que sempre foi o exemplo e celeiro das  televisões comerciais de todo o país criando e treinando profissionais em todas as áreas da tv; experimentando programas e tendencias que depois eram consagrados nas outras tvs. Enfim, uma televisão de vanguarda, experimental e inovadora. Nunca visando a quantidade de espectadores, mas a sua qualidade e capacidade de modificar opiniões e comportamentos.


Muito bem, se diz hoje que é necessário muito dinheiro e que a TV é deficitária.


Ocorre que a TV Cultura, sempre foi pobre. Nos tempos em que lá estávamos brincava-se muito que era uma TV de “papel, cola e tesoura”, pois quase não tínhamos tecnologia e os equipamentos sempre foram velhos e defasados (com raras exceções).


Mas tínhamos o principal: Idéias e alguma liberdade para experimentar e ousar.


Acredito que isso  hoje falte e em grande parte a culpa seja realmente das gestões desastrosas que se acumulam desde a administração excelente do Sr Roberto Muylaert. (Posso falar isso com toda isenção, pois foi nesta administração que me retirei da tv, por incompatibilidade de pensamentos, mas me orgulho por dela ter participado).


Enfim, tenho medo quando ouço “degola”, demissões, redução do quadro (já ouvi isso várias vezes, tem cheiro de “vou tirar os seus para por os meus”) e agora a novidade pior: Vender o patrimônio.


Como!? – Esse é um legado do povo paulistano!  Não é do PSDB nem do governador de plantão e muito menos de um presidente eleito por interesses políticos e absolutamente de passagem.


Como é isso?! Temos que discutir muito essa situação. Não é possivel alguém dizer que a “TV estaria melhor em um andar de um prédio qualquer”. Se assim fosse, as Redes Comerciais usariam esse mesmo critério para seus quadros, acabando com seus enormes e vastos estúdios e cidades cenográficas e outros que tais.


 Que o Conselho Curador, que antigamente era realmente representativo tome providências para acabar com essa situação ridícula. Que defenda o povo de São Paulo e do Brasil.


Mudanças houveram, mas não são as produtoras independentes que terão toda a competência para inovar e experimentar que uma tv de ponta tem.


A Tv Cultura foi criada com essa função desde os tempos de Abreu Sodré. Sofreu e lutou para  conseguir encontrar um nicho entre as outras. Nomes com Walter George Durst, Tulio de Lemos, Fernando Pacheco Jordão, Antonio Abujamra, Antunes Filho, Adhemar Guerra, Alvaro de Moya, Jose Castellar, Heloísa Castellar,Eduardo Moreira  e tantos outros que por lá passaram deixaram suas marcas ensinando os jovens profissionais e criar e produzir com excelencia. Sempre foi uma TV escola para todos nós que lá estivemos e outros que vieram depois de nós.


Meu Deus, é hora de renovar os quadros (qualitativamente), criar novos programas, baratos e rentáveis, novas idéias enfim, fazer o que sempre fizemos: lutar, e não entregar os pontos. Vender o patrimônio e apagar a luz.


Por favor Senhor Sayad, pense grande.





Posso e devo estar sendo passional e romântico, mas acredito que mesmo com uma visão racional a TV Cultura tem solução que não sua morte.
Obrigado,
 São Paulo, 5 de agosto de 2010
Antonio Carlos Assumpção Silva - diretor

29 julho 2010

Lições de Vida

Nestes dias de "reciclagem" tenho me dedicado a afazeres que há muito deixara de cuidar em virtude do trabalho em SP. Idas à Atibaia (pra quem não sabe, moro nas montanhas, na zona rural do município) em plena tarde para assuntos gerais, principalmente para resolver pequenos reparos, providências e coisas do gênero.
Hoje, João Pedro me fazendo cia "na garupa do banco de trás do carro", fomos fazer várias dessas coisinhas.
Eis que, estava eu num ferro velho, vendendo latinhas de cerveja (uma quantidade absurda, rsrs), quando um homem interveio.
"Você é o Afonso! E nos tempos da Prodigo Filmes eu te apelidei de MURRUGA."
Não acreditei nem na cena, nem na memória do sujeito.Coisa de uns 8, 9 anos atrás!
E ele me contou seu drama: estava sem casa, com mulher e sem emprego (que triste coincidência!). Sujo, sem um dente da frente, enfim...
Comparando a situação dele com a minha, só faltou eu convidá-lo a morar na casa de caseiro do sítio - na verdade atualmente habitada por um ex caseiro.
Quando você está numa situação difícil, vem logo um exemplo a lhe fazer refletir que o buraco é bem mais embaixo. 
Aconselhei-o a procurar trabalho no recrutamento da prefeitura da cidade. Mas se pudesse faria muito mais.

13 abril 2010

Que Porrada!

José Serra, no lançamento de sua candidatura à presidência da República, bradou o slogan de sua campanha: "O Brasil pode mais".

Veja a carta escrita pelo deputado Brizola Neto (neto de Leonel Brizola) como resposta ao lançamento da candidatura e ao slogan.

SERRA, O BRASIL NÃO PODE MAIS - http://www.tijolaco.com/?p=11820

Li boa parte de seu discurso, senhor José Serra. Talvez eu seja hoje o que o senhor foi, na minha idade, quando era um jovem, que presidia a União Nacional dos Estudantes e apoiava o Governo João Goulart no Comício da Central. Quando o senhor defendia o socialismo que hoje condena, o patriotismo que hoje trai, o desenvolvimento autônomo do Brasil do qual hoje o senhor debocha.



O senhor, como Fernando Henrique, é útil aos donos do Brasil – sim, Serra, o Brasil tem donos, poque 1% dos brasileiros mais ricos tem o mesmo que todos os 50% mais pobres – porque foi diferente no passado e, hoje, cobre-se do que foi para que não lhe vejam o que é.

O símbolo do Brasil que não pode mais, que não pode ser mais como o fizeram.

Não pode mais o Brasil ser das elites, porque nossas elites, salvo exceções, desprezam nosso povo, acham-no chinfrim, malandro, preguiçoso, sujo, desonesto, marginal. Têm nojo dele, fecham-lhe os vidros com película para nem serem vistos.

Não pode mais ser o país das elites, porque nossas elites, em geral, não hesitam em vender tudo o que este país possui – como o senhor, aliás, incentivou fazer – para que a “raça superior” venha aqui e explore nossas riquezas de maneira “eficiente” e “lucrativa”. Para eles, é claro, e para os que vivem de suas migalhas.

Não pode mais ser o Brasil dos governantes arrogantes, como o senhor, que falam de cima – quando falam – que empolam o discurso para que, numa língua sofisticada, que o povo não entende, negociem o que pertence a todos em benefício de alguns.

Não pode mais ser o país dos sábios que, de tão sabidos, fizeram ajoelhar este gigante perante o mundo e nos tornaram servos de uma ordem econômica e política injusta. O país dos governantes “cultos”, que sabem miar em francês e dizer “sim, senhor” em inglês.

Não pode mais ser o país do desenvolvimento a conta-gotas, do superávit acima de tudo, dos juros mais acima de tudo ainda, dos lucros acima do povo, do mercado acima da felicidade, do dinheiro acima do ser humano.

O Brasil pode hoje mais do que pôde no governo do que o senhor fez parte.

Pôde enfrentar a mais devastadora crise econômica mundial aumentando salário, renda, consumo, produção, emprego quando passamos décadas ouvindo, diante numa crise na Malásia ou na Tailândia que era preciso arrochar mais o povo.

Pôde falar de igual para igual no mundo, pôde retomar seu petróleo, pôde parar de demitir, pôde retomar investimentos públicos, pôde voltar a investir em moradia, em saneamento, em hidrelétricas, em portos, em ferrovias, em gasodutos. Pôde ampliar o acesso à educação, ainda que abaixo do que mereça o povo, pôde fazer imensas massas de excluídos ingressarem no mundo do consumo e terem direito a sonhar.

Pôde, sim, assumir o papel que cabe no mundo a um grande país, líder de seus irmãos latinoamericanos.

O Brasil pôde ser, finalmente, o país em que seu povo não se sente um pária. Uma país onde o progresso não é mais sinônimo de infelicidade.

É por isso, Serra, que o Brasil não pode mais andar para trás. Não pode voltar para as mãos de gente tão arrogante com seu povo e tão dócil aos graúdos. Não pode mais ser governado por gente fria, que não sente a dor alheia e e não é ansiosa e aflita por mudar.

Não pode mais, Serra, não pode mais ser governado por gente que renegou seus anos mais generosos, mais valentes, mais decididos e que entregou seus sonhos ao pragmatismo, que disfarça de si mesmo sua capitulação ao inimigo em nome do discurso moderno, como se pudesse ser moderno aquilo que é apoiado pelo Brasil mais retrógrado, elitista, escravocrata, reacionário.

Há gente assim no apoio a Lula e a Dilma, por razões de conveniência-político eleitoral, sim. Mas há duzentas vezes mais a seu lado, sem qualquer razão senão a de ver que sua candidatura e sua eleição são a forma de barrar a ascenção da “ralé”. Onde houver um brasileiro empedernidamente reacionário, haverá um eleitor seu, José Serra.

Normalmente não falaria assim a um homem mais velho, não cometeria tal ousadia.

Mas sinto esta necessidade, além de mim, além de minha timidez natural, além de minha própria insuficiência. Sinto-me na obrigação de ser a voz do teu passado, José Serra. É um jovem que a Deus só pede que suas convicções não lhes caiam como o tempo faz cair aos cabelos, que suas causas não fraquejem como o tempo faz fraquejar o corpo, que seu amor ao povo brasileiro sobreviva como a paixão da vida inteira. Que o conhecimento, que o tempo há de trazer, não seja o capital de meu sucesso, mas ferramenta do futuro.

Vi um homem, já idoso, enfrentar derrotas eleitorais e morrer como um vitorioso, por jamais ter traído as idéias que defendeu. Erros, todo humano os comete. Traição, porém, é o assassinato de nós mesmos. Matamos quem fomos em troca de um novo papel.

Talvez venha daí sua dificuldade de dormir.

Na remota hipótese de vencer as eleições, José Serra, o senhor será o derrotado. O senhor é o algoz dos seus melhores sonhos.

08 abril 2010

A truculência corporativa: "Eu compreendo o seu problema, senhor"


A vida no mundo moderno tem lá suas vantagens, mas também seus dissabores. Desde a criação dos chamados Callcenters (odeio a ingleização da língua portuguesa), somos vítimas diante de uma  insólita  realidade que nos põe à mercê destes operadores, a serviço de suas empresas.
Ano após ano, já se tornou lugar comum a classificação das empresas que ocupam os primeiros postos quando o assunto é o desrespeito ao consumidor. Empresas de telefonia fixa, telefonia móvel, de TV a cabo, de cartões de crédito se revezam entre as campeãs de reclamações ante o PROCON.
Confesso não ter paciência para lidar com estes imbecis que parecem ter a incompetência ou a desinformação, como matérias de treinamento.  
E o pior é que ninguém regula as agências reguladores que seriam nossa esperança de ver nossos interesses atendidos.
Mas basta você querer adquirir um desses serviços para ser tratado como um verdadeiro rei.

29 janeiro 2010

Completados ontem!

O que há em comum entre esta foto e eu? Minha idade, rarararará, alcançada ontem 28/01. Há exatos 53 anos eu vinha ao mundo pra participar desta festa louca que é a vida.

18 janeiro 2010

Minhas férias


Devido aos problemas enfrentados aqui em casa no ano passado, perdi um bocado de motivação em manter o blog atualizado com novas postagens. Principalmente porque o conteúdo era quase sempre algo de ruim afetando nosso cotidiano.

E eis que, após um ano e meio (ou precisamente 547 dias) de iniciar meu contrato na Record, finalmente chegaram minhas férias. Vinte dias de descanso!
Um período, porém, um tanto complicado por vários fatores.
Tempo ruim (choveu boa parte destes 20 dias), problemas domésticos (com o empregado daqui do sítio), o Sujinho (um cachorro nosso machucado, atacado pelo nossos próprios cães!), uma inflamação óssea que me tirou do sério...enfim um conjunto de "sintomas" que transformavam minhas férias em algo não exatamente agradável.
Eu tinha em mente propiciar ao meu filho João Pedro, sua estréia nas águas salgadas. Águas que eu mesmo (e minha mulher) não tiveramos mais contato nos últimos nove anos (!!!) depois de nossa mudança para as montanhas e que aproveitaríamos para "tirar o atraso".
Finalmente conseguimos passar dois dias no litoral. A missão foi cumprida e João Pedro foi devidamente "batizado" em sua primeira experiência no mar.
A foto acima é a própria tradução da sensação que tomou conta dele. Difícil mesmo era arrancá-lo da água. rsrs.
Experiência esta que compensou os problemas enfrentados até então.
É isso aí!

08 outubro 2009

Atibaia e sua maravilhosa polícia

Pessoal,

A polícia de Atibaia é assim, hummm...um tanto devagar sabem...e também muito cuidadosa COM OS BANDIDOS !!! Alegam direitos humanos para não abordarem criminosos reconhecidamente infratores - E MUITO CONHECIDOS - e ainda jogam bombinhas de "São João" para assustar as vítimas e coisa e tal. Incrível, não? TENHO PROVAS. Cara...que coisa feia.

É um estado absurdo de inoperância e impotência. Daí só restam duas alternativas:

1) Ou você espera a próxima ação dos criminosos

2) Ou cria "mecanismos próprios" de proteção e combate aos algozes, o que em tese significa fazer justiça com as próprias mãos - ou armas...rsrsr legal né ?

Só que daí a vítima PASSA A SER réu.

Mas uma coisa é certa: ser vítima de certos tipos de criminosos (aqueles, sabem...que, no jargão policial, "pagam cana" por alguns dias e logo são soltos - um caso perdido segundo a polícia de Atibaia, por que isso ocorre "por causa das leis deste país", entende?) nesta cidade, é simplesmente uma questão de destino.

Você que banque sua própria segurança, amigo...

POR Q A POLÍCIA DE ATIBAIA NÃO VAI RESOLVER SEU PROBLEMA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

05 outubro 2009

Destruição

É impressionante o impacto visual causado pela derrubada e remoção dos eucaliptos. Tristeza, muita tristeza. Enquanto isso, os ladrões voltam a atacar. E a polícia nada faz.

14 agosto 2009

Atibaia - uma bagunça de cidade

Recentemente tivemos vários problemas envolvendo furtos - registrados aqui em postagens anteriores - e apesar de termos feito todo procedimento de boletim de ocorrência, apesar de os bandidos serem fartamente conhecidos da polícia de Atibaia, esta nada fez para coibir, prender ou mesmo recuperar o produto dos furtos - o que era nossos único objetivo, já que, para crimes desta natureza, o sujeito não fica mais que uma semana em cana.

Cerca de 2 ou 3 meses após os furtos, nada, absolutamente NADA foi feito.

Foi então que decidi me informar quando são realizadas as reuniões do CONSEG (conselho de segurança pública do município), com o objetivo de poder ir a uma dessas reuniões e reportar tudo que (não) vem ocorrendo em termos de proteção, investigação e solução de nossos problemas.

Mas qual não foi minha surpresa quando NINGUÉM na secretaria de segurança sabia informar quando e onde se reune o tal conselho.

Precisa dizer mais alguma coisa ?

13 agosto 2009

Transformações


Temos testemunhado uma mudança impactante na paisagem onde moramos. Numa operação, cuja decisão familiar (leia-se minha mãe) teve 0% de nossa participação, o lindo eucaliptal que ornava a parte mais alta do sítio está sendo dizimado. Árvores com cerca de 40 anos ou mais estão sucumbindo ante a ação implacável das motoserras. Ouvimos estrondos que mais parecem bombardeios de guerra, conforme cada uma dessas gigantes tomba, uma após outra.
O velho bosque, repleto de eucaliptos imensos não existe mais.
Resta a esperança de que das raízes remanescentes, brotem novos pés, coisa de pelo menos 5 anos. Mas certamente, até chegar a imponência dos que estão sendo derrubados, levará muito mais tempo.

02 agosto 2009

18 ANOS !!!


Parece que foi ontem. Aquele menino sorridente e espuleta me recebia de braços abertos. Eu, que não pude participar do crescimento e evolução de meu filho Pablo, logo me vi envolvido com aquela criança, filho de quem se tornaria a mulher dona da minha vida. E foi assim que passei a dedicar a ele um amor que, inconscientemente, eu transferia de meu próprio filho.
Na ocasião o André tinha apenas 7 anos. E em nenhum momento fui rejeitado por não ser seu pai. Diria, talvez, até o contrário. A receptividade e carinho sempre foram enormes.
O tempo foi passando e depois que nos mudamos para as montanhas, ele veio morar com a gente.
Nesta semana que passou, o André completou 18 anos. Realmente o tempo voa. Hoje ele é um homem, apesar de ainda lutar internamente com um lado ainda criança de ser. Não a criança que todos trazemos dentro de nós. Mas a criança que teima em não se tornar adulto.
Fora isso, que implica no comportamento e visão de vida por parte dele, sou um grande admirador de sua índole e sentimentos.
Sinto orgulho em ver nele um filho alegre, saudável (aliás muito forte, diga-se), inteligente e extremamente amigo.
Com o nascimento do João Pedro, o André se mostrou sempre companheiro e solidário. Sabe de tudo: trocar fralda, dar banho, alimentar e fazer comida. Já pode até ser pai,rsrs.
E agora o destino está mais do que nunca a lhe botar uma enorme interrogação. Agora seus passos dependem muito mais dele do que nós.
Por isso torço muito para que que você, André, se torne um homem de sucesso e acima de tudo muito feliz.
Pois com toda certeza, posso com muita convicção hoje lhe chamar de meu querido filho.
Que Deus o abençoe e sempre ilumine e proteja seu caminho.

28 junho 2009

Agora foi a Sarah...

Parece até praga. Este blog (e o bloggeiro) que se cuide, pois as últimas postagens têm sido quase que somente sobre perdas, mortes e tristezas. Não costumo fazer o gênero de quem entrega os pontos ou só reclama das agruras da vida, mas tudo que temos passado resulta num enorme prejuízo material e emocional na somatória de danos. As bruxas andam soltas por aqui. TOC TOC TOC !!!
Esta madrugada perdemos a Sarah, filha do Toby (morto no ano passado) e da Inga (que num gesto inaceitável e incompreensível ceifou a vida do nosso querido Popó há cerca de 20 dias), após uma noite de internação no hospital veterinário de Atibaia. Dois dias atrás estava largada num canto do canil, demonstrando uma fraqueza irreversível. Diante do quadro dramático, chamamos o nosso veterinário que diagnosticou, num exame clínico, ausência mortal de glóbulos vermelhos e plaquetas. Seu corpo era pele e osso. O estado dela era de tal gravidade que a aplicação de soro só aumentaria o risco de morte. Obra da doença do carrapato, que transmite um protozoário que vai destruindo as células sanguíneas e matando o animal aos poucos.
Partimos para uma operação desesperada de conseguir um doador de sangue para ela, na tentativa de salvar o animal.
O Marcão, amigo de grande coração e solidariedade, concordou em levar seu Dynamite - um pastor alemão de saúde invejável - como doador. Depois de uma trabalheira daquelas - o animal estava inquieto e tenso - conseguimos finalmente extrair 500ml de sangue.
O contraste do vigor físico do Dynamite com a fragilidade doente da Sarah era de se chocar.
A madrugada de sábado para domingo seria decisiva para a recuperação dela. Deixamos a clínica com ela já recebendo as primeiras gotas do sangue do Dynamite.
No domingo pela manhã ficamos sabendo que ela não resistira. Até esboçou uma reação, ficando de pé e abanando a cauda - atitudes totalmente improváveis horas antes. Mas não teve jeito.
E assim, lá se foi mais um de nossos "filhos": a nossa Sarah Vaughan.
Ela será enterrada aqui no sítio próxima ao pai e ao Popó.

21 junho 2009

Maria Cristina Gama Duarte


Um telefonema nesta manhã de domingo informava a morte de minha prima Maria Cristina. Chegava ao fim sua luta (silenciosa, por que nunca reclamava de seu drama , nem da dimensão de seu problema de saúde) travada nos últimos anos para enfrentar sua doença.

Dotada de uma inteligência privilegiada, Maria Cristina foi durante muitos anos jornalista do Grupo Abril, especialmente da revista Cláudia, onde chegou ao posto máximo como diretora.
Sua visão crítica (herdada de meu tio Raul Duarte, o saudoso Bico) e personalidade marcante eram associadas à sua generosidade e doçura.
Na impossibilidade de ser mãe, adotou um menino ainda bem novinho, o Leando, a quem se dedicou enquanto esteve viva. Porém, seu desprendimento era de tal forma, que ela permitia que a mãe biológica sempre acompanhasse seu crescimento e evolução. Ou seja era adoção, por assim dizer,compartilhada. Assim era a Cris.
"Meio" irmã (filha do primeiro casamento do tio Raul) do Raulito e Yara Márcia, mantinha com eles um relacionamento afetivo e harmonioso, fruto da aproximação promovida pelo pai.
Deus decidiu acionar o botão evitando que sua doença se agravasse ainda mais, poupando-a de muito sofrimento.

Valeu, prima...
Fique na paz.

07 junho 2009

E as perdas não páram: Adeus, Popó...

Popó, grande amigo...8 anos de convivência

Como se não bastassem as perdas que temos colecionado desde o ano passado (registradas em postagens anteriores), como não bastassem os furtos que temos tido sistematicamente (e que pouco podemos fazer, já que quem deveria fazer a sua parte - A POLÍCIA - não faz!), fomos tomados por um novo sentimento de grande tristeza. Nosso querido Popó, um dos três bichos que nos acompanhava desde os tempos de Moema (resta desta turma apenas Frederico, o papagaio), já não faz parte de nossa família.
Escrevo este post apenas alguns minutos depois de nos depararmos com seu corpinho inerte. E ao contrário das outras perdas envolvendo os bichos, de causas desconhecidas, no caso dele foi briga com um de nossos cães de muito maior porte. Muito provavelmente a Inga.
Fomos dar uma volta pela mata e, de longe, eu ouvia aquilo que depois provou ser um ataque contra ele. Pobre bichinho...
O Popó teve o nome talhado para seu temperamento de invocado. Pequenino no tamanho, mas valente à toda prova.
Certa vez, sobreviveu a um acidente que quase lhe tirou a vida: ficou pendurado pela corrente que o prendia ao escorregar no deck - quando ainda não tínhamos o canil - e por pouco teríamos carregado um remorso pra toda vida.
O Popó era alegre, muito esperto e quase sempre o primeiro a latir dando alerta aos demais quando percebia algo de errado.
Era também um grande amiguinho do Shiva (na ilustração da foto acima), quando morávamos em São Paulo.
Talvez as melhores lembranças que tenho dele são de quando ele se deitava de costas, com a patinhas encolhidas pedindo carinho ou suas corridas, por conta de nossas investidas pela mata. Ele parecia sorrir de felicidade enquanto corria.
E como disse em outro post recente: a vida é bela enquanto dura, mas quando a morte vem - principalmente do forma inesperada, é um golpe duro. Muito duro mesmo.

Agora ele se junta ao Shiva, Krishna e Jade formando nossa famíla celestial do reino animal. Zulu e Zeus desapareceram, sem que saibamos ao certo se morreram ou foram roubados...

ADEUS, MEU QUERIDO...NÓS SEMPRE TE AMAREMOS.

15 maio 2009

Órfãos da Lei

Estamos vivendo um verdadeiro clima de terror. De um lado ladrões que agem na maior liberdade e desenvoltura, saqueando nosso patrimônio a cada nova investida. Arrancando pedaços daquilo que um dia foi um belo conjunto de construções encrustadas nas montanhas. Do outro a polícia, que sabendo de todas as informações sobre os suspeitos, nada faz para abordá-los em busca da recuperação do que foi furtado. Este seria, em tese, nosso único objetivo. Por que caso fossem presos, ficariam alguns dias e logo seriam soltos para mais furtos. Só queremos o que é nosso de volta, mas por algum motivo misterioso, a polícia de Atibaia não age. Isto tudo causa muita revolta e nojo diante da situação que vivemos. E muito medo também.