26 julho 2008

O Jorginho "Sebion"

SP, sexta-feira, 26/07/08, 01:30 da manhã. Saio pra comprar cigarros e a padaria aqui ao lado ainda aberta. Entro. E na saída, vejo na calçada um senhor com aquela "boina" tipo africana, conversando com outro cidadão bem mais jovem - que em seguida descobriria tratar-se também de um músico. Volto e arrisco a pergunta: "O senhor é o Jorginho?". Ele abre o sorriso e confirma: "Sou!".
A vida é realmente uma sequência de intermináveis esquinas e surprêsas. Ora...quem diria? Era ele mesmo, o Jorginho "Sebion", do alto de seus 70 anos (na fala dele). Personagem único da noite paulistana dos anos 60.
Eu, inexplicavelmente, o reconhecera. Sabe-se lá porquê ou como. Coisas do HD que carregamos na memória emotiva que resiste ao tempo. Detalhe: este mesmo acaso havia ocorrido numa primeira vez, há muito tempo, final da década de 70, quando o vi no Boca da Noite, bar de MPB ao vivo, que ficava na Bela Vista.

Músico percussionista, integrante da orquestra do Pocho, onde a cantora, ou melhor dizendo, a "crooner", era nada mais nada menos que minha mãe: Alda Perdigão. Mas também companheiro das "baladas " de outrora, ao lado de meu velho e saudoso pai. O grande Quico. Locutor de uma belíssima voz, sedutoramente grave e envolvente.

São "encontros" que só a mágica da vida pode decifrar. 50 anos de histórias em 5 minutos de conversa.
Eu até anotei seu celular. Mas há ,na verdade, pouca chance de voltar a vê-lo. Será? Quem sabe...se o acaso se repetir neste ciclo, daqui outros 20 anos isso pode acontecer.

(foto: arquivo pessoal, Alda e Quico)

25 julho 2008

Momento Único

Essa linda cena foi registrada no quarto dos filhos de nossa caseira. Tempo suficiente para um namoro com a natureza deste doce animal. Somos realmente muito privilegiados em poder ter esse tipo de contato. Logo em seguida ela (e) foi reconduzida para a mata.

22 julho 2008

Rito de Passagem

Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos.
E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto. E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas.
Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta.
O tríplice mistério do estoque, que eu passo por e sendo ele no que fica em cada um.
No que sigo o meu caminho e no ar que fez e assistiu. Abra um parênteses, não esqueça que independente disso eu não passo de um malandro. De um moleque do Brasil, que peço e dou esmolas.
Mas ando e penso sempre com mais de um, por isso ninguém vê minha sacola.

(Mistérios do Planeta - Novos Baianos)

16 julho 2008

Alma de Guerreiro

Quanto mais obstáculos surgirem, maior será a resposta deste guerreiro. Quanto maior for o desafio, mais aguerrido será meu confronto. E sempre... sempre na cumplicidade de minha amada e brava guerreira.

05 julho 2008

Changes


1 mês

Depois de um mês, desde o início desta nova fase de trabalho, as coisas vão aos poucos se acomodando nesta inédita realidade na qual minha vida se transformou. É mais uma sequência deste meu "road movie", ou talvez "docu-drama" pessoal, cujo roteiro factual vou descobrindo a cada take. A única certeza é a de que, por força das novas configurações (profissionais ou não), minha cabeça passa a armazenar um zilhão de novos dados.

22 junho 2008

A farra dos bancos


Sob a inapelável batuta do BC, estamos simplesmente reféns diante de uma tremenda nova "mão grande" por parte dos bancos. Agora, dependendo da opção do pacote de tarifas de serviços, somos condicionados a operar um número determinado de saques em caixas eletrônicos - senão você PAGA para sacar. Isto significa que o dinheiro obtido com o fruto de seu trabalho não pode ser seu, quando você quiser, quantas vezes você bem entender. O banco é quem estipula. A coisa já rolava solta quando estipularam o limite mínimo para gastos com cheques - abaixo de X você pagava uma tarifa. E daí se você esboça uma indignação por tal absurdo, surge a velha frase na boca dos funcionários dos bancos: É a nova "regulamentação" do Banco Central.
Legal, né?

31 maio 2008

O Destino

Ontem selei meu destino ao assinar contrato com a Rede Record. São as voltas que a vida dá. Depois de 15 anos desde que saí da TV Cultura - período em que pulei de galho em galho feito macaco assustado, freelando pelas produtoras -, eis que volto à labuta no frenesi da louca São Paulo. A mata, os bichos e a exuburância da natureza das montanhas ficam de lado. Ou só nos fins de semana. Retornam o antigo cenário, os estúdios, as gravações e o ambiente de televisão.
O mais curioso é que exatamente ontem meu querido tio Raul, o saudoso Bico, faria aniversário. Justo ele que brilhou na Era de ouro da Record à frente de programas antológicos que marcaram a história da Tv brasileira. Onde quer vc esteja, querido tio, receba meu abraço. E aqui vou eu nesta nova e importante empreitada. Afinal, aos 51 anos e com um filho de dois, nada mais seguro do que abraçar esta oportunidade. Rede Record, rumo à liderança !

30 maio 2008

Terra de Bravos

Indios isolados fotografados recentemente encontrados
(fonte:uol)

Com toda esta onda de soberania, demarcações indígenas, ongs gringas etc e tal, o Brasil ainda é um tremendo enigma. Hoje mais um poço de petróleo foi anunciado como descoberta. Que país é este ? Grande enigma.


21 maio 2008

Compasso de Espera

A decisão, quem está tomando, é o destino.

13 maio 2008

radiografia de um povo


Certamente um dos aspectos que mais traduz o comportamento e a cultura do povo brasileiro está escancarado no trânsito das grandes cidades. Como morador ou frequentador da cidade de São Paulo, isto fica mais do que patente. O trânsito de São Paulo espelha tudo de ruim que rege a sociedade brasileira em seu viés paulistano.


São motoristas muito "folgados", sem educação, imprudentes, arrogantes e, acima de tudo, com péssimas noções de civilidade e direção adequada. Curiosamente este fenômeno engloba todas as classes sociais, sendo muitas vêzes os ricaços com seus jipes de luxo 4 x 4 em desfile pelos Jardins, grandes protagonistas de "dedadas", quando invariavelmente estão no meio de alguma infração - notadamente em filas duplas. Os motoboys então, são um verdadeiro capítulo à parte, com suas manobras perigosas e comportamentos agressivos. Nestes dias de trabalho em SP, vi em pelo menos 3 ocasiões, esses kamikazes largados no asfalto sendo atendidos pelo resgate. São os donos das ruas e com eles não tem pra ninguém. Os caminhões com seu poder quase bélico impõem-se pelo tamanho. E finalmente os ônibus, que parecem transgredir leis a eles destinados completam este cenário caótico. O festival de aberrações é vasto: fechadas, disputa por pistas, ausência absoluta do acessório "seta" por parte dos motoristas e muito, muito mais. Um menu dos mais indigestos. Como diria a letra da famosa canção de Ari Barroso: "Isso aqui Iô Iô é um pouquinho de Brasil Iá Iá". Infelizmente.

08 maio 2008

dúvidas

Os novos ventos profissionais trouxeram também dúvidas sobre que caminho seguir. Inesperadamente uma opção de escolha acabou surgindo no movimento deste retorno ao trabalho. Espero poder tomar a decisão correta. E que os deuses me iluminem nesta direção.

26 abril 2008

Adeus, Krishna

Nem bem nos recobramos da morte do Toby e sofremos outra baixa. Esta linda manhã de outono reservou uma surprêsa nada agradável: seu corpinho inerte não deixava dúvidas quanto à sua partida. Você mais parecia um anjinho adormecido...
Nossa família felina diminui para 6 membros. Primeiro foi o Zulu, que desapareceu durante a reforma da casa, levantando suspeitas até de que alguém tivesse lhe feito mal. E agora você, doce amiguinho, a quem batizamos com este lindo nome da divindade hindu. Com certeza seu carinho, suavidade e amabilidade estarão para sempre presentes em nossos corações. Vá com Deus, meu bom amigo. E que a paz o aninhe onde quer que você esteja.

14 abril 2008

Vida cigana

Em virtude de meu trabalho em SP e de fatores relacionados a esta nova realidade, estou morando alternadamente em três casas. A minha, nas montanhas, a do meu primo Raulito em SP e em meu carro - nos deslocamentos e no bagageiro. São meus três pontos de apoio nesta empreita. Já não tenho lá muita idade para esta vida de aventuras, mas para quem nasceu pra ser cigano, até que não estou me saindo tão mal. Vamos ver como esta velha carcaça resiste durante o processo.

13 abril 2008

On the road again...

Ainda que por um período curto, retorno à minha atividade como produtor. O cenário: Rede Record. Palco onde no passado meu querido tio Raul, o Bico, reinou à frente da legendária equipe A. Eram outros tempos, onde a Record era a Globo de hoje. As posições estão invertidas neste novos dias, com a Record tentando superar sua rival na liderança pela audiência.

28 março 2008

5 anos hoje

Hoje completamos 5 anos desde o primeiro dia que fincamos nossas perspectivas e encaramos o desafio de viver nestas montanhas de Atibaia. Foram anos de alegrias, surprêsas, muito trabalho, esperanças e decepções. Acima de tudo, a vivência nesta natureza exuberante e mágica. Uma biodiversidade que só quem passa o dia a dia aqui pode testemunhar. Os ciclos sazonais e mais um verão que se vai. No momento nem mesmo sei se no próximo estaremos por aqui, tal a incerteza que ronda nossas expectativas. Um novo tempo se avizinha e uma nova guinada está em curso. Volto às minhas atividades como produtor, muito mais por necessidade, do que por prazer. Muito embora o trabalho que me espera represente um enorme trunfo de realização. Se nada pudemos conquistar ante nossas perspectivas de 5 anos atrás, resta a experiência de tudo que aqui foi vivido. Sem contar, é claro, com o nascimento de nosso amado João Pedro, cujo processo de crescimento nos enche de felicidade e recompensa.

28 janeiro 2008

51 hoje

Faltam poucos minutos para 51 e mais um dia. A estrada continua. Enquanto houver passos a abrir picadas, lá estarei. A meta agora é chegar aos 60. Meu filho João Pedro é meu maior propulsor nesta jornada. Até lá ele estará com 10. Que Deus me permita estar ao seu lado. Forte e pronto para ajudá-lo no que preciso for.

26 janeiro 2008

Saudades...Toby

Querido Amigo,

Ontem fez uma semana que não contamos mais com sua presença e sua companhia. Uma semana sem seu latido de alerta. Uma semana de sua partida. Saudades. Muitas saudades.

21 janeiro 2008

Despedida

Querido Toby,

Parece que foi ontem que você por aqui surgiu. Naquele tempo, ano 2003, vínhamos de SP cheios de esperanças em alavancar nosso projeto aqui no sítio. Nossos filhos "pets" vindos de Moema eram o Shiva, o Frederico e o Popó. Respectivamente, um enorme gato, um simpático papagaio e um intrépido Fox Paulistinha. Ao juntar-se à nossa família, você trouxe muita alegria e carinho. E trouxe também uma sensação de proteção, com seu latido grosso. Quem o ouvisse sem vê-lo pensaria tratar-se de um cão de porte muito maior que o seu. A única coisa que a gente estranhava era aquele seu bafo fedorento, rsrsrsrs.
Com a chegada da Inga, que igualmente adotamos, vocês formaram um lindo par. Lembro-me de vocês dois correndo pra cima e pra baixo pelo sítio, apostando corrida. Era uma alegria ! Ela não largava do seu pé, lamuzando-o com sua baba. Lindas demonstrações de afeto entre vocês dois.
Daí ela pregou uma "peça" em nós aqui quando ficou prenha de você. Quando pensávamos em confiná-la com a chegada do cio, a coisa já tinha sido consumada. Vieram seus filhos, sete ao todo! O Ray, o Marley, o Jimi, a Nina, a Sarah, Tina e Aretha. Destes ficamos com 4 e conseguimos doar os outros 3. Jamais faríamos como muitos fazem, que é colocar os filhotes numa caixa de papelão ao Deus dará.
E assim ficamos com uma verdadeira matilha. Qualquer movimento na estrada ou barulho diferente, pronto! Um festival de latidos pra ninguém botar defeito. Você, claro, sempre se destacando como um dos latidos mais poderosos.
Tristemente, você foi o primeiro a nos deixar, meu doce amigo. Fica o restante desta linda família, mas com a lacuna de sua ausência. Uma ausência que jamais será preenchida, pois você foi muito especial no convívio entre nós. Que Deus lhe abençoe, querido Toby.

20 janeiro 2008

Ainda Toby

Uma terrível sensação insiste em não me abandonar. Uma sensação que mescla dúvidas, mea culpas, incertezas e questionamentos. Tento puxar pela memória dos recentes fatos me perguntando onde foi que eu errei. Se é que errei. Uma espécie de investigação mental inconsciente ronda minha cabeça em intervalos quando ela não está ocupada por outros pensamentos quaisquer. Parece um exercício obsessivo. Sei lá.
O ato de alimentar os cães ontem foi muito simbólico. Faltava ele, o Toby.
É como se mesmo tendo executado a tarefa de seu sepultamento no cantinho do Buda não signifique quase nada ante a sua ausência. Tá difícil, Toby. Você era muito querido.

19 janeiro 2008

o "day after"

Não foi nada fácil a tarefa que estava à minha espera hoje. Pela manhã, após um telefonema com o veterinário, fora descartada a hipótese de uma autópsia no Toby. Fato que apenas acentuou nossa angústia, pois nunca saberemos de fato o causou a morte dele. A mais cogitada seria a possibilidade de um feito avassalador de uma picada ou mordida de bicho peçonhento. Será? Recentemente o Toby, seguramente o menos vulnerável a doenças de nossos então 8 cães, havia adquirido um problema entre os dedos da pata esquerda dianteira. Como uma ferida. Mancava de dar dó com a patinha dobrada. Como de costume, cuidamos prontamente de tratá-lo, chamando o veterinário e medicando-o. Já curado, ele não voltara a se alimentar como antes do problema surgir. Mas sempre achamos que seria uma questão de tempo. Sua doença surgiu quase simultaneamente ao de um outro em um de nossos gatos, a Chiquinha. Quebrando uma rotina onde há muito não ocorriam problemas com nossos bichos. Mas no caso dela (tanto quanto o dele, supomos) o pior já tinha passado.
Nas últimas horas fomos tomados por um turbilhão arrebatador de pensamentos, sentimentos, lembranças, e por que não dizer, remorsos, auto-cobranças. Quando acontece assim de repente, como com as pessoas, você sempre se "arrepende" por, quem sabe, não ter feito mais por aquele ser. Desde que construímos o canil, praticamente perdemos o hábito de sair pelo sítio com os cães. O mato alto também nos desestimulava ante o perigos de animais silvestres e peçonhentos. Também as tarefas do dia a dia, acabam tornando os cuidados diários com os bichos uma coisa meio automática. Por isso é realmente muito triste a dor desta saudade.
Enfim acabamos escolhendo um local muito especial para ele. Próximo à estátua de um Buda que está neste lugar há cerca de 50 anos. Ferramentas na mão, lá fui eu, e depois em companhia da Débora e do João Pedro (que evidentemente nada percebia, pois colocamos o Toby embalado em dois sacos plásticos pretos), fazer nosso último ato de carinho com o Toby. Feita a cova demos nosso último adeus, na presença solene do Jimi (um dos filhos de Toby com a Inga). Depois ornamos com pedras em sua volta e a Dé colocou um pequeno arranjo de flores silvestres amarelinhas.
E é neste cantinho que Toby terá seu novo lar. Sob as bênçãos dos deuses e da natureza ao seu redor.

18 janeiro 2008

Pra Sempre, Toby...

Um dia você entrou aqui no sítio e logo eu tentei te tocar pra fora. Uma, duas, três vezes. Até que uma atitude sua me desarmou totalmente: você cruzando as patas sobre a cabeça como que dizendo, "me deixa ficar vai!". Fiquei muito comovido com aquela cena. Arrependido, acabei cedendo e assim nasceu nossa linda amizade. Você acabava de ganhar um novo lar. Quanta simpatia você esbanjava, Toby. Com seu jeitão vira-lata e andar desengonçado era nosso perfeito vagabundo. Mas de um um olhar de bondade irresistível. Generosidade e gratidão em abundância, muito além de nossa acolhida para com você. Você foi o primeirão de nossos guardiões a bradar seu latido por nossas matas, juntando-se ao Popó. Daí apareceu a Inga com quem vc se ajeitou, dando origem àquela linda ninhada (ponto pra você, Toby, grande conquistador), restando conosco Jimi, Nina, Sarah e Aretha. What a family !!! Foram 4 maravlhosos anos em sua companhia. Mas de repente...
Eu não posso acreditar, Toby. Hoje é um dia muito, muito triste. Choro muito por você que partiu sem aviso, nos pegando de "calça curta", causando essa dor maior de uma partida repentina. É quando nos arrependemos de não ter brincado mais com você, lhe dado mais carinho e tudo que você mereceria. Que pena, Toby. God bless you. Eu sempre te amarei. E obrigado por nos ter dado tantas alegrias...

17 janeiro 2008

A invasão das abelhas

Estamos testemunhando uma mega invasão de abelhas neste verão. Tal fato não só é constatado por nós aqui no Canto das Águas - outro dia fui abrir a tampa do reservatório de água e fui "agraciado" com umas 5 picadas que deixaram minha perna esquerda parecendo um pernil ou aquelas matronas italianas de perna batatuda - como por nosso mestre "abelhudo" Marcão. Que aliás recentemente conseguiu capturar um outro enxame, no nosso bambuzal, cujas abelhas aplicaram inapelavelmente cerca de 20 picadas no André.
Tenho acompanhado-o em algumas tarefas, no resgate de enxames que tomaram casas da região urbana e rural de Atibaia. Mais para fotografar e filmar as ações. São dezenas de chamados de gente que tem suas casas "invadidas" por enxames. Uma operação que envolve equipamentos, conhecimento e habilidade.
É impressionante a estrutura bio-organizacional que rege estes seres maravilhosos responsáveis pela fabricação de um produto tão fantástico que é o mel. Uma substância versátil e um delicioso alimento rico em muitos nutrientes.

05 janeiro 2008

Dois mil e 8


Este blog deseja a todos seus amigos e visitantes um ano de luz, boas energias, realizações de desejos, concretizações de sonhos, muita saúde e prosperidade em abundância.

26 dezembro 2007

Quando alguém é insubstituível

Borges de Barros, grande voz do humor (Folha de S. Paulo)

O mais engraçado dos velhinhos não se vestia de Papai Noel no Natal, nem mesmo para a família- "porque seria um Noel diferente; pelo humor e pela voz todo mundo saberia que era ele". A saraivada de piadas e pegadinhas, até com as crianças, fazia a diferença -ele apontava uma luz lá longe pela janela e deixava os filhos curiosos, debruçados no parapeito, enquanto trazia os presentes.O nome de batismo, Fileto Borges de Barros, em nada agradava o menino religioso nascido em Corumbá (MS) e formado em um colégio de padres -"uma espécie de coroinha", que chegou a dar aulas de catecismo às outras crianças.Após a morte do pai, a mãe veio com os cinco filhos para São Paulo. Barros foi estudar no liceu do Instituto de Ciências e Letras e trabalhar em uma fábrica de bonés. Ganhava uma miséria, mas era um garoto na cidade grande.Até que a moda do rádio pegou, sua voz se destacou entre as apresentações radiofônicas no liceu e ele acabou indicado para umas tais gravações -e um belo dia chegou em casa com o primeiro salário, uma verdadeira fortuna comparada ao que ganhava na fábrica. "Na nossa família ninguém ganha sem trabalhar, todo mundo é honesto", disse a mãe, assustada. Mas ela logo se acostumaria -se não com a fortuna, que nunca veio, ao menos com o sucesso na TV.Já no início dos anos 1940, Barros foi locutor de radionovelas. A voz que "era seu maior patrimônio" lhe garantiu também pontas de dublagem em novelas em filmes -"muitos atores não tinham voz para isso", dizia.Era dele o grito do "Tarzan" brasileiro, dos personagens Leôncio e Zeca Urubu no desenho "Pica-Pau", do Moe, de "Os Três Patetas", do Capitão Lord de "Titanic", do Pingüim da versão dos anos 60 de "Batman" -e de tantos outros heróis e vilões de cinema e TV. Foi até reconhecido por Jonathan Harris como o seu melhor dublador de Dr. Smith no seriado "Perdidos no Espaço". Mas ele era mais que uma bela voz. Seu humor seria logo reconhecido, quando atuou com Dercy Golçalves e Grande Othelo em "Se Meu Dólar Falasse". A partir daí, virou comediante de fato. Convidado por Manoel da Nóbrega, foi fazer na "Praça da Alegria" o mendigo milionário que se dizia amigo de políticos e celebridades e que o deixaria famoso por seu bordão "meu caro colega". O mesmo mendigo que levaria para "A Praça É Nossa", do filho de Manoel, Carlos Alberto da Nóbrega. Viveu na "Praça" décadas a fio. Sua última aparição foi exatamente no Natal do ano passado, quando foi um dos homenageados por Carlos Alberto da Nóbrega. Só ficava triste quando não tinha trabalho. "Vida de artista não é fácil", dizia. Mas, sempre que a situação apertava, lá ia ele com a sua voz fazer "bicos" em comerciais e novelas. Porque, como costumava frisar, "o artista era um escravo que trabalhava por amor à senzala".Mas nos últimos anos a visão piorou, e ele não mais enxergava as legendas dos filmes para dublagem. E estava doente. Sentado no aparelho de hemodiálise, em longas conversas com o filho, ele percebeu que tinha, há muito tempo, perdido a conta das mil vozes que deixara gravadas em seus mais de 60 anos de carreira. Morreu no dia 12 aos 84 anos, em São Paulo, de parada cardíaca, durante uma sessão de hemodiálise. Tinha dois filhos e três netos.
















15 dezembro 2007

tristeza

Após dois dias sob nossos cuidados, infelizmente o pequeno gaviãozinho não resisitiu.

14 dezembro 2007

novo hóspede


O André localizou este filhote caído provavelmente do ninho na chaminé da lareira na casa sede. Depois de pesquisarmos, concluímos que trata-se de um filhote de gavião-carijó (conforme ilustração da foto já adulto, com seu olhar assustador). Estamos alimentando-o e torcendo para que ele sobreviva fora das asas maternas.

13 dezembro 2007

bela visita


foto ilustrativa
"Antesdonti" apareceu um desses voando bem aqui ao lado da casa. Na hora tomei um susto. Pensei que era um pássaro com algo preso no bico. Mas numa fração de segundos percebi que se tratava mesmo era de um tucano. Nunca tínhamos visto um. Este era da espécie araçari, também conhecido como tucano-do-bico-verde. Chamei a Dé e o André para verem quando ele pousou numa árvore próxima da casa. Pura emoção.

25 novembro 2007

reminiscências - road movies

foto ilustrativa: Cuzco / Peru

Nesses 50 anos de andanças muita coisa vai ficando pra trás. Hoje em dia tornou-se inexoravelmente normal eu falar "há 20 anos, há 25 anos...". Mas essa aqui tem mais de 30: minha viagem pela América do Sul. Bolivia, Peru e depois Asunción del Paraguay. Quase como no "The Last Movie" de Dennis Hopper, uma verdadeira aventura aos 18 anos em terras forasteiras, em companhia de meu primo-brother Raulito. Cores, cheiros e gente totalmente diferente sob o idioma castelhano.
Cena 1: tudo começa no Mato Grosso tomando o trem transpantaneiro rumo a Corumbá. A belíssima fauna e a paisagem brazuca rumo ao desconhecido. Éramos autênticos mochileiros, portanto os dólares em cintos especiais com zíper internos escondendo o dinheiro - um estratagema anti-assaltos.
Cena 2: (rumo a Santa Cruz de La Sierra) 24hs no lendário trem da "morte". E numa parada, um mergulho num rio habitado por piranhas. Susto! Todo mundo correndo e verificando se nenhuma parte do corpo havia sido devorada...Eu pensava: "Já tenho histórias pra contar a meus netos".
Situações insólitas mas muito pitorescas se seguiam a cada "take". A Bolívia em Estado de Sítio e a gente nem aí. Malandros, índios e pobreza. Muita pobreza. A ponto de nos considerarmos yankees mesmo sendo brasileiros. O lago Titicaca, a Cordilheira e ruínas Incas. Muito frio combatido com goles de pisco. Tudo muito diferente do atual cenário na Era Evo Morales. Mal podia eu supor que muito mais seria vivido em minha odisséia européia. Mas isso fica pra outro cápítulo.

Imprensa, blogs e a guerra da informação

O proliferação dos blogs permitiu um acesso à informação jamais visto antes deste fenômeno surgir. Hoje qualquer pessoa - até este reles blogueiro que aqui martela o teclado - pode emitir suas opiniões e fazê-las chegar a um universo incalculável de leitores.
Porém, o que acredito ser o diferencial deste veículo, é a informação até então restrita nos bastidores do meios de comunicação em relação ao foco que fatos e notícias possam despertar na sociedade. O que quero dizer é que, muito embora existam blogs dos mais diversos assuntos (de comportamento a culinária, de esportes a cultura, de blogs pessoais a esoterismo, turismo, ciência, etc...) nada é mais importante do que os que tratam de política. Isto por que nenhum outro assunto possui um poder tão manipulador quanto os interesses que os meios de comunicação exercem sobre os leitores.
E nessa guerra de informação, os blogs tornaram-se trincheiras vitais a desmascarar fatos que seriam impossíveis de serem publicados ou veiculados na grande imprensa. Mesmo que um jornalista seja ideologicamente contra a linha editorial da empresa que o emprega (e neste ponto não sei se eu fosse jornalista como poderia viver em paz com minha consciência), ele é obrigado a se enquadrar senão é demitido.
Para quem acessa diariamente vários blogs, é fácil identificar uma guerra de informação e ideologia. De um lado estão jornalistas como Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Pedro Dória. Do outro, Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Ricardo Noblat. Não sei se Arnaldo Jabor e Diogo Mainardi possuem blogs - que com certeza fariam parte deste segundo grupo - muito embora não precisem, já que cumprem à risca o papel a eles delegados pelas empresas para quem trabalham e recebem seus salários (Globo e Veja, respectivamente).
Mas há um jornalista que me chama a atenção pela coragem, embasamento e clareza com que escancara a manipulação dos pesos-pesados da informação (!?). Em seu site , Luiz Carlos Azenha desmascara muito dos bastidores da guerra da informação a que somos submetidos diariamente.
Não há como não ficar indignado ao supor que o que lemos/vemos é apenas notícia factual.
Os blogs vieram para ficar. Há quem diga inclusive que eles serão o futuro modelo do jornalismo eletrônico. Eclético e democrático. Levando a informação sem atalhos ou servindo a interesses corporativos das empresas de comunicação.

20 novembro 2007

princípos essencias

Como o brilhante jornalista Cláudio Abramo certa vez sintetizou, "O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter". Não nego que calhordas como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo sejam inteligentes. Já o caráter de ambos...

13 novembro 2007

Batismo II

André e o mar, o mar e André: prazer em conhecer.

Batismo

foto by Marcão
Local: Guarujá / SP
Data: 11/11/07
assunto: encontro histórico do André com o mar
facilitador: Marcão Lepper
supervisão: Iemanjá

Até quando?

Até quando será possível contemplarmos o vôo deslizante dos gaviões sob o límpedo céu azul-anil destas montanhas? Ou a sinfonia de pássaros em cada amanhecer? Os mergulhos precisos dos martim-pescadores ? A algazarra dos anus? O canto das juritis? O alegre cacarejo das galinhas d´agua? O balé dos vários tipos de beija-flores? Os sabiás roubando nossas amoras - mas compensando-nos com seu canto bucólico? As peripécias dos esquilos? As gargalhadas dos macacos saás? As aparições incautas dos cervinhos? Ou depararmo-nos com os passeios dos ouriços por entre a relva? Ou a surpreendente visita de uma preguiça? As investidas ousadas dos saruês? A rápida visão de um bando de guaxinins pela mata? O movimento sorrateiro das salamandras por entre as pedras? O susto ante a presença ameaçadora de temíveis jararácas e cascavéis - coisas muito menos amedrontande e nocivas quanto os males da grande cidade?
Ah... até quando meu Deus?
Até quando viveremos livres sem vizinho a nos cercar? Sem camisa e pé no chão? Vendo nossos cães e gatos felizes como uma linda família? E o Frederico, o papagaio, tagarela em seus dias inspirados? Nos cansarmos mas felizes e realizados com tarefas rurais ? Chegando carregados com pesados cachos de bananas 100% isentas de químicos? Ou jaboticabas em abundância? As amoreiras apinhadas de frutos? E consumindo o mais puro mel mas matas? Beber a mais pura água que brota da terra?
Vivendo no silêncio somente invadido pelo ruído das águas? Admirando a beleza das chuvas tão bem vindas? Tomando surra de água na cachoeira? Vendo o céu coalhado de estrelas? E luares iluminando o breu da mata? Ou o majestoso sol minguando, morrendo em diferentes tonalidades nas tardes de outono? A festa das flores quando rompe a primavera, entre magnólias, primaveras e ipês-amarelos? As noites quentes de verões mais que bem vindos? Até quando sentiremos a brisa serena deste clima serrano? Ou as frias manhãs de invernos indesejáveis, mas ainda assim, parte inexorável de nosso ciclo sazonal? Ouvir o vento na dança envolvente das ramagens das árvores...Até quando?
Até quando sentiremos os vários aromas ao caminhar pelo mato silvestre desta paisagem? A visão imponente da vegetação à nossa volta ? Até quando? Até quando? Até quando?

Receio não querer saber esta resposta. Que Deus abençoe nosso desejo de aqui permanecer. Se assim for para o nosso bem. Amém!

Era uma vez...

...um homem que batera à porta de uma casa. Era a casa de um médico, desses que exercia a profissão quase como um sacerdócio. Ao abrir a porta, o médico pergunta ao homem: "Pois não, em que posso lhe ajudar?". O homem, muito abatido e com a expressão sofrida, olha para o médico e responde:"Eu preciso muito, muito mesmo de sua ajuda..."
Percebendo o grau de perturbação em que se encontrava o sujeito, o médico então convida-o para que entrasse em sua casa. Já sentados, o médico, de maneira solidária volta a perguntar: "E então meu amigo, como posso lhe ajudar?".
O homem demonstrando um terrível estado de dor, desaba:" Eu preciso...muito de uma palavra sua. Sou uma pessoa no limite de minha existência. Sem norte, sem caminho... não vejo mais sentido no viver."
Procurando entender a angústia por que passava o pobre homem, o médico passa a falar-lhe serenamente: " É... vejo que você não está nada bem. Mas olhe... eu...eu poderia lhe dizer várias coisas. Poderia aconselhá-lo de várias maneiras. Mas creio que possa haver uma outra forma de que isto seja feito. Nesta cidade há um circo se apresentando. E neste circo, há uma trupe de palhaços com números geniais. Um desses palhaços se destaca, fazendo uma performance extraordinária. Muito especial. Sublime. Tenho certeza que ao assistir sua apresentação, você verá algo que vai tocar profundamente sua alma e seu coração. Acredite em mim. Vá até este circo e assista a este palhaço. Tenho certeza que você sairá deste espetáculo um outro homem. E um novo sentido se fará presente em sua vida."
O homem que ouvia em silêncio e cabisbaixo à fala do médico, ergue a cabeça, olha-o e murmura resignando:"Mas senhor...eis aí o grande problema". "O quê ?", pergunta o médico.
Já com lágrimas nos olhos, o homem revela:" É que eu... eu sou aquele palhaço."

blue...


Hoje foi mais um dia daqueles. Chuva lá fora, tristeza aqui dentro. Revendo no computador inúmeras fotos de várias épocas, impossível não sentir aquele gosto amargo que a recente realidade está tratando de sentenciar. Uma nova e totalmente indesejável realidade.

Até quando ficaremos vivendo por aqui?

Simplesmente não consigo me imaginar noutro lugar e isto pode ser uma questão de semanas, quem sabe meses. Mas a perspectiva deste fim de trilha é assustadora. Uma ameaça de derrota a mais um sonho. Sonho este que corre o risco de ser carregado pelas curvas do rio que por aqui passa.

Uma trilha sonora silenciosa tratava de entoar sua melodia multitonal nos labirintos da minha cabeça. Poderia ser um blues na voz de Billie Holiday ou um solo de trumpete melancólico executado por Chet baker. A palavra "blue" em inglês é tão intraduzível quanto "saudade" em português. E ambas remetem a alma a um sentimento de extrema angústia . Ambas motivando um estado de aperto no peito como um nó que não desata.
Um abismo se precipita com consequências inimagináveis. Teremos que reunir forças para administrar algo que jamais julgávamos possível de que nos ocorresse. Mas será mesmo? O que será que será ? Será que neste interlúdio não haverá mesmo uma solução que contemple nosso mais profundo desejo - que é o de aqui permanecer?
Mesmo com os problemas inerentes que nos cercam por vivermos no meio do mato, ainda sim preferimos estes a termos que mudar tudo de novo. E ter de recomeçar do zero nossas trajetórias de vida.

João Pedro mal pode imaginar o quanto tenho que representar e sorrir para ele, que alheio ao que acontece à sua volta, apenas exercita sua ingenuidade de criança na aurora de sua vida.

enigma do peregrino


PROVERBIOS Y CANTARES - XXIX

Caminhante, são teus rastos

o caminho, e nada mais;

caminhante, não há caminho,

faz-se caminho ao andar.

Ao andar faz-se o caminho,

e ao olhar-se para trás

vê-se a senda que jamais

se há-de voltar a pisar.

Caminhante, não há caminho,

somente sulcos no mar.

Caminante, son tus huellas

el camino y nada más;

Caminante, no hay camino,

se hace camino al andar.

Al andar se hace el camino,

y al volver la vista atrás

se ve la senda que nunca

se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino

sino estelas en la mar.


Antonio Machado
(1875 - 1939)

India

fonte: uol (http://viagem.uol.com.br)

Terra santa: cinco religiões fazem da Índia um lugar místico e conflituoso

Quatro cadáveres queimam lentamente às margens do rio Ganges em Varanasi, a mais sagrada das cidades hindus. Abastecidas com madeira de sândalo, as fogueiras exalam um cheiro esquisito. Algo como incenso misturado a carne abrasada. Vestidos de branco, a cor do luto, familiares reúnem-se em volta de seus mortos. Não há lágrimas, muito menos desespero. Apenas uma relaxada expressão de desapego.Crianças, atrás de uma pipa, cruzam subitamente o crematório. Quase colidem com dois homens que, através da fumaça, descem em direção às fogueiras com mais um corpo sobre os ombros. Ambos são dalits, pessoas pertencentes à mais baixa casta da sociedade hindu, a quem se reserva os trabalhos insalubres (carregar defuntos é o mais leve deles) do dia-a-dia. "Enquanto os cremados vão para o céu, esses homens não precisam morrer para chegar ao inferno. Já vivem nele", diz, com certo sarcasmo, Prem Chaudhary, um indiano que se diz sacerdote brahmin, a mais alta casta hinduísta. A crença inabalável na eternidade da alma, na transitoriedade da vida, no fogo purificador que substitui lágrimas -e de que a condição terrena de cada um é fruto das ações cometidas em existências passadas- faz de uma cremação hindu uma grande maneira de se começar a entender a fé na Índia. Terra, paraíso e trevas parecem dividir uma só paisagem neste país que abriga pelo menos cinco fortes religiões, cada qual a exercer grande influência em seus devotos. Hinduísmo, islamismo, budismo, siquismo, cristianismo. Das turbas de miseráveis à abastada classe alta, a maioria dos indianos faz de uma dessas crenças o seu modo de vida e seu conforto pós-morte.Babel religiosaNa Índia, respira-se o incenso dos templos hindus, ouvem-se os versos do Alcorão, admira-se a beleza dourada dos templos siques, viaja-se ao som plácido dos mantras budistas. Tudo entremeado pela agressividade do caos terreno -feito de multidões, fumaça, barulho e estrume de vaca- e pela feiúra da pobreza afrontada em cada esquina.Os hindus (eles representam 82% da população indiana) acreditam em um complexo panteão de deidades que inclui ratos, falos e yogis de pele violeta. Os muçulmanos seguem sua rígida fé monoteísta em Allah. Monges budistas mantêm as cabeças raspadas como símbolo da austeridade de sua religião. Pelo mesmo motivo, siques cultivam longas barbas e melenas. A convivência entre tantas crenças é perigosamente próxima e já gerou conflitos sangrentos no subcontinente. Fanáticos hindus destruíram, em 1992, uma mesquita na cidade de Ayodhya por acreditar que ali era o local do nascimento de Rama, uma encarnação do deus Vishnu. Em 1984, os guarda-costas siques da então primeira-ministra Indira Gandhi, de família hindu, a assassinaram. O motivo: alguns dias antes, na caça a um grupo separatista, ela mandara bombardear o Harmandir Sahib, o mais sacro dos templos do siquismo. Nada, porém, superou a guerra civil causada, em 1947, pela criação do Paquistão a partir de um vasto território indiano: a partição colocou hindus, siques e muçulmanos uns contra os outros e causou a morte de aproximadamente 500 mil pessoas.O conflito ainda suscita mágoas: "Os muçulmanos são os responsáveis pela divisão do nosso país. Não os perdôo por isso. A Índia não é deles", diz o estudante hindu Praveen Patel. O islã dominou o norte da Índia entre os séculos 12 e 18 (hoje, 12% da população local segue as leis do Alcorão) e ali enraizou sua fé em um esplendoroso conjunto arquitetônico -o Taj Mahal, uma das Sete Maravilhas do Mundo, é exemplo disso. Na capital, Déli, Patel e seus companheiros hindus encontram-se cercados por suntuosas mesquitas e mausoléus de antigos imperadores maometanos. A ouvidos leigos, o hindi (língua oficial entre hinduístas) se confunde com o urdu (idioma da maioria dos indianos muçulmanos). Muitos dizem que da fusão dessas duas crenças nasceu o siquismo, fundado no século 15 e que hoje abarca 1,9% da população indiana. Devoto da religião, o jovem Gurprit Singh discorda. "Quando foi criado, o siquismo rejeitava o sistema de castas hindu e adotava apenas um Deus para se venerar. Mas nossa fé tem um sistema próprio. Não vem nem do hinduísmo nem do islã."

Barba, turbante, bracelete de aço e sabre preso ao corpo são elementos do siquismo A fé dos siques está baseada nos ensinamentos do guru Nanak Dev (fundador da religião) -e de outros nove gurus que o sucederam- e dá a seus seguidores homens uma aparência toda peculiar: imponentes turbantes na cabeça, longas barbas, um bracelete de aço (que simboliza destemor) e um sabre preso ao corpo. Eles também adotam um sobrenome em comum: Singh, que significa "leão". Na Gurdwara Bangla Sahib, o maior templo sique de Déli, homens e mulheres ajoelham-se ao redor do enorme trono de ouro que guarda o livro sagrado do siquismo, o Guru Granth Sahib. Três barbudos vestidos de branco tocam e cantam músicas orientais. Ao contrário do hinduísmo, ninguém pede dinheiro aos visitantes. A exemplo do islamismo, não há veneração a imagens. Apenas as fotos dos dez gurus estampadas nas paredes da gurdwara. Comida é distribuída aos fiéis. No lado de fora, à sombra de três cúpulas de ouro, que se refletem em um enorme tanque-d'água, crianças brincam, adultos oram. Um clima de paz que se completa pela música a Deus que emana de grandes alto-falantes. Geografia da féOs siques representam uma classe próspera no país. O Estado que concentra o maior número de devotos da religião, o Punjab, é um dos mais ricos da Índia. O atual primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, é sique. Já o Estado dono de uma esmagadora maioria muçulmana encontra-se há 60 anos sob troca de tiros. Trata-se da Caxemira que, por sua população islâmica, é reclamada pelo Paquistão desde a partição de 1947. A contenda já gerou conflitos armados entre os dois países. Dentro da mesquista Hazratbal, na cidade de Srinagar, fiéis realizam sua salah (as cinco orações que os muçulmanos devem fazer diariamente) ao lado de soldados indianos com fuzis nas mãos. Srinagar é uma urbe exótica e perigosa. Banhada por lagos de onde brotam flores de lótus na primavera, as montanhas do Himalaia ao fundo, a cidade convive com barricadas militares e soldados mal-encarados. E os caxemiris, no meio dessa disputa territorial, dizem que gostariam mesmo é de ter seu próprio país. A Índia acusa o governo paquistanês de incitar este sentimento separatista e armar os terroristas que, vez ou outra, fazem explodir bombas por aqui. Afinal, uma Caxemira independente seria mais dócil ao islâmico Paquistão que aos indianos. Srinagar, porém, ostenta sua ilha hindu: um templo localizado no alto da colina Shankaracharya, permanentemente cercado por um grande contingente de soldados. Antes de subir, o visitante é revistado. "É necessário. Alguns terroristas muçulmanos adorariam arrebentar isso aqui", diz Mohamed Rafiq, morador da cidade. Lá em cima, em uma apertada construção, um jovem hindu, de aparência ébria, guarda a principal imagem do templo: o lingam, uma escultura de pedra de formato fálico que representa Shiva. Rafiq, que é muçulmano, olha a deidade e dispara: "Esses hindus são loucos mesmo". Cristo e BudaNo retrovisor do carro de Lazar Pati, que cruza à alta velocidade o deserto do Rajastão, uma imagem de Jesus Cristo. Nesta terra de vacas sagradas, mulheres de sari e homens de turbante, estranho é ver alguém que faça o sinal da cruz para se benzer. Mas Lazar é cristão mesmo. E faz parte de uma fé expressiva na Índia, que abrange 2,3% da população. "Não gosto dessa coisa de adorar ratos ou deuses estranhos", diz ele, com cara de nojo. "Prefiro ficar com os ensinamentos da Bíblia."No Estado de Goa, sudoeste do país, é que se vê a força da presença cristã no subcontinente. Antiga colônia portuguesa, Goa é cravado de igrejas cuja arquitetura lembra muito a encontrada em cidades históricas do Brasil. Em uma delas, a Basílica do Bom Jesus, repousa o corpo de São Francisco Xavier, que chegou à Índia no século 16 para catequizar o povo local.E, se Cristo não chegou a estar pessoalmente em sua terra, a mística Índia deu origem a outro grande messias da história: Siddhartha Gautama, o Buda. Nascido no que é hoje território do Nepal, ele atingiu sua iluminação na cidade indiana de Bodhgaya e pregou as primeiras diretrizes do budismo na região de Varanasi. No local, chamado Sarnath, monges se encontram periodicamente para realizar orações e louvar seu grande líder. Esse vínculo umbilical com o budismo fez a Índia tornar-se o exílio de milhares de tibetanos -inclusive o Dalai Lama- que deixaram seu país após a invasão chinesa, em 1950. Siddharta Gautama é venerado, pelos hindus, como uma encarnação do deus Vishnu. Mas, em vida, ele era outro que criticava o sistema de castas e a enorme legião de deidades hinduístas. "Deus é o mesmo"Sentado na beira do rio Ganges, o asceta Ravipudi observa as cremações. Cabelos dreadlocks, grande barba e a testa pintada, ele não tem propriedades, não possui trabalho, não faz sexo. Vive de esmolas e passa a vida a meditar, a rezar e a estudar textos religiosos (principalmente os hinduístas). Seu objetivo é desprender-se dos prazeres mundanos, transcender à condição humana e, com isso, atingir moksha (libertação do ciclo de reencarnações que prende os homens aos sofrimentos da Terra). Para um homem que entrega sua vida de modo tão radical a Deus, Ravipudi tem uma opinião que, de tão tolerante, surpreende. "O Deus que cada religião cultua é o mesmo. Não importa se é Shiva ou Alá. As pessoas só oram de maneira diferente. O que importa são os benefícios que essas crenças traz a cada um." E, de fato, todas essas religiões que convivem lado a lado na Índia, que de vez em quando se engalfinham em sangrentas brigas, ostentam afinidades impressionantes. Estudiosos gostam de ressaltar a semelhança entre os nomes Cristo e Krishna (principal personagem do Bhagavad Gita) e fatos em comum na vida dos dois personagens. Ambos são protagonistas de livros sagrados de suas religiões, tinham sangue nobre e fizeram milagres em vida. Os siques, apesar de discordar do sistema de castas, acreditam, como os hindus, em carma e reencarnação. Por sua vez, os muçulmanos vêem Jesus Cristo como um dos grandes profetas de Alá. E os monges budistas, a exemplo dos ascetas hindus, renunciam aos prazeres terrenos com o objetivo de atingir a libertação do ciclo de reencarnações.Ravipudi, por sua vez, quando morrer, não precisará ser cremado. A vida de privações já realiza o trabalho de purificação da alma que seria atribuído ao fogo. Seu corpo será jogado intacto no rio Ganges. Uma prática estranha. Mas que, na mística terra indiana, é apenas uma das muitas maneiras se ir ao encontro de Deus.


Nota do blogueiro: Estranhamente sinto uma enorme atração por este país. E lá desejaria pisar seu solo. Nem que fosse apenas para morrer.

Estréia (ainda que (muito) tardia)

Parece incrível, mas foram necessários longos 16 anos para que o André molhasse seus pés pela primeira vez em águas salgadas. Uma absurda espera considerando a extensão da costa que banha o Brasil - e a proximidade do litoral paulista. Mas tudo bem. Esse dia chegou e graças à boa alma do Marcão que o levou ao mergulho inaugural no Guarujá. Que não demore tanto entre o batismo e uma nova aventura nos mares.

03 novembro 2007

2 anos (atrasado) !!

Mês passado este blog completou dois anos de atividade. Provavelmente a data passou batido por qualquer motivo. Mesmo por que não há, hoje em dia, muita inspiração para postagens. Mesmo assim tenho muito carinho por TODOS os textos e imagens que compõem este arquivo. São, como diz a própria definição do blog, nossa "janela" para o mundo fora da mata onde moramos. Nosso testemunho do que aqui se passa e nossa leitura de fatos do mundo (em todas suas dimensões) que nos cerca. Dos asssuntos mais sublimes aos mais ácidos, tudo reflete nosso momento registrado nas datas publicadas. Sendo que neste espaço de tempo, a figura do João Pedro constitui-se num divisor de águas. Tanto quanto o ribeirão que corta nossa propriedade. E se não fosse ele, sei lá...nem sei o que seria deste que aqui martela este teclado.

Dia dos Mortos

Ontem foi o Dia de Finados. Tenho uma enorme dificuldade em evocar meus antepassados. Talvez por desejar lembrá-los em sua plenitude, talvez como uma auto-defesa involuntária ou inconsciente em não me envolver na nostalgia ou sentimento da perda de suas existências. A verdade é que sempre que me vêem à memória, a imagem recorrente é deles sorrindo, o que acabo considerando minha singela homenagem. Será isto basta? Não cultuo ir a cemitérios nem nesta data "comemorativa", nem em outros dias do ano. Mas acho isso um erro. Visitar, conversar - ainda que com o especto abstrato diante de um túmulo ou lápide- bem que poderia ser um exercício de reverência em respeito aos que tanto amei e já se foram. Talvez os índios, em sua sabedoria primitiva são os que melhor conceituam este ato de amor e respeito através do Kuarup. Sinto muitas saudades de algumas pessoas muito especiais que fizeram parte de meu universo até aqui. Mas, repito, há uma enorme dificuldade em revivê-los de maneira frequente e convincente. Eis aqui alguns nomes como tentativa de chamamento a este respeito: vovô Affonso, vovó Amélia, vovô Chiquito, vovó Olga, Quico (meu pai) , Durval (meu segundo pai) , "tia" Alzira, tio Raul, tia Yara, tia Dadá, tio Affonso, tio Odair, tio Dalmar...

26 outubro 2007

o fim?

extinção

{verbete}
Datação1539 CDP IV 80
Acepções
■ substantivo feminino
1 ato ou efeito de extinguir(-se)
2 Rubrica: ecologia. desaparecimento definitivo de uma espécie de ser vivo
3 Rubrica: óptica. m.q. absorvância
Etimologia
lat. exstinctìo,ónis 'falecimento, morte, extinção', do rad. de exstinctum, supn. de exstinguo,is,xi,ctum,guère 'apagar, extinguir, aplacar, abrandar, destruir, abolir, aniquilar; dessecar, esgotar'; ver -stinção e -sting-; f.hist. 1539 ystinçam, 1540 extinçam, 1553 extinção, 1789 extincção.

Palavra tenebrosa que nos remete a um dilema dos tempos atuais. O homem, com sua ganância ou nocividade brinca com o eterno. São espécies animais, vegetais ou minerais agonizando sem piedade de quem delas abusa. Matando e explorando.
Hoje a Débora salvou um passarinho indefeso da boca de uma de nossas gatas. Se não o fizesse, seria seu divertimento alimentar. Divertimento por que come ração todo dia sem precisar da caça. Mas nesse caso a caça é pelo menos instintiva e não predadora.
Fico estarrecido com notícias de todas as partes do mundo e do Brasil. O quê fazer?
Existem as ongs presevarcionistas mas muitas delas, apenas entidades caça-níqueis sob uma fachada politicamente correta. É realmente...um enorme e crucial dilema.

á(b)gua

João Pedro. Fora as primeiras palavras familiares como papá, mãma e gogó (vovó), passou a falar talvez a mais importante das palavras diante de sua inserção no cosmos de sua existência: água. Ainda não é um água redondo, claro e bem pronunciado. Rola quase um "b" pra sair o "g" de água, com ele fechando a boquinha. Mas sonoramente é água, sim senhor. O instinto da necessidade ante a mais vital fonte energética da qual somos dependentes. A natureza saúda seu brado de identidade neste "canto das águas" que é seu santuário.

25 outubro 2007

Quanto mais se conhece o ser humano...

...mais admiro os animais. Em recente matéria veiculada na tv, tomei conhecimento do incrível trabalho desenvolvido pelo Projeto Gap - um movimento internacional de reintegração de primatas dentro de condições saudáveis de vivência. São animais que já viveram em zoológicos, circos ou mesmo em viveiros particulares e que por inúmeras razões sofreram abusos, maus tratos ou simplesmente apresentaram distúrbios ante a dificuldade de co-existência (!) com humanos.

08 outubro 2007

Sobre o Dia da Criança

Meus Oito Anos
(Casimiro de Abreu)
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Olha o Zé aí gente !!!


Entre as várias espécies que habitam as matas aqui da serra, nenhuma se tornou tão próxima de nosso convívio quanto o Zé. Trata-se de um saruê, o popular gambá. Um bichinho muito simpático, mas também muito atrevido. Todas as noites ele desce de uma árvore que fica logo atrás de nossa casa e bate o maior rango, filando a ração dos gatos. No início ficávamos contrariados, afinal ele manda bem cada vez que baixa de seu habitat e se farta com a comida abundante - afinal são sete cuias, correspondentes a cada um de nossos bichanos. Mas com o tempo nos acostumamos e acabamos até batizando-o com este apelido. Um dia apareceu outro intruso junto com o Zé. Não sabemos ao certo se era um parente ou apenas um companheiro de rango. Teve até briga entre os dois, como que disputando a comida. São criaturas deste maravilhoso universo que as queimadas cruelmente ameaçam a cada nova ocorrência. Pelo menos o Zé pode ficar tranquilo. Na árvore aqui de casa ele estará sempre protegido. E bem alimentado.

06 outubro 2007

Queimada

Hoje tivemos mais um triste fato quebrando nossa rotina, ainda que seja sábado. Uma queimada provocada por irresponsáveis atingiu uma gleba que possuímos do outro lado da estrada. Trata-se de uma área de mata - nativa e mista - que vai demorar sabe-se lá quanto tempo até ser recomposta. Em agosto tivemos outra dramática situação (conforme postagem) envolvendo este tipo de crime. O mais curioso é que existe um mito na região, onde sempre se fala que isso é "coisa de moleque". Conversa. Isso é coisa muito de marmanjo barbado e mal intencionado. Daí você liga pro bombeiro e ouve do outro lado: "tá perto da casa?". É só isso que interessa a eles. Também pudera, com o número assombroso com que as queimadas se propagam nesta fase do ano - de clima muito seco e sem chuvas - os caras mal dão conta das ocorrências. Fico pensando na agressão que sofre o meio ambiente, os animais... até mesmo as cobras tão temíveis, coitadas, nada têm culpa da ação do homem - bicho ruim - com sua ação nociva. Tem queimada na Europa ? Tem. Tem nos EUA? Tem. Tem na Austrália? Tem. Isso serve de consolo? NÃO!

01 outubro 2007

Não resisti "piratear" o post do sempre ácido, ainda que irônico, Mino Carta, em seu obstinado exercício de traduzir este Brasil, sil, sil, sil (como ele diria). Nem li o artigo que ele menciona (escrito pelo mofado João Mellão no Estadão), pois há muito tempo "cansei" de me deparar com sua retórica retrô. Aliás, Mellão quem?

Mala tempora currunt
Por Mino Carta

Leio, fascinado, um artigo de João Mellão na página 2 de O Estado de S.Paulo de hoje. Orgulha-se de pertencer a uma elite, esclarece que elite significa a nata em cada setor da sociedade, nega, não sem veemência, a dicotomia bom povo-elite má, forjada pela obsessão esquerdista. E assim por diante. Quero deixar claro que este post não é resposta, apenas uma oportunidade para meditar. Pensamentos esparsos, sem maiores propósitos de revelar a verdade. Por exemplo. Aceito o pensamento de João Mellão, e reconheço a presença de uma elite do futebol. Na qual milita o ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib.Não seria elite que manda no seu rincão, graúdo ou miúdo? E este Brasil, grande, notavelmente dotado pela natureza, vocacionado para ser bem sucedido, não deve à sua elite o fato de estar tão mal das pernas? Ou por que entregaram o ouro ao bandido, ou por que eles próprios, os componentes da elite, cuidaram da bandidagem.Os povos são todos iguais, o que mudam são as circunstâncias. As nossas foram criadas por quem? Pelos predadores iniciais e, ao surgir a oportunidade, pelos predadores nativos.E o povo, que tem a ver com isso? Os indígenas foram sistematicamente enganados e dizimados. Não eram tão bons de trabalho, e então vieram os africanos, imigrados, digamos assim, debaixo do sibilar do chicote, e os sinais da escravidão ainda estão presentes. Hoje a maioria é mestiça, e este é o povo brasileiro. Que esperar dele? Que faça por conta própria a revolução?A elite nativa sempre apostou na cordura e na resignação do povo. Sergio Buarque de Hollanda chamava-a, ironicamente, de cordialidade. João Mellão, aplicado representante da elite paulistana em outros tempos definida como quatrocentona, rejeita a dicotomia elite-povo. Difícil escapar a ela, impossível mesmo, sobretudo em um país como o Brasil, tão desigual, um dos mais desiguais do mundo, seus rivais são Nigéria, Serra Leoa, e outros do mesmo porte.Quando da Revolução Francesa, inequivocamente burguesa, incumbiram-se os burgueses de empurrar o povo à Tomada da Bastilha. Os insufladores e organizadores da revolta, pela qual hoje ninguém se queixa, estavam fartos (cansados?) de sofrer as conseqüências da prepotência aristocrática e eclesiástica. Na França dos fins de 1700 os iluministas eram farol nas trevas, mas o país vivia no caos. Falta de autoridade de um lado, miséria e criminalidade do outro. Os nossos burguesotes provincianos estão cansados da miséria e d criminalidade, na qualidade de manifestações populares, e apavorados pela possibilidade de que o povo comece a dar o ar de sua graça. Os burgueses daquela França eram, no mínimo, mais espertos.Alguma mudança está no ar, e é isso que agita a chamada elite à qual Mellão orgulha-se de pertencer. Lula é o primeiro sintoma da mudança. Não estou a analisar o governo atual, de muitos pontos de vista me decepciona, mas o que me parece enxergar transcende a decepção. As vitórias de Lula em 2002 e 2006 me dizem que algo mudou. O povo não se incomoda se o seu candidato está de gravata e terno escuro, formou-se em alguma faculdade e sabe mais de um idioma, e a mídia perde seu tempo na tentativa de propor o tipo perfeito. A mídia, instrumento afiado a serviço da elite, não chega mais.Mala tempora currunt, diria meu pai, Giannino. Para a elite. A qual, além do mais, não sei que características haveria de ter em um país onde apenas 5 por cento da população ganha de 800 reais mensais para cima. Enquanto 0,01 por cento são nababos, andam de helicóptero e Ferrari, moram em castelos, exibem-se o tempo inteiro nas colunas sociais e escondem-se em suas vivendas cercadas por muralhas mais compactas do que as da Roma imperial.O povo não costuma ser bom por natureza. Pelo contrário, a miséria e a indigência são caldo de cultura da ignorância, da violência, da criminalidade. Tais as condições do povo, tão humilhado e espezinhado a ponto de se contentar com o auxilio familiar de escassos reais distribuído pelo governo Lula. Já se definiu a plebe como rude e ignara. De verdade, a definição cabe à perfeição para qualificar a elite brasileira. Quem se orgulha de fazer parte dela, deveria dar-se ao respeito.

19 setembro 2007

Querida mãe...

Alda Perdigão em seus dias de glória como cantora.

Pois é, mãe. Entre a primeira foto e esta aqui acima, um turbilhão de acontecimentos a pautar sua vida. Confesso ser muito intrigante para mim dedicar palavras por ocasião de seu aniversário. Muitas são as lembranças. Maiores ainda minha gratidão e afeto em sua direção. Não é fácil compreender a grandeza de seu ser. As nuances de sua personalidade. Sua sensibilidade e sentimento, encobertos por uma bruma que só a alguns foi possível revelarem-se em sua essência e plenitude. Te amo pacas, mãe. Que Deus lhe dê sempre a saúde tão importante para seguir seu passo em frente. Parabéns !!!

15 setembro 2007

o dinheiro não traz felicidade...


Mas dizem alguns que ele compra. No caso da foto acima , ela ( a felicidade) me segue bem de pertinho logo atrás. Mesmo por que esta moto não é minha, hahahahahahah.

João Pedro e Pablo: os dois filhos de Afonso

Pena que a única maneira de vê-los assim juntos é através de fotomomtagem.

13 setembro 2007

VERGONHA!

"Deitado eternamente em berço esplêndido" - até quando ? Acorda, Brasil !

07 setembro 2007

Bom feriado!

Paulistanos na véspera do feriadão de 7 de setembro.

29 agosto 2007

Refazendo

Em 4/07/07 publiquei uma postagem com o título de Reflexões. Ali, fazia digressões sobre minha visão de aspectos do caminhar do mundo neste milênio. Agora quero corrigir um erro. Acho que quando critiquei a qualidade da música produzida, não levei em consideração uma questão muito importante. Uma coisa é a música que toca nas rádios e na mídia "main stream" em geral. Outra coisa é o fabuloso manancial que rola nos quatro cantos do mundo mas que não ultrapassa a barreira dos "jabás" (a propina paga pelas gravadoras para que as rádios toquem este ou aquele artista), restrita ao universo independente - os chamados indies. Aliás, graças à internet a produção mundial audio-visual tende só a aumentar o espaço deste universo rico em criatividade e experimentalismo. Pois foi lendo a matéria do jornal espanhol La Vanguardia (somente para assinantes UOL) que me convenci do erro que aqui corrijo. A (boa) música produzida no Brasil anda bombando mais que nunca. Para deleite nosso e de gringos afins.

27 agosto 2007

Paraíso Tropical

Goste-se ou não é fato que as telenovelas se tornaram um produto genuíno da cultura brasileira. Seja qual for a classe social, milhões de pessoas (de donas-de-casa a socialites, de formadores de opinião a moradores de favelas) já ficaram grudadas na telinha acompanhando momentos eletrizantes nas mais diferentes tramas já abordadas. Eu que testemunhei em "Beto Rockfeller" nos anos 60, considerada um marco na telenovela moderna - diferentemente do padrão dramalhão mexicano - com início do enfoque social como temática, destacaria "Vale Tudo", de Gilberto Braga e "Páginas da Vida" de Manoel Carlos, como dois exemplos de tramas muito bem estruturadas e desenvolvidas. Cada qual ao seu feitio de seus autores. Na Folha (só pra assinantes) deste domingo, 26/08/07, há algumas opiniões sobre "Paraíso Tropical", novela que atualmente ocupa o horário nobre da Globo. Mas o que mais me chamou atenção, foi a análise do psicanalista Tales Ab´Sáber, que diz: " Creio que se comenta aí o estado de moratória social e de crise de orientação das elites, que têm um mal-estar com o fato de estarem condenadas ao país degradado no qual vivem em pleno benefício, além de se sentirem punidas com a estagnação histórica do país, que elas mesmas promoveram."
Pois é, penso ser exatamente esta a grande vingança em torno de tais elites. A grande armadilha em contagem regressiva que julgavam estar imunes, vivendo encasteladas indiferentemente à falência de Brasil mais justo e próspero socialmente. E menos mesquinho.
Isto torna ainda mais escandalosa (e cara-de-pau) a inciativa dos fundadores (e seguidores) do movimento Cansei. Como se a realidade que gera indignação de seus idealizadores e defensores fosse algo que tivesse surgido sem a legítima participação destes no estado de coisas em que se tornou o Brasil. É quase um Teatro do Absurdo onde atores e platéia parecem não se dar conta do ridículo que tal encenação provoca aos mais atentos à história do Brasil dos últimos 40 anos. Onde paraíso tropical passou a ser metáfora para um Brasil como nação do futuro - mas somente aos bem "colocados". Eis aí a grande piada. Não percam os próximos capítulos. Quem viver, verá.

23 agosto 2007

nocaute coletivo

Não foi só a ponte que caiu. Desde domingo fomos um a um sucumbindo ante uma avassaladora virose que se abateu aqui no povo do canto das águas. Começou com a Débora, depois o pequenino João Pedro. Em seguida o André e por fim este que aqui martela as teclas. E que nocaute!

A ponte do canto das águas

Nosso sítio é cortado pelo lendário Ribeirão do Onofre . Devido à topografia montanhosa de nossa região, este curso d´agua precipita-se em cascatas e cachoeiras em algumas propriedades (inclusive a nossa conforme mostra a foto do blog). De um lado do Onofre está a Serra do Itapetinga. Do outro, o bairro Água Espraiada. Ao longo da estradinha, uma das pontes (bem em frente ao nosso sítio), por onde passa o rio ligando estas duas regiões, cedeu parcialmente recentemente, fazendo com que finalmente os órgãos (in)competentes tomassem as providências cabíveis. Até então, eu costumava a dizer que a ponte era sempre remendada com saliva e chiclete. Depois do processo de restauração dos alicerces, veio a parte mais delicada e durante três dias esta passagem ficou interditada. Para nós não foi tão ruim assim, pois além de ficarmos sem movimento nenhum (apesar deste paraíso em que vivemos, o vai e vem do tráfego na estrada ás vezes chega a incomodar bastante), tínhamos a opção de uma das entradas alternativas do sítio que fica do outro lado da ponte. Muito embora tivéssemos que atravessar uma boa faixa à pé (incluindo uma pequena ponte interna) para chegar até o carro, que lá ficou estacionado por dois dias para nossas idas e vindas. Transtorno mesmo foi para outros moradores que tinham que dar uma grande volta utilizando-se de estradas de terra para saírem (e chegarem) de seus sítios ou casas em condomínios. Para os pedestres (os únicos a terem acesso mesmo durante a restauração) foi feita uma operação diferente: ficava um ônibus de cada lado da ponte para a baldeação. Hoje, o tráfego foi restabelecido e a vida volta ao normal. Só falta o "rescaldo", já que a fachada do sítio ficou bem detonada com as obras e seus entulhos. Segundo os responsáveis, esta ponte dará lugar a uma definitiva, com vigas metálicas e cimento, ao contrário desta que foi restaurada com toras de eucalipto e terra sob o asfalto. Veremos.

15 agosto 2007

O bichou pegou aqui!

Ontem foi um dia (e noite) daqueles!!! Uma forte queimada, provavelmente causada por inescrupulosos ou mesmo a gangue de vagabundos que mora nas redondezas. Foi terrível, pois eu estava em SP quando soube pela Débora do ocorrido e nada podia fazer, a não ser acompanhar a situação à distância. Mais uma vez a D. Ursula e o seu Marco (acompanhados do caseiro deles, seu Zé) foram de uma solidariedade incrível, ajudando a apagar o fogo, juntamente com a Débora e o André. Aliás, o André foi um verdadeiro herói, combatendo focos para que não se aproximassem de nossa casa. Foi um perrengue!
Felizamente o fogo foi controlado sem que chegasse ao bambuzal, o que poderia causar muito mais danos à vegetação e ameaçar nossa casa.

bela mas...

A foto acima publicada na Folha de sábado mostra uma bela paisagem rural. Mas aquela nuvem escura ao fundo na verdade é uma queimada que se funde no cenário estragando tudo.

12 agosto 2007

Caros Amigos

Com certeza nossa vida aqui nas montanhas não seria a mesma se não fosse o convívio que cultivamos com nossos queridos amigos, D. Ursula e "seu" Marco. Logo no início de nossa vinda, em 2003, conhecemos este formidável casal que além de vizinhos (moram num sítio, o "La Chamade", cerca de 2 kilômetros montanha acima), nos brindaram com sua fraterna amizade.
D. Ursula, de mente aberta e valores nobres, sempre tem uma palavra amiga ou gesto carinhoso. Seja na elaboração de seus bolos europeus ou nos ofertando mudas ou frutas. Se já havia uma afetividade muito grande deles para com o André, com o João Pedro este carinho só se multiplicou. Tratou, logo que ele nasceu, de nos emprestar um livro em inglês de exercícios fisicos para bebês e crianças como que atenta para sua evolução e crescimento.
O "seu" Marco então é um personagem à parte. Um homem de coração incrível e uma capacidade de criar soluções fantásticas. Mecânico naval e de aviação, este polonês completa com muitas habilidades, as qualidades deste adorável casal. Tudo que o faz é engenhoso, original e eficiente. Fruto do trabalho executado numa oficina muito bem cuidada e bem equipada, localizada no sítio que ele zela com o carinho como se fora para um filho.
Eu às vezes digo que ele parece um misto de McGaiver com prof. Ludovico - aquele personagem inventor dos gibis de Walt Disney. Ele entende de tudo: elétrica, hidráulica, mecânica. Além do conhecimento técnico, possui uma enorme experiência conquistada ao longo das 7 décadas e mais um pouco, com que caminha por esta vida.
Infelizmente é desejo deles partir daqui e começar uma nova vida em solo baiano. Querem deixar os desafios da mata na serra e encarar uma nova empreitada vivendo próximo a uma das irmãs (a outra mora na Suiça) de D. Ursula que mora na praia do Forte, ao norte de Salvador. Aqui em casa somos divididos a cerca de tais planos. Se por um lado torcemos para que eles realizem este desejo, por outro sabemos o tamanho do prejuízo que suas ausências nos trará. Enquanto este dia não chega, seguimos tendo o prazer de cultivar esta bela amizade.

Dia dos Pais

Queridos Quico e Dudu,

Onde quer que estejam segue daqui meu beijo e gratidão por ocasião do dias dos pais. Agradeço o carinho, proteção e dedicação que recebi dos dois. Que Deus ilumine suas almas hoje e sempre.

07 agosto 2007

Apagão do Blog

Devido a problemas técnicos do servidor deste blog, ficamos sem postar nenhum tópico desde o dia 31 de julho. Tal falha não foi generalizada, pois nem todos os blogs pertencentes ao servidor (blogspot) tiveram o mesmo problema - conforme verifiquei em postagens recentes. Essa verificação só pode ser feita hoje, já que também era impossível navegar em blogs do servidor.