13 novembro 2007

India

fonte: uol (http://viagem.uol.com.br)

Terra santa: cinco religiões fazem da Índia um lugar místico e conflituoso

Quatro cadáveres queimam lentamente às margens do rio Ganges em Varanasi, a mais sagrada das cidades hindus. Abastecidas com madeira de sândalo, as fogueiras exalam um cheiro esquisito. Algo como incenso misturado a carne abrasada. Vestidos de branco, a cor do luto, familiares reúnem-se em volta de seus mortos. Não há lágrimas, muito menos desespero. Apenas uma relaxada expressão de desapego.Crianças, atrás de uma pipa, cruzam subitamente o crematório. Quase colidem com dois homens que, através da fumaça, descem em direção às fogueiras com mais um corpo sobre os ombros. Ambos são dalits, pessoas pertencentes à mais baixa casta da sociedade hindu, a quem se reserva os trabalhos insalubres (carregar defuntos é o mais leve deles) do dia-a-dia. "Enquanto os cremados vão para o céu, esses homens não precisam morrer para chegar ao inferno. Já vivem nele", diz, com certo sarcasmo, Prem Chaudhary, um indiano que se diz sacerdote brahmin, a mais alta casta hinduísta. A crença inabalável na eternidade da alma, na transitoriedade da vida, no fogo purificador que substitui lágrimas -e de que a condição terrena de cada um é fruto das ações cometidas em existências passadas- faz de uma cremação hindu uma grande maneira de se começar a entender a fé na Índia. Terra, paraíso e trevas parecem dividir uma só paisagem neste país que abriga pelo menos cinco fortes religiões, cada qual a exercer grande influência em seus devotos. Hinduísmo, islamismo, budismo, siquismo, cristianismo. Das turbas de miseráveis à abastada classe alta, a maioria dos indianos faz de uma dessas crenças o seu modo de vida e seu conforto pós-morte.Babel religiosaNa Índia, respira-se o incenso dos templos hindus, ouvem-se os versos do Alcorão, admira-se a beleza dourada dos templos siques, viaja-se ao som plácido dos mantras budistas. Tudo entremeado pela agressividade do caos terreno -feito de multidões, fumaça, barulho e estrume de vaca- e pela feiúra da pobreza afrontada em cada esquina.Os hindus (eles representam 82% da população indiana) acreditam em um complexo panteão de deidades que inclui ratos, falos e yogis de pele violeta. Os muçulmanos seguem sua rígida fé monoteísta em Allah. Monges budistas mantêm as cabeças raspadas como símbolo da austeridade de sua religião. Pelo mesmo motivo, siques cultivam longas barbas e melenas. A convivência entre tantas crenças é perigosamente próxima e já gerou conflitos sangrentos no subcontinente. Fanáticos hindus destruíram, em 1992, uma mesquita na cidade de Ayodhya por acreditar que ali era o local do nascimento de Rama, uma encarnação do deus Vishnu. Em 1984, os guarda-costas siques da então primeira-ministra Indira Gandhi, de família hindu, a assassinaram. O motivo: alguns dias antes, na caça a um grupo separatista, ela mandara bombardear o Harmandir Sahib, o mais sacro dos templos do siquismo. Nada, porém, superou a guerra civil causada, em 1947, pela criação do Paquistão a partir de um vasto território indiano: a partição colocou hindus, siques e muçulmanos uns contra os outros e causou a morte de aproximadamente 500 mil pessoas.O conflito ainda suscita mágoas: "Os muçulmanos são os responsáveis pela divisão do nosso país. Não os perdôo por isso. A Índia não é deles", diz o estudante hindu Praveen Patel. O islã dominou o norte da Índia entre os séculos 12 e 18 (hoje, 12% da população local segue as leis do Alcorão) e ali enraizou sua fé em um esplendoroso conjunto arquitetônico -o Taj Mahal, uma das Sete Maravilhas do Mundo, é exemplo disso. Na capital, Déli, Patel e seus companheiros hindus encontram-se cercados por suntuosas mesquitas e mausoléus de antigos imperadores maometanos. A ouvidos leigos, o hindi (língua oficial entre hinduístas) se confunde com o urdu (idioma da maioria dos indianos muçulmanos). Muitos dizem que da fusão dessas duas crenças nasceu o siquismo, fundado no século 15 e que hoje abarca 1,9% da população indiana. Devoto da religião, o jovem Gurprit Singh discorda. "Quando foi criado, o siquismo rejeitava o sistema de castas hindu e adotava apenas um Deus para se venerar. Mas nossa fé tem um sistema próprio. Não vem nem do hinduísmo nem do islã."

Barba, turbante, bracelete de aço e sabre preso ao corpo são elementos do siquismo A fé dos siques está baseada nos ensinamentos do guru Nanak Dev (fundador da religião) -e de outros nove gurus que o sucederam- e dá a seus seguidores homens uma aparência toda peculiar: imponentes turbantes na cabeça, longas barbas, um bracelete de aço (que simboliza destemor) e um sabre preso ao corpo. Eles também adotam um sobrenome em comum: Singh, que significa "leão". Na Gurdwara Bangla Sahib, o maior templo sique de Déli, homens e mulheres ajoelham-se ao redor do enorme trono de ouro que guarda o livro sagrado do siquismo, o Guru Granth Sahib. Três barbudos vestidos de branco tocam e cantam músicas orientais. Ao contrário do hinduísmo, ninguém pede dinheiro aos visitantes. A exemplo do islamismo, não há veneração a imagens. Apenas as fotos dos dez gurus estampadas nas paredes da gurdwara. Comida é distribuída aos fiéis. No lado de fora, à sombra de três cúpulas de ouro, que se refletem em um enorme tanque-d'água, crianças brincam, adultos oram. Um clima de paz que se completa pela música a Deus que emana de grandes alto-falantes. Geografia da féOs siques representam uma classe próspera no país. O Estado que concentra o maior número de devotos da religião, o Punjab, é um dos mais ricos da Índia. O atual primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, é sique. Já o Estado dono de uma esmagadora maioria muçulmana encontra-se há 60 anos sob troca de tiros. Trata-se da Caxemira que, por sua população islâmica, é reclamada pelo Paquistão desde a partição de 1947. A contenda já gerou conflitos armados entre os dois países. Dentro da mesquista Hazratbal, na cidade de Srinagar, fiéis realizam sua salah (as cinco orações que os muçulmanos devem fazer diariamente) ao lado de soldados indianos com fuzis nas mãos. Srinagar é uma urbe exótica e perigosa. Banhada por lagos de onde brotam flores de lótus na primavera, as montanhas do Himalaia ao fundo, a cidade convive com barricadas militares e soldados mal-encarados. E os caxemiris, no meio dessa disputa territorial, dizem que gostariam mesmo é de ter seu próprio país. A Índia acusa o governo paquistanês de incitar este sentimento separatista e armar os terroristas que, vez ou outra, fazem explodir bombas por aqui. Afinal, uma Caxemira independente seria mais dócil ao islâmico Paquistão que aos indianos. Srinagar, porém, ostenta sua ilha hindu: um templo localizado no alto da colina Shankaracharya, permanentemente cercado por um grande contingente de soldados. Antes de subir, o visitante é revistado. "É necessário. Alguns terroristas muçulmanos adorariam arrebentar isso aqui", diz Mohamed Rafiq, morador da cidade. Lá em cima, em uma apertada construção, um jovem hindu, de aparência ébria, guarda a principal imagem do templo: o lingam, uma escultura de pedra de formato fálico que representa Shiva. Rafiq, que é muçulmano, olha a deidade e dispara: "Esses hindus são loucos mesmo". Cristo e BudaNo retrovisor do carro de Lazar Pati, que cruza à alta velocidade o deserto do Rajastão, uma imagem de Jesus Cristo. Nesta terra de vacas sagradas, mulheres de sari e homens de turbante, estranho é ver alguém que faça o sinal da cruz para se benzer. Mas Lazar é cristão mesmo. E faz parte de uma fé expressiva na Índia, que abrange 2,3% da população. "Não gosto dessa coisa de adorar ratos ou deuses estranhos", diz ele, com cara de nojo. "Prefiro ficar com os ensinamentos da Bíblia."No Estado de Goa, sudoeste do país, é que se vê a força da presença cristã no subcontinente. Antiga colônia portuguesa, Goa é cravado de igrejas cuja arquitetura lembra muito a encontrada em cidades históricas do Brasil. Em uma delas, a Basílica do Bom Jesus, repousa o corpo de São Francisco Xavier, que chegou à Índia no século 16 para catequizar o povo local.E, se Cristo não chegou a estar pessoalmente em sua terra, a mística Índia deu origem a outro grande messias da história: Siddhartha Gautama, o Buda. Nascido no que é hoje território do Nepal, ele atingiu sua iluminação na cidade indiana de Bodhgaya e pregou as primeiras diretrizes do budismo na região de Varanasi. No local, chamado Sarnath, monges se encontram periodicamente para realizar orações e louvar seu grande líder. Esse vínculo umbilical com o budismo fez a Índia tornar-se o exílio de milhares de tibetanos -inclusive o Dalai Lama- que deixaram seu país após a invasão chinesa, em 1950. Siddharta Gautama é venerado, pelos hindus, como uma encarnação do deus Vishnu. Mas, em vida, ele era outro que criticava o sistema de castas e a enorme legião de deidades hinduístas. "Deus é o mesmo"Sentado na beira do rio Ganges, o asceta Ravipudi observa as cremações. Cabelos dreadlocks, grande barba e a testa pintada, ele não tem propriedades, não possui trabalho, não faz sexo. Vive de esmolas e passa a vida a meditar, a rezar e a estudar textos religiosos (principalmente os hinduístas). Seu objetivo é desprender-se dos prazeres mundanos, transcender à condição humana e, com isso, atingir moksha (libertação do ciclo de reencarnações que prende os homens aos sofrimentos da Terra). Para um homem que entrega sua vida de modo tão radical a Deus, Ravipudi tem uma opinião que, de tão tolerante, surpreende. "O Deus que cada religião cultua é o mesmo. Não importa se é Shiva ou Alá. As pessoas só oram de maneira diferente. O que importa são os benefícios que essas crenças traz a cada um." E, de fato, todas essas religiões que convivem lado a lado na Índia, que de vez em quando se engalfinham em sangrentas brigas, ostentam afinidades impressionantes. Estudiosos gostam de ressaltar a semelhança entre os nomes Cristo e Krishna (principal personagem do Bhagavad Gita) e fatos em comum na vida dos dois personagens. Ambos são protagonistas de livros sagrados de suas religiões, tinham sangue nobre e fizeram milagres em vida. Os siques, apesar de discordar do sistema de castas, acreditam, como os hindus, em carma e reencarnação. Por sua vez, os muçulmanos vêem Jesus Cristo como um dos grandes profetas de Alá. E os monges budistas, a exemplo dos ascetas hindus, renunciam aos prazeres terrenos com o objetivo de atingir a libertação do ciclo de reencarnações.Ravipudi, por sua vez, quando morrer, não precisará ser cremado. A vida de privações já realiza o trabalho de purificação da alma que seria atribuído ao fogo. Seu corpo será jogado intacto no rio Ganges. Uma prática estranha. Mas que, na mística terra indiana, é apenas uma das muitas maneiras se ir ao encontro de Deus.


Nota do blogueiro: Estranhamente sinto uma enorme atração por este país. E lá desejaria pisar seu solo. Nem que fosse apenas para morrer.

Estréia (ainda que (muito) tardia)

Parece incrível, mas foram necessários longos 16 anos para que o André molhasse seus pés pela primeira vez em águas salgadas. Uma absurda espera considerando a extensão da costa que banha o Brasil - e a proximidade do litoral paulista. Mas tudo bem. Esse dia chegou e graças à boa alma do Marcão que o levou ao mergulho inaugural no Guarujá. Que não demore tanto entre o batismo e uma nova aventura nos mares.

03 novembro 2007

2 anos (atrasado) !!

Mês passado este blog completou dois anos de atividade. Provavelmente a data passou batido por qualquer motivo. Mesmo por que não há, hoje em dia, muita inspiração para postagens. Mesmo assim tenho muito carinho por TODOS os textos e imagens que compõem este arquivo. São, como diz a própria definição do blog, nossa "janela" para o mundo fora da mata onde moramos. Nosso testemunho do que aqui se passa e nossa leitura de fatos do mundo (em todas suas dimensões) que nos cerca. Dos asssuntos mais sublimes aos mais ácidos, tudo reflete nosso momento registrado nas datas publicadas. Sendo que neste espaço de tempo, a figura do João Pedro constitui-se num divisor de águas. Tanto quanto o ribeirão que corta nossa propriedade. E se não fosse ele, sei lá...nem sei o que seria deste que aqui martela este teclado.

Dia dos Mortos

Ontem foi o Dia de Finados. Tenho uma enorme dificuldade em evocar meus antepassados. Talvez por desejar lembrá-los em sua plenitude, talvez como uma auto-defesa involuntária ou inconsciente em não me envolver na nostalgia ou sentimento da perda de suas existências. A verdade é que sempre que me vêem à memória, a imagem recorrente é deles sorrindo, o que acabo considerando minha singela homenagem. Será isto basta? Não cultuo ir a cemitérios nem nesta data "comemorativa", nem em outros dias do ano. Mas acho isso um erro. Visitar, conversar - ainda que com o especto abstrato diante de um túmulo ou lápide- bem que poderia ser um exercício de reverência em respeito aos que tanto amei e já se foram. Talvez os índios, em sua sabedoria primitiva são os que melhor conceituam este ato de amor e respeito através do Kuarup. Sinto muitas saudades de algumas pessoas muito especiais que fizeram parte de meu universo até aqui. Mas, repito, há uma enorme dificuldade em revivê-los de maneira frequente e convincente. Eis aqui alguns nomes como tentativa de chamamento a este respeito: vovô Affonso, vovó Amélia, vovô Chiquito, vovó Olga, Quico (meu pai) , Durval (meu segundo pai) , "tia" Alzira, tio Raul, tia Yara, tia Dadá, tio Affonso, tio Odair, tio Dalmar...

26 outubro 2007

o fim?

extinção

{verbete}
Datação1539 CDP IV 80
Acepções
■ substantivo feminino
1 ato ou efeito de extinguir(-se)
2 Rubrica: ecologia. desaparecimento definitivo de uma espécie de ser vivo
3 Rubrica: óptica. m.q. absorvância
Etimologia
lat. exstinctìo,ónis 'falecimento, morte, extinção', do rad. de exstinctum, supn. de exstinguo,is,xi,ctum,guère 'apagar, extinguir, aplacar, abrandar, destruir, abolir, aniquilar; dessecar, esgotar'; ver -stinção e -sting-; f.hist. 1539 ystinçam, 1540 extinçam, 1553 extinção, 1789 extincção.

Palavra tenebrosa que nos remete a um dilema dos tempos atuais. O homem, com sua ganância ou nocividade brinca com o eterno. São espécies animais, vegetais ou minerais agonizando sem piedade de quem delas abusa. Matando e explorando.
Hoje a Débora salvou um passarinho indefeso da boca de uma de nossas gatas. Se não o fizesse, seria seu divertimento alimentar. Divertimento por que come ração todo dia sem precisar da caça. Mas nesse caso a caça é pelo menos instintiva e não predadora.
Fico estarrecido com notícias de todas as partes do mundo e do Brasil. O quê fazer?
Existem as ongs presevarcionistas mas muitas delas, apenas entidades caça-níqueis sob uma fachada politicamente correta. É realmente...um enorme e crucial dilema.

á(b)gua

João Pedro. Fora as primeiras palavras familiares como papá, mãma e gogó (vovó), passou a falar talvez a mais importante das palavras diante de sua inserção no cosmos de sua existência: água. Ainda não é um água redondo, claro e bem pronunciado. Rola quase um "b" pra sair o "g" de água, com ele fechando a boquinha. Mas sonoramente é água, sim senhor. O instinto da necessidade ante a mais vital fonte energética da qual somos dependentes. A natureza saúda seu brado de identidade neste "canto das águas" que é seu santuário.

25 outubro 2007

Quanto mais se conhece o ser humano...

...mais admiro os animais. Em recente matéria veiculada na tv, tomei conhecimento do incrível trabalho desenvolvido pelo Projeto Gap - um movimento internacional de reintegração de primatas dentro de condições saudáveis de vivência. São animais que já viveram em zoológicos, circos ou mesmo em viveiros particulares e que por inúmeras razões sofreram abusos, maus tratos ou simplesmente apresentaram distúrbios ante a dificuldade de co-existência (!) com humanos.

08 outubro 2007

Sobre o Dia da Criança

Meus Oito Anos
(Casimiro de Abreu)
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Olha o Zé aí gente !!!


Entre as várias espécies que habitam as matas aqui da serra, nenhuma se tornou tão próxima de nosso convívio quanto o Zé. Trata-se de um saruê, o popular gambá. Um bichinho muito simpático, mas também muito atrevido. Todas as noites ele desce de uma árvore que fica logo atrás de nossa casa e bate o maior rango, filando a ração dos gatos. No início ficávamos contrariados, afinal ele manda bem cada vez que baixa de seu habitat e se farta com a comida abundante - afinal são sete cuias, correspondentes a cada um de nossos bichanos. Mas com o tempo nos acostumamos e acabamos até batizando-o com este apelido. Um dia apareceu outro intruso junto com o Zé. Não sabemos ao certo se era um parente ou apenas um companheiro de rango. Teve até briga entre os dois, como que disputando a comida. São criaturas deste maravilhoso universo que as queimadas cruelmente ameaçam a cada nova ocorrência. Pelo menos o Zé pode ficar tranquilo. Na árvore aqui de casa ele estará sempre protegido. E bem alimentado.

06 outubro 2007

Queimada

Hoje tivemos mais um triste fato quebrando nossa rotina, ainda que seja sábado. Uma queimada provocada por irresponsáveis atingiu uma gleba que possuímos do outro lado da estrada. Trata-se de uma área de mata - nativa e mista - que vai demorar sabe-se lá quanto tempo até ser recomposta. Em agosto tivemos outra dramática situação (conforme postagem) envolvendo este tipo de crime. O mais curioso é que existe um mito na região, onde sempre se fala que isso é "coisa de moleque". Conversa. Isso é coisa muito de marmanjo barbado e mal intencionado. Daí você liga pro bombeiro e ouve do outro lado: "tá perto da casa?". É só isso que interessa a eles. Também pudera, com o número assombroso com que as queimadas se propagam nesta fase do ano - de clima muito seco e sem chuvas - os caras mal dão conta das ocorrências. Fico pensando na agressão que sofre o meio ambiente, os animais... até mesmo as cobras tão temíveis, coitadas, nada têm culpa da ação do homem - bicho ruim - com sua ação nociva. Tem queimada na Europa ? Tem. Tem nos EUA? Tem. Tem na Austrália? Tem. Isso serve de consolo? NÃO!

01 outubro 2007

Não resisti "piratear" o post do sempre ácido, ainda que irônico, Mino Carta, em seu obstinado exercício de traduzir este Brasil, sil, sil, sil (como ele diria). Nem li o artigo que ele menciona (escrito pelo mofado João Mellão no Estadão), pois há muito tempo "cansei" de me deparar com sua retórica retrô. Aliás, Mellão quem?

Mala tempora currunt
Por Mino Carta

Leio, fascinado, um artigo de João Mellão na página 2 de O Estado de S.Paulo de hoje. Orgulha-se de pertencer a uma elite, esclarece que elite significa a nata em cada setor da sociedade, nega, não sem veemência, a dicotomia bom povo-elite má, forjada pela obsessão esquerdista. E assim por diante. Quero deixar claro que este post não é resposta, apenas uma oportunidade para meditar. Pensamentos esparsos, sem maiores propósitos de revelar a verdade. Por exemplo. Aceito o pensamento de João Mellão, e reconheço a presença de uma elite do futebol. Na qual milita o ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib.Não seria elite que manda no seu rincão, graúdo ou miúdo? E este Brasil, grande, notavelmente dotado pela natureza, vocacionado para ser bem sucedido, não deve à sua elite o fato de estar tão mal das pernas? Ou por que entregaram o ouro ao bandido, ou por que eles próprios, os componentes da elite, cuidaram da bandidagem.Os povos são todos iguais, o que mudam são as circunstâncias. As nossas foram criadas por quem? Pelos predadores iniciais e, ao surgir a oportunidade, pelos predadores nativos.E o povo, que tem a ver com isso? Os indígenas foram sistematicamente enganados e dizimados. Não eram tão bons de trabalho, e então vieram os africanos, imigrados, digamos assim, debaixo do sibilar do chicote, e os sinais da escravidão ainda estão presentes. Hoje a maioria é mestiça, e este é o povo brasileiro. Que esperar dele? Que faça por conta própria a revolução?A elite nativa sempre apostou na cordura e na resignação do povo. Sergio Buarque de Hollanda chamava-a, ironicamente, de cordialidade. João Mellão, aplicado representante da elite paulistana em outros tempos definida como quatrocentona, rejeita a dicotomia elite-povo. Difícil escapar a ela, impossível mesmo, sobretudo em um país como o Brasil, tão desigual, um dos mais desiguais do mundo, seus rivais são Nigéria, Serra Leoa, e outros do mesmo porte.Quando da Revolução Francesa, inequivocamente burguesa, incumbiram-se os burgueses de empurrar o povo à Tomada da Bastilha. Os insufladores e organizadores da revolta, pela qual hoje ninguém se queixa, estavam fartos (cansados?) de sofrer as conseqüências da prepotência aristocrática e eclesiástica. Na França dos fins de 1700 os iluministas eram farol nas trevas, mas o país vivia no caos. Falta de autoridade de um lado, miséria e criminalidade do outro. Os nossos burguesotes provincianos estão cansados da miséria e d criminalidade, na qualidade de manifestações populares, e apavorados pela possibilidade de que o povo comece a dar o ar de sua graça. Os burgueses daquela França eram, no mínimo, mais espertos.Alguma mudança está no ar, e é isso que agita a chamada elite à qual Mellão orgulha-se de pertencer. Lula é o primeiro sintoma da mudança. Não estou a analisar o governo atual, de muitos pontos de vista me decepciona, mas o que me parece enxergar transcende a decepção. As vitórias de Lula em 2002 e 2006 me dizem que algo mudou. O povo não se incomoda se o seu candidato está de gravata e terno escuro, formou-se em alguma faculdade e sabe mais de um idioma, e a mídia perde seu tempo na tentativa de propor o tipo perfeito. A mídia, instrumento afiado a serviço da elite, não chega mais.Mala tempora currunt, diria meu pai, Giannino. Para a elite. A qual, além do mais, não sei que características haveria de ter em um país onde apenas 5 por cento da população ganha de 800 reais mensais para cima. Enquanto 0,01 por cento são nababos, andam de helicóptero e Ferrari, moram em castelos, exibem-se o tempo inteiro nas colunas sociais e escondem-se em suas vivendas cercadas por muralhas mais compactas do que as da Roma imperial.O povo não costuma ser bom por natureza. Pelo contrário, a miséria e a indigência são caldo de cultura da ignorância, da violência, da criminalidade. Tais as condições do povo, tão humilhado e espezinhado a ponto de se contentar com o auxilio familiar de escassos reais distribuído pelo governo Lula. Já se definiu a plebe como rude e ignara. De verdade, a definição cabe à perfeição para qualificar a elite brasileira. Quem se orgulha de fazer parte dela, deveria dar-se ao respeito.

19 setembro 2007

Querida mãe...

Alda Perdigão em seus dias de glória como cantora.

Pois é, mãe. Entre a primeira foto e esta aqui acima, um turbilhão de acontecimentos a pautar sua vida. Confesso ser muito intrigante para mim dedicar palavras por ocasião de seu aniversário. Muitas são as lembranças. Maiores ainda minha gratidão e afeto em sua direção. Não é fácil compreender a grandeza de seu ser. As nuances de sua personalidade. Sua sensibilidade e sentimento, encobertos por uma bruma que só a alguns foi possível revelarem-se em sua essência e plenitude. Te amo pacas, mãe. Que Deus lhe dê sempre a saúde tão importante para seguir seu passo em frente. Parabéns !!!

15 setembro 2007

o dinheiro não traz felicidade...


Mas dizem alguns que ele compra. No caso da foto acima , ela ( a felicidade) me segue bem de pertinho logo atrás. Mesmo por que esta moto não é minha, hahahahahahah.

João Pedro e Pablo: os dois filhos de Afonso

Pena que a única maneira de vê-los assim juntos é através de fotomomtagem.

13 setembro 2007

VERGONHA!

"Deitado eternamente em berço esplêndido" - até quando ? Acorda, Brasil !

07 setembro 2007

Bom feriado!

Paulistanos na véspera do feriadão de 7 de setembro.

29 agosto 2007

Refazendo

Em 4/07/07 publiquei uma postagem com o título de Reflexões. Ali, fazia digressões sobre minha visão de aspectos do caminhar do mundo neste milênio. Agora quero corrigir um erro. Acho que quando critiquei a qualidade da música produzida, não levei em consideração uma questão muito importante. Uma coisa é a música que toca nas rádios e na mídia "main stream" em geral. Outra coisa é o fabuloso manancial que rola nos quatro cantos do mundo mas que não ultrapassa a barreira dos "jabás" (a propina paga pelas gravadoras para que as rádios toquem este ou aquele artista), restrita ao universo independente - os chamados indies. Aliás, graças à internet a produção mundial audio-visual tende só a aumentar o espaço deste universo rico em criatividade e experimentalismo. Pois foi lendo a matéria do jornal espanhol La Vanguardia (somente para assinantes UOL) que me convenci do erro que aqui corrijo. A (boa) música produzida no Brasil anda bombando mais que nunca. Para deleite nosso e de gringos afins.

27 agosto 2007

Paraíso Tropical

Goste-se ou não é fato que as telenovelas se tornaram um produto genuíno da cultura brasileira. Seja qual for a classe social, milhões de pessoas (de donas-de-casa a socialites, de formadores de opinião a moradores de favelas) já ficaram grudadas na telinha acompanhando momentos eletrizantes nas mais diferentes tramas já abordadas. Eu que testemunhei em "Beto Rockfeller" nos anos 60, considerada um marco na telenovela moderna - diferentemente do padrão dramalhão mexicano - com início do enfoque social como temática, destacaria "Vale Tudo", de Gilberto Braga e "Páginas da Vida" de Manoel Carlos, como dois exemplos de tramas muito bem estruturadas e desenvolvidas. Cada qual ao seu feitio de seus autores. Na Folha (só pra assinantes) deste domingo, 26/08/07, há algumas opiniões sobre "Paraíso Tropical", novela que atualmente ocupa o horário nobre da Globo. Mas o que mais me chamou atenção, foi a análise do psicanalista Tales Ab´Sáber, que diz: " Creio que se comenta aí o estado de moratória social e de crise de orientação das elites, que têm um mal-estar com o fato de estarem condenadas ao país degradado no qual vivem em pleno benefício, além de se sentirem punidas com a estagnação histórica do país, que elas mesmas promoveram."
Pois é, penso ser exatamente esta a grande vingança em torno de tais elites. A grande armadilha em contagem regressiva que julgavam estar imunes, vivendo encasteladas indiferentemente à falência de Brasil mais justo e próspero socialmente. E menos mesquinho.
Isto torna ainda mais escandalosa (e cara-de-pau) a inciativa dos fundadores (e seguidores) do movimento Cansei. Como se a realidade que gera indignação de seus idealizadores e defensores fosse algo que tivesse surgido sem a legítima participação destes no estado de coisas em que se tornou o Brasil. É quase um Teatro do Absurdo onde atores e platéia parecem não se dar conta do ridículo que tal encenação provoca aos mais atentos à história do Brasil dos últimos 40 anos. Onde paraíso tropical passou a ser metáfora para um Brasil como nação do futuro - mas somente aos bem "colocados". Eis aí a grande piada. Não percam os próximos capítulos. Quem viver, verá.

23 agosto 2007

nocaute coletivo

Não foi só a ponte que caiu. Desde domingo fomos um a um sucumbindo ante uma avassaladora virose que se abateu aqui no povo do canto das águas. Começou com a Débora, depois o pequenino João Pedro. Em seguida o André e por fim este que aqui martela as teclas. E que nocaute!

A ponte do canto das águas

Nosso sítio é cortado pelo lendário Ribeirão do Onofre . Devido à topografia montanhosa de nossa região, este curso d´agua precipita-se em cascatas e cachoeiras em algumas propriedades (inclusive a nossa conforme mostra a foto do blog). De um lado do Onofre está a Serra do Itapetinga. Do outro, o bairro Água Espraiada. Ao longo da estradinha, uma das pontes (bem em frente ao nosso sítio), por onde passa o rio ligando estas duas regiões, cedeu parcialmente recentemente, fazendo com que finalmente os órgãos (in)competentes tomassem as providências cabíveis. Até então, eu costumava a dizer que a ponte era sempre remendada com saliva e chiclete. Depois do processo de restauração dos alicerces, veio a parte mais delicada e durante três dias esta passagem ficou interditada. Para nós não foi tão ruim assim, pois além de ficarmos sem movimento nenhum (apesar deste paraíso em que vivemos, o vai e vem do tráfego na estrada ás vezes chega a incomodar bastante), tínhamos a opção de uma das entradas alternativas do sítio que fica do outro lado da ponte. Muito embora tivéssemos que atravessar uma boa faixa à pé (incluindo uma pequena ponte interna) para chegar até o carro, que lá ficou estacionado por dois dias para nossas idas e vindas. Transtorno mesmo foi para outros moradores que tinham que dar uma grande volta utilizando-se de estradas de terra para saírem (e chegarem) de seus sítios ou casas em condomínios. Para os pedestres (os únicos a terem acesso mesmo durante a restauração) foi feita uma operação diferente: ficava um ônibus de cada lado da ponte para a baldeação. Hoje, o tráfego foi restabelecido e a vida volta ao normal. Só falta o "rescaldo", já que a fachada do sítio ficou bem detonada com as obras e seus entulhos. Segundo os responsáveis, esta ponte dará lugar a uma definitiva, com vigas metálicas e cimento, ao contrário desta que foi restaurada com toras de eucalipto e terra sob o asfalto. Veremos.

15 agosto 2007

O bichou pegou aqui!

Ontem foi um dia (e noite) daqueles!!! Uma forte queimada, provavelmente causada por inescrupulosos ou mesmo a gangue de vagabundos que mora nas redondezas. Foi terrível, pois eu estava em SP quando soube pela Débora do ocorrido e nada podia fazer, a não ser acompanhar a situação à distância. Mais uma vez a D. Ursula e o seu Marco (acompanhados do caseiro deles, seu Zé) foram de uma solidariedade incrível, ajudando a apagar o fogo, juntamente com a Débora e o André. Aliás, o André foi um verdadeiro herói, combatendo focos para que não se aproximassem de nossa casa. Foi um perrengue!
Felizamente o fogo foi controlado sem que chegasse ao bambuzal, o que poderia causar muito mais danos à vegetação e ameaçar nossa casa.

bela mas...

A foto acima publicada na Folha de sábado mostra uma bela paisagem rural. Mas aquela nuvem escura ao fundo na verdade é uma queimada que se funde no cenário estragando tudo.

12 agosto 2007

Caros Amigos

Com certeza nossa vida aqui nas montanhas não seria a mesma se não fosse o convívio que cultivamos com nossos queridos amigos, D. Ursula e "seu" Marco. Logo no início de nossa vinda, em 2003, conhecemos este formidável casal que além de vizinhos (moram num sítio, o "La Chamade", cerca de 2 kilômetros montanha acima), nos brindaram com sua fraterna amizade.
D. Ursula, de mente aberta e valores nobres, sempre tem uma palavra amiga ou gesto carinhoso. Seja na elaboração de seus bolos europeus ou nos ofertando mudas ou frutas. Se já havia uma afetividade muito grande deles para com o André, com o João Pedro este carinho só se multiplicou. Tratou, logo que ele nasceu, de nos emprestar um livro em inglês de exercícios fisicos para bebês e crianças como que atenta para sua evolução e crescimento.
O "seu" Marco então é um personagem à parte. Um homem de coração incrível e uma capacidade de criar soluções fantásticas. Mecânico naval e de aviação, este polonês completa com muitas habilidades, as qualidades deste adorável casal. Tudo que o faz é engenhoso, original e eficiente. Fruto do trabalho executado numa oficina muito bem cuidada e bem equipada, localizada no sítio que ele zela com o carinho como se fora para um filho.
Eu às vezes digo que ele parece um misto de McGaiver com prof. Ludovico - aquele personagem inventor dos gibis de Walt Disney. Ele entende de tudo: elétrica, hidráulica, mecânica. Além do conhecimento técnico, possui uma enorme experiência conquistada ao longo das 7 décadas e mais um pouco, com que caminha por esta vida.
Infelizmente é desejo deles partir daqui e começar uma nova vida em solo baiano. Querem deixar os desafios da mata na serra e encarar uma nova empreitada vivendo próximo a uma das irmãs (a outra mora na Suiça) de D. Ursula que mora na praia do Forte, ao norte de Salvador. Aqui em casa somos divididos a cerca de tais planos. Se por um lado torcemos para que eles realizem este desejo, por outro sabemos o tamanho do prejuízo que suas ausências nos trará. Enquanto este dia não chega, seguimos tendo o prazer de cultivar esta bela amizade.

Dia dos Pais

Queridos Quico e Dudu,

Onde quer que estejam segue daqui meu beijo e gratidão por ocasião do dias dos pais. Agradeço o carinho, proteção e dedicação que recebi dos dois. Que Deus ilumine suas almas hoje e sempre.

07 agosto 2007

Apagão do Blog

Devido a problemas técnicos do servidor deste blog, ficamos sem postar nenhum tópico desde o dia 31 de julho. Tal falha não foi generalizada, pois nem todos os blogs pertencentes ao servidor (blogspot) tiveram o mesmo problema - conforme verifiquei em postagens recentes. Essa verificação só pode ser feita hoje, já que também era impossível navegar em blogs do servidor.

30 julho 2007

O fim da sétima arte


Com as mortes de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, morrem junto muito da poesia e genialidade do cinema. Com seus filmes inquietantes de narrativas densas, cada qual ao seu estilo de linguagem e personalidade na abordagem de temas do cinema moderno, deixaram obras magníficas e órfãos do cinema-arte. Resta-nos a resistência dos últimos ícones ainda vivos (e filmando) , tais como Martin Scorcesi ou Francis Ford Coppola como últimas colunas de um cinema em franco processo de falência. Ficam os "Piratas do Caribe", "Harry Potter" e outras máquinas de caça-níqueis para júbilo de multidões ávidas do próximo lançamento de Hollywood. Glauber Rocha deve estar muito feliz lá em cima com a chegada destes ilustríssimos companheiros.

Atenuando minha angústia

Não deixa de ser um certo consolo ver o ex-tri campeão de F1 Nelson Piquet flagrado em curso de reciclagem por ter tido sua carteira de habilitação suspensa. Como estou em pleno período de punição, a imagem ajuda a atenuar o peso de uma culpa e a angústia que tal punição provoca. Não sei quanto tempo ele tomou de penalidade, mas no meu caso a coisa ainda vai longe.

Cansei das elites

O empresário João Dória Jr. é um dos responsáveis pelo lançamento do "Cansei". Um auto-intitulado movimento cívico pelos direitos dos brasileiros. O lançamento, juram seus mentores, não é político-partidário e surge na esteira do acidente da Tam que matou perto de 200 pessoas.

Curiosamente o movimento não reune nenhuma representatividade das camadas mais baixas da população brasileira. Por outro lado, algumas entidades empresariais (veja lista abaixo) bancam o movimento, sendo que a mais cara-de-pau (além de mau agradecida) é a Febraban, pois durante o governo Lula, os bancos estouraram seus records de faturamento. Acho incrível que nunca tais entidades tenham se indignado com a situação do povo brasileiro, onde o slogan poderia ser "Cansei de Colaborar com Isso". João Dória está mais uma vez querendo aparecer. Organizou alguns dos jantares de arrecadação de fundos de campanha para Geraldo Alckimin. Ele promove eventos luxuosos (com grifes internacionais de consumo) no Guarujá e em Campos do Jordão, além de uma passeata de cachorros de madame na cidade serrana. Será que não haveria algo mais útil em prol da sociedade e dos direitos do povo brasileiro no lugar desta passeata canina? (com todo respeito a estes últimos)

Entidades que apoiam o movimento:

OAB-SP

ABERT (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e TV)

ABRAPHE (Associação Brasileira dos Pilotos de Helicóptero)

Associação Comercial de São Paulo

ADVBA

ESCON-SPCJE

FIESPCREA

Conaje

Conselho Regional de Medicina

FEBRABAN

FIESP

FIESP - Jovens Líderes

Fundação PIO XII

Grupo de Mídia

Grupo de Jovens da Associação Comercial

Instituto de Estudos Empresariais - IEE

JLIDE

LIDE

LIDEM

SESCON-SP

29 julho 2007

Valeu Brasil !!!

Parabéns aos atletas brasileiros que brilharam no Pan 2007.

25 julho 2007

Lula e o Brasil

Se o famoso "Eu não sabia" acabou livrando Lula de alguma responsabilidade ou envolvimento no escândalo dos mensaleiros, os dois acidentes aéreos recentes (conhecidamente os maiores em vítimas fatais da toda história da aviação comercial do Brasil), que causaram juntos mais de 350 mortes, possuem um viés em que sua figura como mandatário do país não pode recorrer ao mesmo expediente. Afinal, trata-se de um setor (Infraero) vital na vida do país e diretamente ligado ao executivo. De gente que, se não nomeada diretamente por ele, está sob sua subordinação. Assim como nos demais setores (energético, saúde, etc) do governo. Continuo achando minha opção por Lula melhor do que seria se Alckimin tivesse sido eleito. Mas me colocando no lugar dos parentes das vítimas desses dois acidentes, independentemente de culpados, fica difícil ficar neutro neste momento. Está na cara que o setor aéreo no Brasil agoniza. E o responsável maior é que aquele que na hora do balanço político diz: " No meu governo...".

24 julho 2007

Pan

Muitos jornalistas e blogueiros já teceram inúmeros comentários e análises sobre a realização os Jogos Panamericanos de 2007 no Brasil. Sem dúvida, o assunto mais polêmico do evento ficou por conta dos escândalos envolvendo o estouro estratosférico do orçamento inicial, bem como suspeitas de favorecimento na escolha dos fornecedores (muitas vezes contratados sem licitação) por parte dos organizadores. São tantas suspeitas que sugiro que o leitor acesse o blog que foi criado para registrar tais denúncias, afim de saber em detalhes tudo que a mídia que cobre o Pan omite.
Um outro aspecto me chamou atenção conforme caminhamos para a reta final desta competição: a falta de educação demonstrada pelo público brasileiro. Não bastasse a grosseria da vaia ao Lula (se querem protestar, que o façam com organização política, persistência e de forma eficáz nas ruas deste país. Não apenas em meio ao anonimato às escuras da multidão num estádio), outras manifestações condenáveis foram registradas durante provas com o claro objetivo de tirar a concentração de atletas estrangeiros ou em resultados em que brasileiros não foram bem sucedidos. Isso pra mim é uma vergonha e nada tem a ver com torcida. Revela um ufanismo distorcido e uma falha de caráter perante os olhos do mundo para onde estejam sendo transmitidos os jogos. Aliás, isso apenas reflete a realidade dentro de um contexto maior. O da falta de educação social e cultural de nosso povo.

20 julho 2007

vidas ceifadas

Vivemos nossos problemas em meio a uma fase bastante difícil aqui nas montanhas. São problemas de diferentes origens: financeiros, de perspectivas, de segurança e de tocar nosso dia a dia apesar de tudo. Mas ainda sob o impacto da tragédia de Congonhas, mesmo longe do cenário de terror, tudo que vivemos se tranforma em dramas superficiais quando conhecemos os personagens desta triste página. Hoje lendo a Folha On Line, fiquei chocado ao ler os nomes, as profissões e algumas fotos dos que se foram neste trágico acidente. Sem dúvida o que mais me doeu foi ver as fotos de crianças que tão brutal e precocemente interromperam sua curta passagem por esta vida. Que Deus lhes conceda a graça de torná-las anjos na invisível amplitude celestial. Para quem tiver coragem de conhecer uma pouco de cada um, clique aqui. Para quem não tiver força, reforçem as orações.

mais um (ou menos)

A lista de brasileiros canalhas e traidores aos
ideais de uma pátria justa e digna é longa. Mas com toda certeza Antonio Carlos Magalhães, vulgo ACM ou Toninho Malvadeza, para os inimigos, representa um dos símbolos deste mal que contamina o Brasil há décadas. De prefeito e governador nomeado pela ditadura, a cacique político do legislativo, são vários os pontos obscuros e polêmicos na vida deste senhor que morre sem deixar saudades, ante sua arrogância e métodos dignos do melhor estilo "coronelismo". De seu controle no cenário político baiano, à sua participação no chamado Centrão, que reuniu figuras históricas da direita na elaboração da Constituinte de 1988, ACM sempre despertou ira aos seus oponentes e admiração de seus seguidores. Na Bahia é um verdadeiro deus, com seu nome estampado em inúmeras obras (com certeza em conluio com empreiteiras promotoras de super faturamento), notadamente na capital Salvador.
Já na cena política recente, renunciou ao mandato de senador para escapar de mais um escândalo e voltou triunfalmente ao senado na eleição seguinte, nos braços do povo baiano que o chamavam de "painho".
Curiosamente, mesmo sendo médico e baiano fez valer as benesses (às custas do contribuinte) a que têm direito os políticos (talvez somente os de esfera federal e governadores, não sei até onde se estende tal mordomia) sendo internado, tratado e vindo a morrer no Instituto do Coração em São Paulo
ACM vai já tarde. Muito tarde. A lista de traidores é grande, mas a partida de cada um é lenta. Quem me dera Deus pudesse fazer de Maluf seu companheiro de poltrona nesta viagem sem volta.

19 julho 2007

saudades da velha Varig

Numa analogia entre o pássaro que não conseguiu voar da postagem anterior e a recente tragédia do "pássaro de metal" que desabou sobre São Paulo, surge na memória o longínquo passado da Varig. E da Vasp também. Dois orgulhos de um país que viu impassivelmente desintegrando outrora símbolos de excelência internacional na aviação comercial. Orgulho de gaúchos e paulistas, mas acima de tudo, de brasileiros, que testemunharam o apogeu e declínio, até a falência agonizante destas empresas que cortavam os céus do Brasil e do mundo.
O serviço internacional da Varig era incomparavelmente melhor que muitas empresas aéreas internacionais. Desde a simpatia da tripulação e staff em terra, até a escolha das opções do cardápio. Os talheres (da classe econômica!) da Varig eram de aço inox, ao passo que os de outras companhias eram de plástico. Parece um detalhe sem importância, mas que refletia o cuidado e esmero de uma empresa perante seus clientes. Quando se entrava no avião numa viagem intenacional, era a própria antecipação de entrada em solo brasileiro. Isto sem contar a pontualidade. Coisa que hoje em dia é uma lance de sorte no Brasil, face ao apagão aéreo.
Pois agora, esses inegáveis níveis de excelência foram literalmente pro espaço com as novas donas do mercado, Tam e Gol. E pouco importa se a Gol comprou a Varig, pois nunca mais esta companhia será uma pálida semelhança do que já foi. A competitividade gananciosa e os interesses comerciais fizeral destas duas empresas atuais (e únicas opções no mercado de rotas) máquinas de dinheiro, onde o conforto e a segurança dos passageiros deram lugar ao "pregão" das tarifas e "overbookings" a granel.
É fato que graças ao lobby das empresas aéreas, Congonhas transformou-se nesse carrossel de pousos e decolagens em ritmo frenético. Um aeroporto que encolheu ante o assombroso crescimento à sua volta desde que foi construído e que deveria ter um perfil muito menos intenso em termos de movimento de vôos (como observaram analistas em depoimentos por conta do acidente esta semana, somente para atender o serviço de ponte-aérea e de jatos executivos), tornou-se essa ameaça aérea, por mais que especialistas garantam que estatisticamente (!) os riscos de um vôo de avião é menor do que andar de bicicleta, por exemplo.
Lembro-me de quando morava em Moema e via, longe da rota dos aviões, o balé de pousos e decolagens. Ficava imaginando como era a vida de quem morava na rota desta rotina. Devia ser um inferno de barulho ensurdecedor e um perigo constante.
Já que nós brasileiros gostamos tanto de imitar os americanos, em nossa crônica tendência em sermos orgulhosamente colonizados por este país, agora já temos o nosso 11 de setembro. Com menos magnitude, é claro, como sempre. Afinal, é tudo que conseguimos com nossa capacidade limitada em tentarmos copiá-los.
Hoje vi na tv o depoimento da esposa de uma vítima fatal do acidente da Tam, onze anos atrás. Ela ainda está aguardando a indenização por conta de tal acidente. Manchete do portal G1, da Globo na noite do acidente da última terça-feira, 17 de julho: "Tam garante indenizações a vítimas do vôo e da Tam Express".
Alguma dúvida ?

hóspede passageiro

Hoje chegou ao fim a "estadia" de um hóspede inusitado entre nós. Durante 4 dias cuidamos de um pássaro que encontrei no chão numa volta que dei pelo sítio. De porte médio (cerca de 40 cm), todo preto e com uma linda penugem vermelha em seu peito, notei que o pássaro não conseguia voar e tratei de pegá-lo para ver o que podíamos fazer por ele. Fui até um viveiro que fica no vilarejo especializado em aves exóticas (que não quis ficar com ele, talvez por medo de ser uma ave nativa), mas a veterinária não conseguiu descobrir que tipo de pássaro era. Saí de lá com um pouco de ração e um tanto frustrado. Aliás, não só ela como ninguém a quem o mostrei sabia que pássaro era.
Ele ficou com a ração e água num dos banheiros de casa, dentro box, na (nossa) esperança de que pudesse enfim voar livre novamente.
Pesquisei na internet, mas não conseguia encontrar (principalmente por não conhecer sua classificação científica) o nome popular ou origem do nosso hóspede.
Hoje tentamos fazê-lo voar, já que desde o primeiro dia notamos uma marca em uma das asas, quando até colocamos iodo como medida em caso de um possível ferimento. Não dava pra saber do que se tratava, mas acho que podia até ser uma dessas cirurgias que fazem para impedir que o pássaro voe. Coisas do homem e suas agressões na natureza.
Assim que o colocamos fora da casa, ele logo demonstrou que não conseguiria voar. Foi então que resolvi levá-lo ao posto da polícia ambiental para que dessem um destino ao pobre pássaro. Depois, entrando em contato com o Zooparque de Itatiba, descobri que se tratava de um Pavó, talvez o que chamam por aqui popularmente de pavãozinho. É considerado um pássaro em extinção, principalmente na região sudoeste do Brasil.

Família: Cotingidae Espécie: Pyroderus scutatus Ameaçado de extinção

Comprimento: macho 46 cm; fêmea 39 cm. Presente localmente da Bahia ao Rio Grande do Sul e, para oeste, até Goiás e Brasília. No Sudeste, contudo, suas populações encontram-se muito reduzidas, devido aos desmatamentos. Encontrado localmente também em montanhas da Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai e Argentina. É uma espécie rara. Habita o interior e as bordas de florestas altas, especialmente em regiões montanhosas.
Vive solitário, mas durante o período reprodutivo reúne-se em grupos de até 10 indivíduos, havendo exibição do papo e vocalizações. Faz ninho em formato de uma pequena e frágil plataforma de gravetos. Põe 2 ovos amarelados com manchas marrom-avermelhadas. Macho e fêmea diferem sobretudo em tamanho. Conhecido também como pavão-do-mato.

18 julho 2007

São Paulo 17 de julho de 2007

Que Deus abençoe as vítimas desta terrível tragédia e conforte seus familiares neste momento de dor.

15 julho 2007

que delícia...

Não poderia ser melhor. Depois do Brasil se sagrar hepta campeão no vôlei, na Polônia. Depois de toda incredulidade (inclusive deste humilde blogueiro) da atual seleção de futebol na Copa América, depois de toda crítica e porrada da maioria esmagadora da imprensa esportiva contra a seleção, depois de todo favoritismo dos argentinos (que com certeza joga o futebol mais bonito atualmente, talvez no mundo), depois de 90 minutos de pura adrenalina: Brasil 3 x 0 Argentina. Como diz o chato do Galvão Bueno, vencer é muito bom, mas ganhar da Argentina é muito melhor.

Os Mutantes no New York Times

Uma bela matéria assinada pelo correspondente do NYT no Brasil, Larry Rohter, comenta a trajetória e o retorno da banda que após 40 anos voltou a brindar platéias brazucas, européias e norte-americanas. Para assintantes UOL ler aqui . Se preferir ler em inglês no NYT, clique aqui

14 julho 2007

ACM

Chego em casa depois do périplo de ida e volta a SP. Afinal hoje era uma sexta-feira 13 e consegui chegar ileso. E eis que ao ler as notícias frescas do final do dia, entre vaias a Lula e outras notas, ao entrar no blog do Noblat, deparo-me com notícias acerca do estado de saúde do "nobre senador" Antonio Carlos Magalhães. É, parece que ele está indo. Mas porque não vai logo? Justo ele ? Porque não desencarna e leva de vez com ele todo o mal que tanto causou ao Brasil? Está por pouco. Espero. Como diria aquele velho provérbio que tanto amo e preservo: "Não há tempo que não chegue, nem prazo que não se cumpra". O Maluf bem que podia ser o próximo da fila.

11 julho 2007

rock brasileiro

Depois da exposição do fotógrafo Bob Gruen na Faap (que infelizmente não pude ir) retratando ícones do rock internacional, chegou a vez do rock brazuca ser visitado numa viagem de imagens, comemorando 50 anos de rock nacional no MIS SP. Dentre as fotos lá expostas, com certeza, o melhor material deve pertencer a Mário Luiz Thompson, talvez quem mais clicou a cena musical em terras tupys. Na foto, o intrépido Jorge Mautner.
Estive em várias ocasiões na casa de Mário Thompson, nas famosas tertulhas Bem Te Vi. Mas se eu pudesse, seria muito melhor poder voltar o relógio do tempo e dar de cara (e ouvidos) com os shows que aconteciam durante a década de 70.

09 julho 2007


Na data em que comemoramos 75 anos de Revolução Constitucionalista, evoco a figura de meu tio Raul Duarte, meu querido "Bico", para mais uma vez bradar, " Non ducor, duco". E por irônica coincidência, o mercado de valores fechou hoje (mesmo sendo este um feriado somente paulistano - ora vejam só) para baixar a moeda norte-americana a menos de R$ 1,90, desde 2000. Tio Raul lutou em Cruzeiro, ao 18 anos (com fuzil e tudo mais), contra as tropas de Getúlio Vargas. Mas de nada adiantou sua coragem e bravura, com a rendição dos paulistas posteriormente. Quer dizer, de nada, nem tanto. Viva São Paulo!

04 julho 2007

Um CANALHA a menos

...pelo menos até 2010.

reflexões...

Com todo respeito a quem de mim discordar: a vida anda um tremendo porre neste milênio. Tudo é muito irritante e indigesto. A imprensa anda nojenta. Os políticos, ainda mais nojentos que nunca. O futebol, uma lástima. A imprensa esportiva, um besteirol. A política internacional perpetua as hegemonias. Os pobres sem vislumbrar uma vida mais digna. Os ricos às gargalhadas - na verdade os únicos que não têm do quê reclamar - em seus banquetes ilhados pela futilidade e o mundanismo. O consumidor sucumbindo ante a truculência corporativista das grandes empresas (notadamente as prestadoras de serviços). A violência, cada vez mais bárbara. A vida nas grandes cidades, uma tortura. A natureza, agoniza. O homem, fingindo se importar.
Na arte, não é muito menos. A grana fala mais alto que a qualidade. O importante é estar bem "colocado". Não há mais o cinema "de arte". O orçamento de divulgação dos filmes é quase a metade do orçamento geral das produções. A música, aff, só porcaria. Salvam-se muito poucos na aldeia global.
Pode ser meus 50 anos sinalizando um cara ranzinza, mas que tá um porre, ah isso tá mesmo.

28 junho 2007

BOLA MORAIS

Ontem recebi a triste notícia da partida do querido "bongozero" Bola Morais. Com seu jeito irreverente e alegre, o Bola punha fogo em qualquer festa ou reunião musical na casa de meu primo Raulito. Remanescente do lendário "Novos Baianos" onde tocava percussão, Bola morava em São Paulo e depois de vários projetos, inclusive com teatro, dedicava-se ao grupo Jambrasil, onde Raulito também toca, juntamente com seu filho Luam. Percebia nele um grande carinho para comigo. Quando meu filho Pablo esteve no Brasil, fomos numa feijoada na casa do Raul para comemorar o batizado de sua filhinha Clara. O Bola foi muito carinhoso também com o Pablo e seu filho Luam mostrou-se muito amigo de meu filho. Agora estamos todos tristes com o silêncio de sua irreverência e, mais ainda, de seu inseparável (tal qual seu boné encardido) bongô. Bola, que você brilhe e alegre os palcos celestiais, tocando seu bongô imaginário, gritando e falando alto para o incômodo de "inquilinos" menos afeitos à sua loucura. E de lá do alto siga em frente, sendo um dos "Mistérios do Planeta".

14 junho 2007

vivendo ao lado do inimigo

Então agora vai ser assim. Depois da soltura relâmpago - assim é conduzida a lei (!?) neste país - do canalha que roubou os fios aqui do sítio, passarei a avistá-lo na estrada conforme me dirijo ao ao centrinho Portão ou alguma ida a Atibaia ou na volta. Como hoje, por exemplo. Lá estava ele, em companhia da sua não menos vigarista mulher (que no ato do flagrante defendia o marido dizendo que os fios haviam sido dados (!!!) por um amigo - que bonzinho este amigo, não?) . Carregava um caixa provavelmente com compras do supermercado. Quantos kilos de fios teriam sido necessários para aquele compra? Coitadinho...E eu me sentido um perfeito idiota. Estarei avistando-o como se nada houvesse o crápula causado. Pois é...agora sou obrigado a ver esta cena, ruminar toda minha indignação, e engolir a seco. Legal, né?
Pensando bem, depois de todas as tentativas de ver nosso projeto concretizado e nada acontecer, depois destes últimos acontecimentos, acho que o melhor é simplesmente dizer adeus ao Canto das Águas e mudar tudo de novo. Quem sabe isto não esteja longe de acontecer...quem sabe.

12 junho 2007

justiça de merda na república da banana

Depois do grande feito de colocarmos as mãos no canalha que roubou os fios aqui no sítio. Depois de toda dor de cabeça envolvendo o prejuízo, a insegurança e os problemas decorrentes... depois de tudo, este filho da puta ficou apenas 10 dias preso. É isso aí Brasil!!! Pra isso a justiça voa!!!
Nos EUA até a socialite Paris Hilton vai ficar mais tempo na cadeia do que este crápula.

03 junho 2007

saudades, Quicão...

Querido pai, hoje faz onze anos que você partiu e se transformou numa estrelinha radiante. Radiante como seu sorriso.
Sinto falta de suas brincadeiras, de seu bom humor inabalável, suas histórias, de sua bela voz grave...com certeza todos que o amam deve estar sentindo o mesmo.
Se você estivesse vivo veria o quão lindo é seu neto João Pedro. E tudo indica que ele puxou a você quanto ao quesito "pé-de-valsa", pois basta que qualquer música surja no ambiente para ele começar a dançar alegremente. Como você.
O rádio perdeu uma grande figura - sempre adorada por todos - mas os céus ganharam uma alma de extraordinária grandeza. Que Deus esteja sempre cuidando para que sua luz nunca se apague. Esteja você onde estiver.

02 junho 2007

raio X

5 coisas que amo:

1) minha família (mãe, mulher e filhos) e meus animais
2) dias quentes e ensolarados
3) viajar
4) fazer o que quero quando quero
5) ter dinheiro (para realizar o item 4 principalmente)

5 coisas que odeio:

1) acordar cedo no inverno
2) dias chuvosos (exceto quando faço algo muito prazeiroso pra compensar durante)
3) ficar sem grana até para pagar as contas
4) falsidade
5) hipocrisia

5 coisas que gosto:

1) ouvir discos que compõem a trilha da minha vida (principalmente anos 60 e 70)
2) comida japonesa
3) fazer um churrasco para meus amigos (modéstia à parte faço muito bem)
4) beber em meio ao um bom papo
5) ver um filme que me agrade (o que está cada vez mais raro)

5 coisas que me deixam triste:

1) brigar com minha mãe
2) não poder dar os presentes que gostaria para quem amo
3) ver meu país cada vez mais sem perspectivas positivas (alô políticos, a culpa é de vocês)
4) maus tratos com animais
5) um sonho não realizado (e são vários...)


5 coisas que gostaria (de fazer):

1) ter uma relação mais próxima e constante com meu filho Pablo
2) viver com mais conforto e sem as restrições atuais
3) poder curtir a vida cultural de São Paulo (mesmo que de vez em quando)
4) dirigir um filme de longa metragem (nem que fosse só um mas muito bem feito)
5) realizar meu projeto no canto das águas

01 junho 2007

first steps


Meu filho, que seus passos sejam firmes e determinados ao longo de sua caminhada.

30 maio 2007

crônica policial

...e não é que o caso do roubo dos fios aqui foi parar na página policial d´O ATIBAIENSE???!!!
qualquer hora eu publico a nota.

28 maio 2007

enquanto isso na Bananalândia...

O presidente do senado, Renan Calheiros conseguiu uma façanha hoje à tarde. Entupiu o plenário em plena segunda-feira para explicar - e na minha modesta opinião não convencer - as acusações da revista Veja (que eu abomino mas que às vezes acerta no alvo com precisão e procedência) sobre suas ligações perigosas com um lobbista amigo e sua assistência à ex-amante. Tudo por causa de um coito extra-conjugal com consequências imprevistas: uma filha. Realmente o poder feminino revela-se avassalador em certos casos. Vem chumbo grosso aí. Ou o nobre senador acredita cairemos na farsa deste teatro de fantoches?

26 maio 2007

crítica e indignação

O texto abaixo (bem como a ilustração) foi copiado do comentário de um bloggeiro em postagem do blog de Marcelo Tas sobre a Operação Navalha. Achei tão lúcido e contundente que achei por bem homenagear seu autor postando-o aqui.
por Roberto Sampaio (São Paulo)
As instituições todas no Brasil, e só não vê quem não quer, estão podres e fétidas há muito tempo. Estamos, mais do que nunca, sendo comandados por gangues que se instalaram no Poder e ocupam todas - eu disse todas - as suas esferas. Eu não respeito essa gente e esses simulacros de instituições que eles, com um cinismo canhestro e mal disfarçado, dirigem. Eu não respeito bandido, pois não respeito a quem não nos respeita. Estivéssemos vivendo sob a égide da civilização, e calhordas como esses que nos comandam estariam devidamente presos, estariam a pagar pelos roubos e canalhices de toda sorte que diariamente praticam bem na nossa cara. Eu, se carregasse o imundo sobrenome de qualquer um desses boçais, morreria de vergonha. Somos uma pátria dividida hoje em dia: um tanto constituída por bandidos e outro tanto por ignorantes e irremediáveis bundas-moles. Nessa pasmaceira em que nos encontramos, muito pouca coisa se salva, infelizmente. O Brasil está em franco processo de decomposição

missão cumprida (da nossa parte)

A casa caiu pro ladrão. Pois é, depois de cerca 500 metros (!!!) de fios roubados cínica e ousadamente , finalmente conseguimos. Com a inestimável ajuda do André (que identificou o ladrão dentro do sítio enquanto ele fugia levando mais um rolo de fios roubados), uma operação que envolveu uma caminhada de reconhecimento no meio do mato e a PM acionada, o cara foi preso em flagrante. Mas é bom deixar bem claro que isso só foi possível por que não só insistimos muito para a vinda da PM, como eu tive que liderar os PMs até o local (um sítio invadido!!!) onde mora esse vagabundo. Somente assim, pois numa das vezes (este cara agiu 5 vezes até que fosse descoberto) que tivemos os fios roubados, mesmo com todas as suspeitas em cima do tal fulano e dando todas as indicações sobre o local, eles (a PM) afirmaram que quando lá chegaram na casa estava fechada sem ninguém (!). Estranho isso. Será que foram mesmo ? Se tivessem ido teriam certamente encontrado a mesma evidência com que nos deparamos: a prova do crime (fios de cobre prontos para serem derretidos e posteriormente vendidos). Se essa prisão vai resolver o problema ? Com a palavra a "senhora" justiça que solta esses filhos da puta numa desproporção absurda em comparação ao feito de conseguir prendê-los. Isto por que não é casa ou o sítio deles que foi roubado. Uma coisa é certa, estou muito aliviado pelo fato de minhas suspeitas terem se confirmado. Enquanto rola o inquérito este sujeito vai pensar duas vezes antes de agir aqui dentro novamente. Já o prejuízo do roubo...

23 maio 2007

memorabilia

Hoje foi uma daqueles dias...introspectivo, chuvoso por fora e por dentro...um dia que seria perfeito pra ouvir Beatles tendo na memória muitas imagens passando na janela do trem da minha vida. Mas assistir ao dvd do show dos Mutantes em Londres (30 anos depois...) igualmente acabou resultando em cultivar bastante este meu estado d´alma. Imagens e sons que não apenas quase me fizeram chorar, por que de fato fizeram. Muitas são as lembranças e reminiscências especiais (ainda que na sua simplicidade) que às vezes até por auto-defesa tento evitar, controlando a emoção. Mas quando não tem jeito elas vêm e ocupam os labirintos do tempo. Esquecidos ou abandonados, vêm à tona e com a auto-defesa vulnerável, vão se tornando presentes na mente, tomando conta numa vontade quase involuntária de me entorpecer por elas. É uma coisa muito sagrada e guardada no velho baú virtual. Afinal, são 50 anos de arquivos armazenados no HD de meus neurônios. Aliás, por falar nisso, esse programinha (alô, Marcão te devo mais essa) recém conhecido (isohunt-torrent) foi a gota d´agua, com seus mega-arquivos repletos de sons da fauna dinossáurica do bom e velho rock (em todas as suas variantes), repaginados com tecnologia digital. Agora por exemplo enquanto escrevo, estou estourando meus ouvidos ao som de Iggy Pop & the Stooges. Uma sonzeira dos primordios do movimento punk. Ahh, quanta falta me faz minha rebeldia espontânea e inocente do passado que não volta mais. Nostalgia? Talvez... mas por que não? Isso é meio inevitável tendo eu pisado pelos caminhos que escolhi ou fui levado. Perguntei ao Bilé como ele faz pra administrar isso. Essa ausência, da vida louca agora sepultada. Esse repertório de capítulos deixado pra trás. Ele respondeu que atualmente está escrevendo. Que está registrando tudo. Talvez seja uma alternativa. Mas no meu caso, mesmo sendo um ilustre desconhecido, mais valeria ter um "ghost-writer" onde eu pudesse ficar horas narrando minhas aventuras e desventuras. É muita coisa, muito detalhe e muitas passagens ao longo dessa estrada. Brasil anos 70, Londres early 80´s. Esquece, Afonso. Você tem um moleque de 1 ano e tal. Caia na real. Eu sei que esse é o mote do momento presente, mas às vezes...bem às vezes "is just too hard to handle". Ainda bem que como bom aquariano, minha tendência é quase não olhar pra trás. Exceto em dias como o de hoje.

22 maio 2007

que porrada...

O Detran me nocauteou. Recebi 8 meses de punição por "reincidência" e assim ficarei sem poder dirigir neste período. Isto por que desta vez acumulei 7 míseros pontos (pontuação gravíssima) no meu prontuário em adição aos pontos adquiridos 5 (eu disse CINCO) anos atrás !!! Perguntei à atendente que me comunicou a punição, porque só 7 pontos dariam margem para a punição. Resposta dela: por que como reincidente esta pontuação é multiplicada por 3 resultando nos 21 pontos totais. Hummmm certo....

19 maio 2007

Salve-se quem puder !

Depois das operações Anaconda e Hurricane deflagradas pela Polícia Federal, caiu o último bastião de resistência da moralidade e da ética na vida deste país. Com o envolvimento de altos escalões do judiciário em escândalos de corrupção e formação de quadrilhas, finalmente completa-se o quadro em que o país é exposto a uma condição vergonhosa e vexatória em termos de honestidade. Aqui o que impera é a lei do cão na terra de ninguém. O negócio é roubar, roubar e roubar.
Como já foi abordado neste blog, diariamente somos entupidos com toda sorte de notícias no campo policial. Um cardápio extenso e variado de crimes que pipocam aqui e ali nos quatro cantos do país. Não bastassem os bandidos e a polícia bandida (a banda podre que disputa com os criminosos (ou a eles se alia) seu espaço no crime, sob a proteção da farda, do distintivo ou simplesmente da arma), agora temos juízes desembargadores e ministro (ou seriam ministros?) do poder judiciário querendo tirar seu quinhão no banquete (mais próprio seria chamar bacanal ou orgia) dos espertos. Não é à toa que o Maluf sempre bradou aos microfones da mídia bajuladora que nunca foi condenado das acusações e processos contra ele. Pudera! Quanto dos valores arrecadados em negociatas e superfaturamentos não teriam alimentado o caixa deste ou daquele juiz, desembargador ou ministro? Que belo Brasil é este que meu filho estará crescendo e vivendo. E quanto àqueles que dizem que não basta reclamar, que o povo (!) tem que agir, tem que se manifestar, tem que protestar e exigir que este estado de coisas seja combatido, só tenho uma coisa a dizer: esta anedota é tão velha quanto a do papagaio ou a do português.

15 maio 2007

Brinquedinhos


Já que o desarmamento são favas contadas e a polícia não age à altura para dar proteção a quem precisa, eu ficaria muito satisfeito se pudesse estar no lugar destes americanos e receber com carinho os vagabundos que andam roubando fios aqui no sítio.

13 maio 2007

A Igreja Católica e Joseph Ratzinger

Não sou praticante de nenhuma religião, preferindo um caminho próprio de tentativas (e incertezas) espiriruais. Fé é um assunto complexo para eu entender e processar. Ainda criança, apesar de viver em um país de predominância católica - religião praticada tradicionalmente por minha família - inexplicavelmente me recusei a fazer primeira comunhão. Uma atitude mais de rebeldia infantil do que qualquer outro motivo.
Como quer que seja, no final da década de 80, tive o privilégio de conhecer o franciscano frei Leonardo Boff (hoje ex-frei). Foi ele quem batizou - seguindo a tradição ou talvez num ato "pró-forma" , afinal pra filho a gente sempre deseja o melhor, no caso as bênçãos divinas - meu filho Pablo em Cajamar. Ele vestia um lindo poncho tipicamente tecido por índios guatemaltecos, com cores vibrantes e um terço grosso de madeira com crucifixo em volta do pescoço. Sua barba, menos esbranquiçada do que na foto ao lado lhe dava um ar solene e suas palavras eram ditas pausadamente - como a maioria dos padres - mas com um profundo significado nelas contido. Algum tempo depois li nos jornais que Leonardo Boff fora punido pelo Vaticano por suas idéias à frente da Teologia da Libertação. O autor da punição: Joseph Ratzinger. Desde então, nunca fui mais com a cara deste Ratzinger. E quando ele se tornou Papa foi para mim uma tremenda decepção. E uma razão a mais a reforçar minhas discordâncias entre religião e os caminhos do homem.

Segue texto de Leonardo Boff publicado na seção "Opinião" na Folha de S. Paulo de hoje.

Bento 16 e a guerra na igreja

Existem duas posições claramente opostas que, na prática, podem se entrelaçar.


LEONARDO BOFF
ESPECIAL PARA A FOLHA

As guerras não existem apenas no mundo. Dentro da igreja há também uma guerra de baixa intensidade. Ela faz muitas vítimas, com os instrumentos adequados da guerra religiosa, escondidos sob palavras, não raro, piedosas e espirituais. Só para dar um exemplo pessoal: quando fui condenado pelo então cardeal Joseph Ratzinger em 1985 por causa do meu livro "Igreja: carisma e poder", foi-me imposto o que ele denominou de "silêncio obsequioso". Esse eufemismo implicava muita violência: deposição de cátedra, remoção de editor religioso da Vozes, da redação da "Revista Eclesiástica Brasileira", proibição severa de falar, dar entrevistas, escrever e publicar sobre qualquer assunto. Objetivamente "obsequioso" não possui nada de obsequioso. O mesmo ocorreu com o teólogo da libertação Jon Sobrino, de El Salvador, condenado em fevereiro deste ano. Recebeu apenas uma "notificação". Esta inocente palavra, "notificatio", esconde violência porque ele não pode mais falar, nem dar aulas, conceder entrevistas e acompanhar qualquer trabalho pastoral. O vitimado por uma condenação é "moralmente" morto, pois vem colocado sob suspeita geral, tolhido, isolado e psicologicamente submetido a graves transtornos, o que levou a alguns a terem neuroses e a um deles, famoso, perseguido por idéias de suicídio. Nós fomos, no mínimo, caçados e anulados, pois um teólogo possui apenas como instrumento de trabalho a palavra escrita e falada. E estas lhe foram seqüestradas, coisa que conhecemos das ditaduras militares. O que foi escrito acima parece irrelevante, pois é algo pessoal, mas não deixa de ser ilustrativo da guerra religiosa vigente dentro da Igreja. Nela o então cardeal Ratzinger era general. Hoje como papa é o comandante em chefe. Qual é este embate? É importante referi-lo para entender palavras e advertências do papa e a partir de que modelo de teologia e de Igreja constrói o seu discurso. Dito de uma forma simplificadora, mas real: há na igreja duas opções claramente opostas, o que não impede que, na prática, possam se entrelaçar. Face ao mundo, à cultura e à sociedade há a atitude de confronto ou de diálogo. A partir da Reforma no século 16 predominou na Igreja Católica romana a atitude de confronto: primeiro com as Igrejas protestantes (evangélicas) e depois com a modernidade. Face à Reforma houve excomunhões, e face à modernidade, anátemas e condenações de coisas que nos parecem até risíveis: contra a ciência, a democracia, os direitos humanos, a industrialização. A Igreja se havia transformado numa fortaleza contra as vagas de reformismo, secularismo, modernismo e relativismo. Missão da igreja, segundo esse modelo do confronto, é testemunhar as verdades eternas, anunciar a Cristo como o único Redentor da humanidade e a Igreja sua única e exclusiva mediadora, fora da qual não há salvação. Em seu documento de 2000, Dominus Jesus, o cardeal Ratzinger reafirma tal visão com a máxima clareza e laivos de fundamentalismo. Tudo é centralizado no Cristo. Esta atitude belicosa predominou até os anos 60 do século passado quando foi eleito um papa ancião, quase desconhecido, mas cheio de coração e bom senso, João 23. Seu propósito era passar do anátema ao diálogo. Quis escancarar as portas e janelas da Igreja para arejá-la. Considerava blasfêmia contra o Espírito Santo imaginar que os modernos só pensam erros e praticam o mal. Há bondade no mundo, como há maldade na Igreja. Importa é dialogar, intercambiar e aprender um do outro. A Igreja que evangeliza deve ela mesma ser evangelizada por tudo aquilo que de bom, honesto, verdadeiro e sagrado puder ser identificado na história humana. Deus mesmo chega sempre antes do missionário, pois o Espírito Criador sopra onde quiser e está sempre presente nas buscas humanas suscitando bondade, justiça, compaixão e amor em todos. A figura do Espírito ganha centralidade. Fruto da opção pelo diálogo foi o Concílio Vaticano 2º (1962-1965), que representou um acerto de contas com a Reforma pelo ecumenismo e com a modernidade pelo mútuo reconhecimento e pela colaboração em vista de algo maior que a própria Igreja, uma humanidade mais dignificada e uma Terra mais cuidada. Este "aggiornamento" trouxe grande vitalidade em toda a Igreja, especialmente na América Latina, que criou espaço para aquilo que se chamou de Igreja da base ou da libertação e da Teologia da Libertação. Mas acirrou também as frentes. Grupos conservadores, especialmente incrustados na burocracia do Vaticano, conseguiram se articular e organizaram um movimento de restauração, de volta à grande tradição. Este grupo foi enormemente reforçado sob João Paulo 2º, que vinha da resistência polonesa ao marxismo. Chamou como braço direito e principal conselheiro, seu amigo, o teólogo Joseph Ratzinger, elevando-o diretamente ao cardinalato e fazendo-o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, a ex-Inquisição. Aí se processou de forma sistemática, vinda de cima, uma verdadeira Contra-Reforma Católica. O próprio cardeal Ratzinger no seu conhecido "Rapporto sulla fede", de 1985, um verdadeiro balanço da fé, dizia claramente: "A restauração que propiciamos busca um novo equilíbrio depois dos exageros e de uma abertura indiscriminada ao mundo". Ele elaborou teologicamente a opção pelo confronto a partir de sua formação de base, o agostinismo, sobre o qual fez duas teses minuciosamente trabalhadas. Notoriamente Santo Agostinho opera um dualismo na visão do mundo e da Igreja. Por um lado está a cidade de Deus e por outro a cidade dos homens, por uma parte a natureza decaída e por outra, a graça sobrenatural. O Adão decaído não pode redimir-se por si mesmo, seja pelo trabalho religioso e ético (heresia do pelagianismo) seja por seu empenho social e cultural. Precisa do Redentor. Ele se continua e se faz presente pela Igreja, sem a qual nada ganha altura sobrenatural e se salva. Em razão desta chave de leitura, o papa Bento 16 se confronta com a modernidade, vendo nela a arrogância do homem buscando sua emancipação por próprias forças. Por mais valores que ela possa apresentar, não são suficientes, pois não alcançam o nível sobrenatural, único caráter realmente emancipador. Nela vê mais que tudo secularismo, materialismo e relativismo. Essa é também sua dificuldade com a Teologia da Libertação. A libertação social, econômica e política que pretendemos, segundo ele, não é verdadeira libertação, porque não passa pela mediação do sobrenatural. Para concluir, se o atual papa tivesse assumido uma teologia do Espírito, coisa ausente em sua produção teológica, teria uma leitura menos pessimista da modernidade. No atual momento se dá o forte embate entre essas duas opções. A Igreja latino-americana pende mais pela opção do diálogo. Esta é mais adequada à cultura brasileira que não é fundamentalista nem dogmática, mas profundamente relacional e dialogal com todas as correntes espirituais. Somos naturalmente sincréticos na convicção de que em todos os caminhos espirituais há bondade para além dos desvios e que, definitivamente, tudo acaba em Deus. Não parece ser esta a opção de Bento 16: seus discursos enfatizam a construção da Igreja em sua forte identidade para que seu testemunho seja vigoroso e possa levar valores perenes a um mundo carente deles, como se viu claramente em seu discurso aos bispos brasileiros na catedral de São Paulo. Essa Igreja é necessariamente de poucos, coisa reafirmada pelo teólogo Ratzinger em muitas de suas obras. Mas esses poucos devem ser santos, zelosos e comprometido com a missão de orientar e conduzir os muitos, sem se deixar contaminar por eles e pelo mundo. Ocorre que esses poucos nem sempre são bons. Haja vista os padres pedófilos. Por isso, a Igreja precisa renunciar a certa arrogância, ser mais humilde e confiar que o Espírito e o Cristo cósmico dirijam seus passos e os da humanidade por caminhos com sentido e vida.



LEONARDO BOFF é teólogo da libertação e escritor. Em 1985, foi condenado pelo então cardeal Joseph Ratzinger ao "silêncio obsequioso".


Para saber mais sobre a vida de Leonardo Boff e a Teologia da Libertação clique aqui.

08 maio 2007

Lord Ganesh

Ganesh é lindo! Que ele remova todo e qualquer obstáculo em seu caminho para sempre!

03 maio 2007

Justiça ? Que justiça ? Lei ? Que lei ?


Hoje, devido aos últimos acontecimentos aqui em casa, a única vontade que tenho é de me armar até "os dentes" e me transformar no "exterminador das montanhas". E fazer justiça com minha ética revisionista. A justiça e a lei estão abaixo daquilo que a sociedade do bem espera destas instituições. Se eu pudesse...ah se eu pudesse.

02 maio 2007

"Limite" de Mário Peixoto


Um dos filmes que mais mexeu com a minha cabeça foi o inquietante "Limite". Filmado em 1930 pelo extravagante cineasta Mário Peixoto, o filme se tornou uma verdadeira lenda do cinema brasileiro. Tão lendário quanto ao famoso comentário do cineasta russo Sergei Eisenstein sobre o filme - que uns dizem ser um factóide plantado pela genialidade de Peixoto e outros dizem ser um depoimento verdadeiro. De minha parte fico com a segunda versão, pois tive a oportunidade de achar uma microfilmagem deste depoimento na biblioteca do BFI (British Film Institute) em Londres, lá pelos anos 80 quando vivia na "Ilha do Norte". O que importa é que "Limite" é um filme sufocante, delirante e muito, muito estranho. Enquadramentos ousados, fotografia sensível, trama enigmática. "Limite" foi praticamente o responsável por eu ter decidido estudar cinema - juntamente com aspecto o estético-político do Cinema Novo. Que saudades dos filme de autor. Hoje em dia cinema é praticamente só entretenimento.

Depois dos Blues Brothers...



...The Blues Cousins, diretamente das montanhas