23 maio 2007
memorabilia
22 maio 2007
que porrada...
19 maio 2007
Salve-se quem puder !
Como já foi abordado neste blog, diariamente somos entupidos com toda sorte de notícias no campo policial. Um cardápio extenso e variado de crimes que pipocam aqui e ali nos quatro cantos do país. Não bastassem os bandidos e a polícia bandida (a banda podre que disputa com os criminosos (ou a eles se alia) seu espaço no crime, sob a proteção da farda, do distintivo ou simplesmente da arma), agora temos juízes desembargadores e ministro (ou seriam ministros?) do poder judiciário querendo tirar seu quinhão no banquete (mais próprio seria chamar bacanal ou orgia) dos espertos. Não é à toa que o Maluf sempre bradou aos microfones da mídia bajuladora que nunca foi condenado das acusações e processos contra ele. Pudera! Quanto dos valores arrecadados em negociatas e superfaturamentos não teriam alimentado o caixa deste ou daquele juiz, desembargador ou ministro? Que belo Brasil é este que meu filho estará crescendo e vivendo. E quanto àqueles que dizem que não basta reclamar, que o povo (!) tem que agir, tem que se manifestar, tem que protestar e exigir que este estado de coisas seja combatido, só tenho uma coisa a dizer: esta anedota é tão velha quanto a do papagaio ou a do português.
15 maio 2007
Brinquedinhos
Já que o desarmamento são favas contadas e a polícia não age à altura para dar proteção a quem precisa, eu ficaria muito satisfeito se pudesse estar no lugar destes americanos e receber com carinho os vagabundos que andam roubando fios aqui no sítio.
13 maio 2007
A Igreja Católica e Joseph Ratzinger
Não sou praticante de nenhuma religião, preferindo um caminho próprio de tentativas (e incertezas) espiriruais. Fé é um assunto complexo para eu entender e processar. Ainda criança, apesar de viver em um país de predominância católica - religião praticada tradicionalmente por minha família - inexplicavelmente me recusei a fazer primeira comunhão. Uma atitude mais de rebeldia infantil do que qualquer outro motivo.Como quer que seja, no final da década de 80, tive o privilégio de conhecer o franciscano frei Leonardo Boff (hoje ex-frei). Foi ele quem batizou - seguindo a tradição ou talvez num ato "pró-forma" , afinal pra filho a gente sempre deseja o melhor, no caso as bênçãos divinas - meu filho Pablo em Cajamar. Ele vestia um lindo poncho tipicamente tecido por índios guatemaltecos, com cores vibrantes e um terço grosso de madeira com crucifixo em volta do pescoço. Sua barba, menos esbranquiçada do que na foto ao lado lhe dava um ar solene e suas palavras eram ditas pausadamente - como a maioria dos padres - mas com um profundo significado nelas contido. Algum tempo depois li nos jornais que Leonardo Boff fora punido pelo Vaticano por suas idéias à frente da Teologia da Libertação. O autor da punição: Joseph Ratzinger. Desde então, nunca fui mais com a cara deste Ratzinger. E quando ele se tornou Papa foi para mim uma tremenda decepção. E uma razão a mais a reforçar minhas discordâncias entre religião e os caminhos do homem.
Segue texto de Leonardo Boff publicado na seção "Opinião" na Folha de S. Paulo de hoje.
Bento 16 e a guerra na igreja
Existem duas posições claramente opostas que, na prática, podem se entrelaçar.
LEONARDO BOFF
ESPECIAL PARA A FOLHA
As guerras não existem apenas no mundo. Dentro da igreja há também uma guerra de baixa intensidade. Ela faz muitas vítimas, com os instrumentos adequados da guerra religiosa, escondidos sob palavras, não raro, piedosas e espirituais. Só para dar um exemplo pessoal: quando fui condenado pelo então cardeal Joseph Ratzinger em 1985 por causa do meu livro "Igreja: carisma e poder", foi-me imposto o que ele denominou de "silêncio obsequioso". Esse eufemismo implicava muita violência: deposição de cátedra, remoção de editor religioso da Vozes, da redação da "Revista Eclesiástica Brasileira", proibição severa de falar, dar entrevistas, escrever e publicar sobre qualquer assunto. Objetivamente "obsequioso" não possui nada de obsequioso. O mesmo ocorreu com o teólogo da libertação Jon Sobrino, de El Salvador, condenado em fevereiro deste ano. Recebeu apenas uma "notificação". Esta inocente palavra, "notificatio", esconde violência porque ele não pode mais falar, nem dar aulas, conceder entrevistas e acompanhar qualquer trabalho pastoral. O vitimado por uma condenação é "moralmente" morto, pois vem colocado sob suspeita geral, tolhido, isolado e psicologicamente submetido a graves transtornos, o que levou a alguns a terem neuroses e a um deles, famoso, perseguido por idéias de suicídio. Nós fomos, no mínimo, caçados e anulados, pois um teólogo possui apenas como instrumento de trabalho a palavra escrita e falada. E estas lhe foram seqüestradas, coisa que conhecemos das ditaduras militares. O que foi escrito acima parece irrelevante, pois é algo pessoal, mas não deixa de ser ilustrativo da guerra religiosa vigente dentro da Igreja. Nela o então cardeal Ratzinger era general. Hoje como papa é o comandante em chefe. Qual é este embate? É importante referi-lo para entender palavras e advertências do papa e a partir de que modelo de teologia e de Igreja constrói o seu discurso. Dito de uma forma simplificadora, mas real: há na igreja duas opções claramente opostas, o que não impede que, na prática, possam se entrelaçar. Face ao mundo, à cultura e à sociedade há a atitude de confronto ou de diálogo. A partir da Reforma no século 16 predominou na Igreja Católica romana a atitude de confronto: primeiro com as Igrejas protestantes (evangélicas) e depois com a modernidade. Face à Reforma houve excomunhões, e face à modernidade, anátemas e condenações de coisas que nos parecem até risíveis: contra a ciência, a democracia, os direitos humanos, a industrialização. A Igreja se havia transformado numa fortaleza contra as vagas de reformismo, secularismo, modernismo e relativismo. Missão da igreja, segundo esse modelo do confronto, é testemunhar as verdades eternas, anunciar a Cristo como o único Redentor da humanidade e a Igreja sua única e exclusiva mediadora, fora da qual não há salvação. Em seu documento de 2000, Dominus Jesus, o cardeal Ratzinger reafirma tal visão com a máxima clareza e laivos de fundamentalismo. Tudo é centralizado no Cristo. Esta atitude belicosa predominou até os anos 60 do século passado quando foi eleito um papa ancião, quase desconhecido, mas cheio de coração e bom senso, João 23. Seu propósito era passar do anátema ao diálogo. Quis escancarar as portas e janelas da Igreja para arejá-la. Considerava blasfêmia contra o Espírito Santo imaginar que os modernos só pensam erros e praticam o mal. Há bondade no mundo, como há maldade na Igreja. Importa é dialogar, intercambiar e aprender um do outro. A Igreja que evangeliza deve ela mesma ser evangelizada por tudo aquilo que de bom, honesto, verdadeiro e sagrado puder ser identificado na história humana. Deus mesmo chega sempre antes do missionário, pois o Espírito Criador sopra onde quiser e está sempre presente nas buscas humanas suscitando bondade, justiça, compaixão e amor em todos. A figura do Espírito ganha centralidade. Fruto da opção pelo diálogo foi o Concílio Vaticano 2º (1962-1965), que representou um acerto de contas com a Reforma pelo ecumenismo e com a modernidade pelo mútuo reconhecimento e pela colaboração em vista de algo maior que a própria Igreja, uma humanidade mais dignificada e uma Terra mais cuidada. Este "aggiornamento" trouxe grande vitalidade em toda a Igreja, especialmente na América Latina, que criou espaço para aquilo que se chamou de Igreja da base ou da libertação e da Teologia da Libertação. Mas acirrou também as frentes. Grupos conservadores, especialmente incrustados na burocracia do Vaticano, conseguiram se articular e organizaram um movimento de restauração, de volta à grande tradição. Este grupo foi enormemente reforçado sob João Paulo 2º, que vinha da resistência polonesa ao marxismo. Chamou como braço direito e principal conselheiro, seu amigo, o teólogo Joseph Ratzinger, elevando-o diretamente ao cardinalato e fazendo-o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, a ex-Inquisição. Aí se processou de forma sistemática, vinda de cima, uma verdadeira Contra-Reforma Católica. O próprio cardeal Ratzinger no seu conhecido "Rapporto sulla fede", de 1985, um verdadeiro balanço da fé, dizia claramente: "A restauração que propiciamos busca um novo equilíbrio depois dos exageros e de uma abertura indiscriminada ao mundo". Ele elaborou teologicamente a opção pelo confronto a partir de sua formação de base, o agostinismo, sobre o qual fez duas teses minuciosamente trabalhadas. Notoriamente Santo Agostinho opera um dualismo na visão do mundo e da Igreja. Por um lado está a cidade de Deus e por outro a cidade dos homens, por uma parte a natureza decaída e por outra, a graça sobrenatural. O Adão decaído não pode redimir-se por si mesmo, seja pelo trabalho religioso e ético (heresia do pelagianismo) seja por seu empenho social e cultural. Precisa do Redentor. Ele se continua e se faz presente pela Igreja, sem a qual nada ganha altura sobrenatural e se salva. Em razão desta chave de leitura, o papa Bento 16 se confronta com a modernidade, vendo nela a arrogância do homem buscando sua emancipação por próprias forças. Por mais valores que ela possa apresentar, não são suficientes, pois não alcançam o nível sobrenatural, único caráter realmente emancipador. Nela vê mais que tudo secularismo, materialismo e relativismo. Essa é também sua dificuldade com a Teologia da Libertação. A libertação social, econômica e política que pretendemos, segundo ele, não é verdadeira libertação, porque não passa pela mediação do sobrenatural. Para concluir, se o atual papa tivesse assumido uma teologia do Espírito, coisa ausente em sua produção teológica, teria uma leitura menos pessimista da modernidade. No atual momento se dá o forte embate entre essas duas opções. A Igreja latino-americana pende mais pela opção do diálogo. Esta é mais adequada à cultura brasileira que não é fundamentalista nem dogmática, mas profundamente relacional e dialogal com todas as correntes espirituais. Somos naturalmente sincréticos na convicção de que em todos os caminhos espirituais há bondade para além dos desvios e que, definitivamente, tudo acaba em Deus. Não parece ser esta a opção de Bento 16: seus discursos enfatizam a construção da Igreja em sua forte identidade para que seu testemunho seja vigoroso e possa levar valores perenes a um mundo carente deles, como se viu claramente em seu discurso aos bispos brasileiros na catedral de São Paulo. Essa Igreja é necessariamente de poucos, coisa reafirmada pelo teólogo Ratzinger em muitas de suas obras. Mas esses poucos devem ser santos, zelosos e comprometido com a missão de orientar e conduzir os muitos, sem se deixar contaminar por eles e pelo mundo. Ocorre que esses poucos nem sempre são bons. Haja vista os padres pedófilos. Por isso, a Igreja precisa renunciar a certa arrogância, ser mais humilde e confiar que o Espírito e o Cristo cósmico dirijam seus passos e os da humanidade por caminhos com sentido e vida.
LEONARDO BOFF é teólogo da libertação e escritor. Em 1985, foi condenado pelo então cardeal Joseph Ratzinger ao "silêncio obsequioso".
Para saber mais sobre a vida de Leonardo Boff e a Teologia da Libertação clique aqui.
08 maio 2007
03 maio 2007
Justiça ? Que justiça ? Lei ? Que lei ?

02 maio 2007
"Limite" de Mário Peixoto

Um dos filmes que mais mexeu com a minha cabeça foi o inquietante "Limite". Filmado em 1930 pelo extravagante cineasta Mário Peixoto, o filme se tornou uma verdadeira lenda do cinema brasileiro. Tão lendário quanto ao famoso comentário do cineasta russo Sergei Eisenstein sobre o filme - que uns dizem ser um factóide plantado pela genialidade de Peixoto e outros dizem ser um depoimento verdadeiro. De minha parte fico com a segunda versão, pois tive a oportunidade de achar uma microfilmagem deste depoimento na biblioteca do BFI (British Film Institute) em Londres, lá pelos anos 80 quando vivia na "Ilha do Norte". O que importa é que "Limite" é um filme sufocante, delirante e muito, muito estranho. Enquadramentos ousados, fotografia sensível, trama enigmática. "Limite" foi praticamente o responsável por eu ter decidido estudar cinema - juntamente com aspecto o estético-político do Cinema Novo. Que saudades dos filme de autor. Hoje em dia cinema é praticamente só entretenimento. 24 abril 2007
17 abril 2007
esperando Godot

09 abril 2007
06 abril 2007
31 março 2007
Henry Sobel
http://blogdojuca.blog.uol.com.br/index.html
28 março 2007
Canto das Águas
27 março 2007
Tio Marcão
a escolha certa
Amanhã completamos exatamente 4 anos que saímos de São Paulo para viver aqui nas montanhas de Atibaia. Nesse período superamos com bravura vários problemas e ainda não alcançamos o principal objetivo que nos trouxe para cá. Com certeza o nascimento do João Pedro resulta no mais puro presente que simboliza nossa caminhada neste período. E observando o céu de São Paulo quando nos dirigíamos para lá no último sábado, uma densa nuvem ambar escuro era impressionantemente destacada na 'paisagem' quando avistamos a cidade, ainda na estrada. Tudo bem que SP possui seus serviços, vida cultural e gastronomia de fartura e qualidade indiscutíveis. Mas a cada despertar em meio à natureza nesta tranquila Atibaia, percebemos o quanto a mudança trouxe recompensas que tornaram nossa decisão um maravilhoso trunfo de saúde e qualidade de vida. 19 março 2007
13 março 2007
08 março 2007
fuck bush
04 março 2007
03 março 2007
legalize já

São golpes de vários estilos, assaltos de todos os tipos, sequestros, latrocínios em larga escala e tudo mais. Infelizmente o país vem alimentando cada vez mais ao longo de décadas - senão séculos - sua velha vocação para o "jeitinho", a maracutaia, a "esperteza", a vantagem sobre o outro, as jogadas (especialmente as políticas) e toda sorte de truques, que fazem de boa parte da população praticantes de uma ética (?) sem caráter. Se em Macunaíma, Mário de Andrade identificava o personagem símbolo do herói sem caráter, o que vemos diariamente em nosso país é um menu de ações ligadas ao crime que parece não ter fim nem limite. Se eu fosse aqui listar o que sai na mídia, teria que criar outro blog para dar conta, tal o volume do que se tem notícia.
Já fui muito a favor de direitos humanos, mas hoje o que precisamos preservar são os direitos civis da população do bem, que trabalha e estuda e não fica enchendo a cara em botequins planejando a próxima vítima.
Urge que se faça uma reforma estrutural em todos os escalões por onde passa esta questão (poder judiciário, código penal, papel das polícias e o treinamento de seus quadros, o lado social dando-se a inadiável ênfase na educação, entre outros aspectos importantes), pondo um fim ou pelo menos combatendo de forma eficaz o estado de coisas a que estamos todos sujeitos. Começando pela reforma moral.
02 março 2007
coração dividido


01 março 2007
27 fevereiro 2007
Madeeeeeeira !!!
Começou a operação de derrubada dos pinheiros aqui. Cada tronco de cerca 25 metros em média e grossura na base de diâmetro impressionante. O estrondo da cada queda mais parece um bombardeio aéreo. Estou vendo e sentindo o quanto anos de crescimento destas gigantes sucumbem ante a inapelável ação predadora de uma motoserra. É bom esclarecer, para quem não leu um post passado sobre o assunto, que estes pinus acabaram se tornando uma ameaça assustadora à nossa segurança. Para compensar a retirada, faremos uma espécie de manejo florestal plantando mudas nativas de porte médio/pequeno, que trarão colorido, mais pássaros (a resina destes pinheiros é letal para os pássaros) e irão recompor a encosta do açude. Por outro lado está maravilhoso sentir o aroma silvestre que sai das árvores conforme são cortadas. Um perfume realmente mágico que se funde ao aroma da mata.
26 fevereiro 2007
Better late than never.

Finalmente!!! Neste madrugada, os responsáveis - na verdade um sistema onde um colegiado de questionável competência a partir da importância de sua responsabilidade - corrigiram um erro de muitos anos de injustiça. Martin Scorsese ganhou seu primeiro Oscar. Com certeza Robert de Niro deve estar muito feliz. E quem sabe, Glauber Rocha também.24 fevereiro 2007
18 fevereiro 2007
16 fevereiro 2007
filhos
Eu não sou otário
Tendo que resolver o assunto "renovação de carteira de habilitação", percebi que graças à famigerada questão da burocracia, um dia de cão estava à minha espera.
Primeiro soube - dias atrás - que por morar em Atibaia, mas tendo minha carteira originalmente emitida em São Paulo eu teria que optar por transferir o documento ou fazer a renovação em São Paulo. Segundo, que isto incluiria também a necessidade de que o exame médico (!!!) também fosse no mesmo local onde a carteira será renovada.
Aproveitei o final de um trabalho e decidi dormir em SP para que no dia seguinte fizesse o périplo como um simples cidadão. Sem os já manjados serviços de despachante - este ser que, tal qual o ambiente de cartórios se beneficia de nomeações, credenciamentos e certas maracutaias.
Manhã ensolarada anunciando um dia de calor infernal, lá fui eu ao local do exame médico. Taxa de R$ 47,00 para um exame de uma banalidade absurda. O médico parecia uma múmia, mas como não fui reprovado no quesito visão (apesar de que em exames anteriores ter sido recomendado uso de óculos para mim), acabei até contando piadas para o Dr. Mabuse (como o filme de Fritz Lang). Essa história de exame médico credenciado deve ser também uma tremenda boquinha com vantagens a quem credencia e quem é credenciado. Já imaginou um local que só lá o exame é aceito e reconhecido pelas autoridades do município. Imaginem quantos motoristas tem em SP e quantas destas biroscas?
Sai de lá e fui direto para este verdadeiro templo de desconfiança onde o fedor da corrupção é sentido em cada corredor, guichê ou balcão: o Detran.
O objetivo da minha missão era marcar a prova escrita para (juntamente com o exame médico) me dirigir então com os resultados na mão ao Poupatempo num outro dia.
Ao me dirigir ao balcão de informação sobre marcação da prova escrita, a atendente (uma negona até simpática com olhos daqueles em que a pálpebra fica bem abaixo da linha da pupila, o que transmite uma sensação de calma ou preguiça, dependendo de como ela te trata) logo foi dizendo que, como eu tinha uma pontuação de falta gravíssima (7 pontos), eu não poderia marcar a prova escrita e sim teria que me dirigir ao setor de pontuação. Porém, ela me alertou para que eu não entregasse minha carta lá, pois corria o risco de tê-la apreendida (renovação com pontuação). Veja só o ambiente acolhedor em que o reles cidadão é envolvido.
Chegando no quarto andar, entro na sala de pontuação e pego uma senha de número 661, sendo que no painel o número da vez mostrava 660. Nada mal, a sala quase vazia. Enquanto eu esperava minha chamada, duas plaquetas alertavam a proibição (!!!!!!!) de se entrar no local reservado trajando bermuda, camiseta regata e boné (!!!!!!!). Resquícios inconfundíveis dos tempos da ditadura. Sim por que, eu pergunto, qual o problema de alguém estar usando um boné ????? Isto é desrespeito ????? Para não me considerar implicante tirei o meu e via que várias pessoas - na maioria homens - paravam nos tais guichês sem porra nehuma de senha e conversavam ou pediam informações aos atendentes. Após alguns minutos (20 talvez?) de espera, um cara que passava disse me olhando: " É uma boa você chegar até o guichê, pois nem sempre eles chamam a pessoa". Hummmmm sei sei...que merda hein?
Quando me aproximei a um dos 3 guichês, uma senhora mal encarada pra caramba, perguntei se a senha valia alguma coisa. Ela respondeu que "depende...já estava quase no final do expediente. Me atendeu mal pra caramba e o resultado foi de que eu precisaria escrever uma defesa e só então saberia do delegado o veredictum. E a prova escrita? Ahhhh isso só depois de resolvida a defesa. Talvez você tenha que fazer o curso de reciclagem.
Saí de lá atônito e ainda atordoado liguei para um....despachante que conhecia de SP. O cara do outro lado da linha passou o preço do servicinho da defesa: R$ 1.500,00. E ainda disse que era assunto melhor para conversar pessoalmente. Certo...disse eu.
Liguei em seguida para o...despachante de Atibaia que achou um absurdo isso e me assegurou que lá o serviço era sem esta obscenidade de cobrança.
Resultado: farei a renovação via Atibaia e para isso terei que transferir minha carta. Detalhe: nada me garante que o exame médico que fiz tenha validade no outro município - apesar das camaradagens locais.
Realmente é uma bosta ser cidadão neste país.
08 fevereiro 2007
04 fevereiro 2007
28 janeiro 2007
19 janeiro 2007
2 em 1


E neste 2007 lá se vão vinte e seis anos que cravei meus pés nos campos da ilha do norte. Ou mais específicamente em Londontown. Início de uma etapa de vida pra lá de transformadora, que durou 4 lindos/loucos anos. Foi lá também que, quase um ano após minha chegada, fiquei sabendo que a música brasileira perdia a voz de sua intérprete maior. Sinto muito a falta da personalidade musical que foi a Elis - insubstituível por natureza. E muitas, muuuuuuitas saudades de Londres.
14 janeiro 2007
Lei de Murphy
31 dezembro 2006
Raça Humana
Basta ler a biografia recente de Saddam para se chegar à conclusão do quão incoerente é o comportamento humano - culminando com sua execução - assim como o quanto manipuladora foi a postura dos EUA em relação ao ditador. Enquanto este lhe foi conveniente e aliado - inclusive gastando altas somas comprando toda sorte de armamentos da industria bélica norte-americana - Saddam era "amigo" e parceiro. Mas bastou que sua rota desviasse do interesse ianque para que seu destino fosse selado. Na impossibilidade de eliminar Bin laden, Bush escolheu Saddam como símbolo do mal a ser aniquilado. Após várias inspeções internacionais, ficou provado que o motivo que originou a invasão americana foi totalmente infundado: armas químicas.
A morte de Pinochet causou alívio em muita gente (e teve gente que confundiu alívio com comemoração), mas esta foi natural, respeitando o que foi traçado pelo poder divino superior. Já a de Saddam foi arquitetada e executada ante a mão de ferro liderada por Bush. O que acabou transformando o tirano em mártir, inclusive por ter sido executado no dia do perdão da religião muçulmana.
Todas as declarações de líderes da comunidade política internacional publicadas na imprensa são unânimes em condenar a rapidez e a forma adotada como punição a Saddam. As consequências são absolutamente imprevisíveis no mundo árabe. Como escreveu o jornalista Josias de Souza em seu blog: se os americanos tiverem sorte, os atentados ficarão restritos ao território iraquiano. Se tiverem azar...
30 dezembro 2006
29 dezembro 2006
Braguinha
27 dezembro 2006
Raio X do B II
O bem que Lula faz ao Brasil QUANDO O o ainda esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, então 57 anos, ganhou a eleição de 2002, o dólar já havia subido 61% no ano, batendo em R$ 3,73. O risco-país tinha inchado 114% -a 1.765 pontos-, e a Bolsa, despencado 28%, a 10 mil pontos. Quatro anos depois, com novo mandato garantido, a Bolsa chega ao recorde de 43 mil pontos, o risco cai a inéditos 198, e o dólar estanca em R$ 2,15. O mercado não perdoa, e os números não mentem: Lula presidente faz bem ao Brasil. Se, nos próximos quatro anos, Lula não desviar muito da fórmula nada inovadora de "pai dos pobres, mãe dos ricos", estaremos em 2011 muito melhores que em 2003. Os dados macroeconômicos nunca estiveram tão bons, e por mais que possam ser tributados ao róseo cenário externo, é bom lembrar da ilimitada capacidade autodestrutiva deste grande país. Mas Lula, auxiliado por Antonio Palocci e Henrique Meirelles, soube conter com sabedoria sexagenária a sanha "esquerdista" de outros auxiliares. E, para muito além dos superlativos econômicos, talvez a maior conquista lulista tenha sido zerar a perigosa conta política que o Brasil tinha a acertar com nossa imensa população miserável. Um governo "socialista" era inevitável no injusto Brasil. E, olhando para a Venezuela e a Bolívia, é fácil concluir que a conta está saindo barata. O lado "esquerdista" de Lula restringe-se à elogiada intensificação das transferências de renda aos mais pobres, via programas sociais e também priorizando aumentos reais do salário mínimo -em detrimento do controle aéreo, por exemplo. Sob Lula, a vexatória desigualdade social brasileira continuou vexatória, mas recuou mais que sob seu antecessor. Outro mérito: Lula no poder passa à população de baixa renda a (falsa) impressão de que a democracia neste país funciona. Afinal, um operário de pouca instrução hoje comanda o Brasil e, na mão de um bom marqueteiro, pode-se dizer que o faz em nome dos pobres. A sombra da "esquerda" saiu dos cálculos econométricos, barateando o crédito: é difícil agora vislumbrar uma força política anticapitalista chegando ao poder, ameaçando propriedades e contratos. Não se está dizendo que Lula resolveu os problemas brasileiros nem que seu governo merece nota dez. Lula poderia ter feito muito mais. Em todos os campos. Talvez tenhamos até regredido na questão da corrupção. Mas, mérito ou não de Lula, é inegável que há muito mais gente sendo investigada hoje do que nos oito anos de FHC. O que Lula fez, com certeza, foi superar em muito a expectativa de que iria implodir o Brasil. Pelo contrário, avançamos. (Folha de S. Paulo 27/12/06)
por SÉRGIO MALBERGIER, editor de Dinheiro .
histórias

E pensar que um dia, no final dos anos 80, o acaso faria com que eu me deparasse com a lendária figura de James Brown, encostado do lado de fora de uma enorme limusine branca no aeroporto de Guarulhos. Ocasião em que troquei algumas palavras com ele e, horas mais tarde, meu queixo estaria grudado no palco do "falecido" Palace, em Moema, para que eu visse, ouvisse e dançasse ao som daquele gênio da soul music.
21 dezembro 2006
Raio X do B
Devagar e sempre e devagarFAZ 25 ANOS que o Brasil é um país travado. Assim continuará até que uma crise cataclísmica resolva impasses políticos que adiam, sine die, a solução decisiva de conflitos sobre a redistribuição de fundos públicos (dinheiro de tributos) e a regulação do mercado. O dia de ontem foi mais uma caricatura desse impasse contínuo. Lula, parece, vai conceder mais um aumento real de salário mínimo, que será acompanhado de um desconto de impostos para as classe média e alta. Com o aumento dos servidores, que ainda terá impacto no ano que vem, mais o crescimento vegetativo das folhas de pagamento do funcionalismo e do INSS etc., o aumento de arrecadação de 2007 já está quase empatado no gasto novo. Para não ocorrer o empate, seria necessário cortar (ou conter o gasto, em proporção do PIB) em outras áreas: investimento, educação, custeio ("choque de gestão"). Mas Lula 2 não aumentaria o investimento público? Não vai aumentar o dinheiro para a educação básica (embora já queiram empurrar o aumento do Fundeb, o dinheiro da escola dos meninos pobres, para 2008)? A conta de Lula 2 pode ser fechada se o superávit primário cair. Mas então a dívida pública cairia mais devagar; a taxa de juro básica e a conta de juros pagos sobre a dívida cairiam mais devagar também. Como o impacto da prevista redução de impostos sobre investimentos privados será marginal, se não for apenas embolsada, e como o investimento público não crescerá muito (0,3% do PIB, com muita sorte), nenhum indicador decisivo para o progresso da economia será alterado. Ficaremos no devagar e sempre. O que isso tem a ver com o país travado faz um quarto de século? O empate a respeito de gasto público, impostos e regras para o mercado trava acumulação e investimentos na economia. Os atores político-sociais relevantes levam seu naco de fundos públicos, o poder político central não administra perdas, as contas não fecham. O gasto estoura? Faz-se inflação. Chega de inflação? Faz-se dívida pública. Chega de dívida pública? Aumentem os impostos. É a história fiscal do Brasil do final da ditadura a Lula, passando por Sarney, Itamar e FHC. Como a arrecadação de impostos agora cresce mais devagar, o impasse começa a ficar mais evidente. Mas ainda é empurrado com a barriga; o conflito social morno não dá conta de resolvê-lo, para um lado ou outro. Não há reforma na gestão da dívida pública, um entulho inflacionário caro, e a política monetária foi capturada pelo mercado. Miséria e desigualdade em tempos de voto livre induzem a liderança política ao distributivismo, que ora se esgota, pois elevar impostos tornou-se política e economicamente disfuncional. Um conluio de imobilismo e esperteza empresarial com maluquices pré-capitalistas impede o mercado de funcionar direito. A regulação do mercado e do investimento, já em si uma droga, é atravancada pelo Judiciário pré-cambriano e por uma derrama de liminares, de esquerdistas doidivanas a empresas, que de resto aceitam passivamente a confusão regulatória. Nesse contexto de impasse social, as mudanças ocorrem a conta-gotas. Arrastaremo-nos eternamente sobre o nosso pântano esplêndido.
por Vinicius Torres Freire para a Folha de S. Paulo em 21/12/06
Voz do Brasil
16 dezembro 2006
Parabéns, André.
15 dezembro 2006
Lira sanfonada
Hoje o céu está em festa de gala com a chegada do grande músico Sivuca. Vai ter forró retado até o dia raiá em companhia do velho Lua, Luiz Gonzaga.
13 dezembro 2006
Quem tem medo da verdade?

Observem a foto ao lado. Sabem de quem se trata? Nada mais nada menos (não sei porque mas acho essa expressão de uma banalidade sem tamanho) do que uma das figuras mais execráveis do jornalismo brasileiro: Reinaldo Azevedo. Conhecido defensor dos órfãos de Geraldo Alckmin (que estou fazendo o favor de ressucitar aqui neste post) e de outros políticos de pior odor como ACM. Este jornalista (desculpem-me, profissionais de caráter da imprensa brasileira), que a Veja deve orgulhar-se muito de manter em seus quadros, adora destilar sua ira no blog que criou com o nome (utilizando template da Abril com hospedagem da google - que puxa saco !!!) da empresa que o emprega. Lá ele desce a lenha sem piedade em tudo e todos que julga abaixo de sua ideologia, aprovação, admiração ou crença. Sob o manto sagrado da liberdade de imprensa, agride e humilha o presidente Lula, como quem chuta um mendigo e dá risada. Sua prepotência só possui paralelo na figura de seu grande companheiro de firma, Diogo Mainardi. São jornalistas que escrevem tudo na primeira pessoa, colocando-se numa posição de estrelato muito acima do fatos (?) que decidem (ou são mandados a) escrever. Quanta saudade de homens como Cláudio Abramo, para quem a palavra jornalista soava quase como um brado de dignidade.
(título da postagem extraído do antigo programa sensacionalista tv Record)
12 dezembro 2006
deu negativo
11 dezembro 2006
Demorô

Existem pessoas que quando morrem não despertam saudade ou sentimentos de tristeza que a perda poderia provocar. Na minha opinião, Pinochet é uma delas. Acho até um desperdício dedicar esta postagem a este carniceiro, mas creio que o fazendo, ajudo a escrever em seu epitáfio virtual o quanto este homem foi cruel com o povo sofrido de seu país. Que o diga o músico e poeta Victor Jara, que durante as atrocidades do regime militar liderado por Pinochet, teve suas mãos amputadas para que sua obra não mais fosse por ele executada e consequentemente seu canto de resistência silenciasse. Já vai tarde, Pinochet, muito tarde.
Pré-Natal no mato

Foi por acaso que descobrimos que o sítio vizinho ao nosso promovia uma festinha de natal antecipado para as crianças da região neste domingo (ontem). Parecia um parque da Mônica campestre. Por sugestão minha acabamos indo os quatro: Dé, eu, João Pedro e o André. Meio na cara de pau, pois nem fomos convidados. A idéia era levar o João Pedro num ambiente de atmosfera infantil, com crianças por toda parte, coisa que raramente ele convive ou participa por morarmos isolados. Gente humilde da redondeza que organiza a festa com petiscos, refrigerantes e presentes simples para a criançada - tudo feito com a colaboração de pessoas que se sensibilizam com este tipo de iniciativa, fazendo doações, se cotizando para que nada falte. Esta festa costumava ser em outro local, mais próximo ao vilarejo, mas este ano foi neste sítio vizinho. João Pedro saiu-se muito bem conhecendo sua primeira versão de Papai Noel e não chorou. Merece os parabéns se observarmos que a máscara deste Papai Noel é aterrorizante e está mais para Jason "Sexta-feira 13". Vendo seu sorriso na gangorra é fácil constatar o quanto ele curtiu. Ano que vem quero colaborar com o evento.
04 dezembro 2006
02 dezembro 2006
regozijar-se
29 novembro 2006
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26 novembro 2006
Robert Altman

Com a morte deste inquieto e genial cineasta, morre também pra mim um pouco do interesse pelo cinema norteamericano. São muito raros os diretores americanos, como Altman, que construíram sua filmografia à margem de Hollywood. Aliás, no execelente "O Jogador", Altman despeja toda sua crítica em relação aos valores estéticos do império cinematográfico. Para quem cresceu (no meu caso) admirando o neo-realismo italiano, o cinema independente americano e as aventuras do cinema brasileiro, é frustrante a partida de Altman. E depois que se forem Scorsese e Coppola (ainda que hollywoodianos), vai ser difícil o cinema dos EUA se segurar com quem restar. A entrevista (só para assinantes) que a Folha traz neste domingo com Wim Wenders e Walter Salles Jr. de certa forma tem tudo a ver com esta postagem.
21 novembro 2006
Pânico

Conforme comentário postado no blog de minha amiga Kelly, aqui reproduzido, temos pinheiros de muitos metros de altura, diâmetros impressionantes e o mesmo em termos de vida: ou seja, algo em torno de 40 anos. Vários deles que se projetam em direção ao céu. Quando rola esse papo de mormaço abafado com precipitação de chuva forte, surge uma dança nada atrativa. Um vento de botar medo até a medula. Ele mostra a força de uma natureza nada bela, porém assustadora. Depois de 4 anos aqui morando resolvemos dar um basta neste beleza ameaçadora. Ele deverão ser cortados e nossa vista, tal qual a luminosidade da casa, deverão mudar consideravelmente. O João Pedro, sempre ele, foi o principal motivo de tal decisão - juntamente com a ventania de domingo que quebrou em dois um pinheiro bem atrás de nossa casa. Não dá pra viver assim nessa insegurança.
Wot happen?
19 novembro 2006
Adeus Noblat
09 novembro 2006
El batuqueiro
A nova direita

Continuo impressionado com o surgimento de uma nova e não menos rancorosa direita no Brasil. Se há não muito tempo atrás dizia-se que os jornalistas em geral eram petistas, ou de esquerda e os donos dos veículos, de direita, hoje em muitos casos estão alinhados num mesmo patamar de posicionamento. É claro que há inúmeras exceções tanto de profissionais, quanto de veículos que felizmente não compõem este quadro. Mas é assustador o viés da direita demonstrado por garras que foram agressivamente expostas (seja na mídia ou em blogs) por ocasião desta eleição para presidente. Para eles talvez o maior castigo tenha sido justamente a eleição de Lula. Terão que esperar por pelo menos mais quatro anos até que ensaiem um novo bote para assumir o poder federal novamente.






















